terça-feira, 15 de maio de 2012

FILME "LUTERO" - 25. OS PRÍNCIPES COM LUTERO EM COBURGO: A CHAVE DA RÁPIDA EXPANSÃO DA REFORMA




Lutero reúne os príncipes em torno da Dieta de Augsburg, que se desenhava decisiva: o imperador se desembaraçara das guerras que tanto atrasaram sua atuação contra a Reforma, e ele queria fazer valer o Édito de Worms, contra a rebeldia dos príncipes protestantes que pilhavam os bens da Igreja e impunham a religião reformada à força em seus territórios, valendo-se da brecha jurídica da Dieta de Spira. Antes de tudo, é falso que todos os príncipes alemães ficaram protestantes: embora não tenha tido uma grande expressão militar, a Santa Liga católica de 1537 mostra de modo insofismável que nem todos os príncipes estavam contra o imperador. A Santa Liga era composta pelo imperador Carlos V e o rei Fernando, além da Baviera, do Duque George da Saxônia, dos Duques Henry e Eric de Braunschweig e do príncipe eleitor Albrecht de Mayence (por Magdeburg e Halberstadt). (Grisar: 450)





Mas outra liga Católica em apoio ao imperador já havia se formando em 1524, a aliança de Ratisbonna, composta pelo arquiduque Fernando de Áustria, os duques Guilherme e Luis da Baviera, e doze Bispos do sul da Alemanha. E no ano seguinte, uma liga semelhante – a

Liga de Dessau - formou-se sob a direção do Duque George da Saxônia, contando inclusive com vários príncipes do centro da Alemanha. (Llorca:682) 



Sua finalidade era novamente fazer o imperador impor o Édito de Worms, para extirpar a ameaça luterana, a causa mesma da guerra dos camponeses, ameaça à unidade e segurança do Império, à unidade da Cristandade (Grisar: 285-286) 



E há príncipes e príncipes... Os três mais destacados promotores do luteranismo – Frederick da Saxônia, Filipe de Hesse e Albrecht de Brandenburg - não se distinguiam exatamente por sua retidão moral ou apreço pelo Evangelho. 



Frederick da Saxônia

Lutero mesmo reclamava ao eleitor Albrecht de Brandeburg como a decadência do culto Católico era avançada na Saxônia, graças ao desleixo do príncipe Frederick, o Sábio: “(...) a degradação geral do clero é manifestada por “várias canções, dizeres, sátiras,” e pelo fato de os padres e monges serem pintados em paredes, cartazes e mesmo cartas de jogo. Essa sistemática difamação era comum em particular no eleitorado de Saxe, durante o reinado de Frederico, o protetor da “Reforma,” que conscientemente permitiu o aumento dos ataques contra o Catolicismo em cada setor da vida. O engano e a duplicidade com que praticou lança uma mancha negra sobre seu caráter e coloca seu título “o Sábio” sob uma luz peculiar.” (Grisar: 241)


Medalhas com a Epígrafe de um Papa e de um Cardeal

Em relação à propaganda sistemática contra a Igreja, pode-se ter uma idéia nestas imagens impressas em medalhas em Nuremberg, mostrando um Papa e um Cardeal em uma posição, e o anticristo e um bobo da corte respectivamente quando as medalhas são colocadas de cabeça para baixo (figuras acima).


Invertendo-as: o anti-cristo e um bobo-da-corte

E quanto à moral pessoal do príncipe, Frederick também ficou devendo muito: “Até sua morte, em 5 deMaio de 1525, Frederico praticou um  jogo-duplo em questões religiosas. Ele nunca se casou, mas teve dois filhos e uma filha de uma certa Anna Weller (...) [e não] se distinguia por qualidades morais elevadas (…)” (Grisar: 242) 

Filipe de Hesse

Fala-se pouco no filme sobre esse príncipe. Não é à toa. Hesse “vivia persistentemente em adultério e pecado público. De acordo com sua própria confissão ele não observava a fidelidade conjugal para com sua esposa Christina nem por três semanas. (sic)” (Grisar: 328)

Graças à frívola e imoral vida de sua mãe, chamada comumente de Madame Vênus, Hesse não teve a educação moral e religiosa necessária para agir como um verdadeiro soberano. Por isso mesmo já em 1524 irá aderir ao luteranismo e permitir o novo culto em seus domínios. (Grisar: 315-316) 

Em fevereiro de 1539, os protestantes foram obrigados a assinar a “paz de Frankfurt” com os Católicos porque seu líder Filipe de Hesse não compareceu, atacado novamente de uma doença que o acompanhava sempre e era causada por sua vida dissoluta: a sífilis, ou Malum franciae. (Grisar: 452) 

O príncipe então pedirá a anuência dos reformadores para a solução que ele imaginou para seu problema de infidelidade: a bigamia!  



E bem informado que estava, irá recorrer ao conselho que o próprio Lutero havia dado ao rei da Inglaterra0, Henrique VIII, quando este também precisava se livrar de um incômodo casamento: “Em um juízo sobre a possibilidade de divorciar de Catarina de Aragão, a esposa legítima do rei, que Lutero enviou em 3 de Setembro de 1531, ele aberta e candidamente pronunciou ser indissolúvel o casamento do Rei, mas, para satisfazer o rei, desde que com a permissão da Rainha, ele podia “casar-se com mais uma rainha, conforme o exemplo dos antigos, que tiveram muitas esposas.” (Grisar: 414)

Eis a utilidade da Bíblia para os pseudo-reformadores: desculpa para suas mentiras, imoralidades e delírios! Deus tolerou o desvio dos antigos. Tolerou, por causa da dureza dos corações dos judeus! Nunca o permitiu e muito menos incentivou. Melanchthon confirmará o parecer de Lutero no mês seguinte: “O Rei pode, em boa consciência (tutissimum est regi), tomar uma segunda esposa, mantendo a primeira.” (Grisar: 415)

   
Como Hesse conhecia o precedente, sabia até onde avançar... E sabia também quão valioso era para a Reforma: caso os reformadores recusassem seu pedido, Hesse ameaçava apelar ao imperador, o que poderia ser desastroso para o novo culto, pois Hesse era o sustentáculo militar da liga luterana. E seus vastos territórios, convertidos à nova confissão à força, eram valiosos demais para Lutero. Dados tantos bons motivos, a bigamia foi aprovada por Lutero e outros teólogos.
E a cerimônia se realizou secretamente, inclusive com a presença de Melanchthon.

E o oficiante de tal escândalo?

“Celebrou-o (...) o predicante da corte, Dyonisius Mélandro, outro frade reformado, que já estava valorosamente na sua terceira mulher, vivas ainda as duas primeiras.” (Franca, PB: 309) 

Os luteranos tentarão minimizar o episódio, dizendo que era um caso concreto, com mil complicadores. Falso! Lutero defendia a bigamia como legítima a priori: “Confesso, escrevia ele 1524, que não posso proibir tenha alguém muitas esposas; não repugna às Escrituras (sic!); não quisera porém ser o primeiro a introduzir este exemplo entre cristãos” (De Wette, II.259, apud Franca, PB: 19-20)

Acabou sendo o primeiro... Quando a escandalosa bigamia ameaçou tornar-se pública, Lutero declarou-se abertamente pela negação do conselho que dera, pois "seria um escândalo muito grande à sua igreja" (sic!). Foi então que pronunciou sua famosa apologia da mentira conveniente, na reunião de teólogos em Eisenach: "Que mal pode causar se um homem diz uma boa e grossa mentira por uma causa meritória e para o bem da Igreja (luterana)" (Grisar: 522)

E alguns dias depois, ajuntou: "Mentir em caso de necessidade, ou por conveniência, ou para excusar-se, não ofenderá a Deus, que estará pronto para tomar sobre si tais mentiras" (Grisar, 522) 

   
Após a descoberta de sua bigamia, Filipe de Hesse ficou liquidado, por causa das penalidades impostas pelo império, que foram brandas em se considerando que o crime merecia a pena de morte. Hesse acabou saindo da Liga de Schmalkalde, o que provocará seu declínio irreversível. (Grisar: 454).

Mas por onde passa o boi, passa a boiada. Apoiados no exemplo de Hesse, vários soberanos alemães entraram pelo caminho anticristão da bigamia, como Jorge IV da Saxônia, Frederico Guilherme II da Prússia, Eberardo Luís de Wittemberg, Carlos Luís do Palatinado e ainda o rei da Dinamarca Frederico IV. (Franca, PB: 312)

                          Albrecht von Brandenburg 

Outro príncipe que aderiu rapidamente ao luteranismo.  Albrecht era grão-mestre da ordem Teutônica. Cumprindo a regra secular da ordem, ele pronunciou livremente o voto solene de castidade. Fez uma aliança secreta com Lutero em 1521, visando satisfazer suas ambições materiais. (Grisar: 317)

Viu a hora do bote em 1525, quando secularizou a Prússia,  território pertencente à ordem Teutônica, tornando-se ilegalmente Duque da Prússia, e impondo a toda população a mudança de religião por meio de lei. (Grisar: 318) 

Nem o protesto da ordem fora da Prússia, nem as medidas do Império e os protestos solenes do Papa impediram essa violação brutal do direito estabelecido (Grisar: 318)

Evidentemente, o próximo passo foi o casamento, cedendo às pressões de Lutero para quebrar os votos, como ele mesmo fizera... (Grisar: 318) 

Era a reforma libertadora se impondo pela espada... Era o triunfo dos nobres absolutistas, legitimados pela pregação luterana. A motivação dos príncipes nada tinha de religiosa, mas política, principalmente tratando-se de Filipe de Hesse: “Com o desposamento da causa evangélica por Filipe,” diz Theodore Kolde, “um elemento político [rectius, um novo elemento político] entrou no protestantismo nascente.” (Grisar: 316) 

   
Lutero arrancou das mãos da Igreja o governo das almas e o entregou aos príncipes renascentistas. Foi o trágico ressurgimento do cesar-papismo. Contra essa vã tentativa de conspiração, a Escritura diz: "Por que conspiram furiosamente as nações? Por que tramam os povos coisas vãs? Erguem-se, juntos, os reis da terra, e os príncipes se unem para conspirar contra o Senhor e contra seu Cristo.«Rebentemos seus grilhões, sacudamos seu jugo!» Aquele que habita no céu ri, o Senhor se diverte à custa deles.." (Salmo II, 1-4)






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