quinta-feira, 29 de setembro de 2011

CONTINUAM A TRAIR JESUS

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Ainda o Evangelho de Judas:

Pe. Catalamessa
EM SÍNTESE: o Pe. Catalamessa chama a atenção para o fato de que Jesus continua a ser vendido, desta vez não por trinta dinheiros, mas, a editores e livreiros, por bilhões de dinheiros. Com efeito, as lendas dos apócrifos tem-se tornado obras de grande comercialização, que tanto mais rendosa é quanto mais sensacionalista. Nessa exploração comercial estão incluídos o “Evangelho de Judas” e o romance “O Código Da Vinci” de Dan Brown.


*** 
Na sexta-feira santa, 14 de abril de 2006, em presença do Papa Bento XVI E NA BASÍLICA DE São Pedro, o Pe. Raniero Cantalamessa proferiu uma homilia em que alude aos apócrifos e ao sensacionalismo (financeiramente rendoso) que estão provocando. O pregador, nessas circunstâncias, profere a palavra da Igreja sobre a onda de teorias recém-propagadas em torno de Jesus, Maria Madalena e as origens do Cristianismo. – Eis o texto que vem ao caso:


“Cristãos, movei-vos com mais seriedade” (Dante Alighieri)

“Virá o tempo em que os homens já não suportação a sã doutrina. Desejosos de ouvir novidades, escolherão para si uma multidão de mestres, ao sabor das suas paixões, e há de afastar os ouvidos da verdade aplicando-os à fábulas” (2Tim 4, 3-4).


                                       
Estas palavras das Escrituras, sobretudo o realce do desejo de ouvir novidades, estão a realizar-se de modo novo e impressionante em nossos dias. Enquanto celebramos aqui a recordação da Paixão e morte do Salvador, milhões de pessoas são levadas por hábeis especialistas do remanejamento de lendas antigas a crer que Jesus de Nazaré, na realidade, nunca foi crucificado. Nos Estado Unidos é um Best seller do momento uma edição do Evangelho de Tomé, apresentado como o evangelho que nos evita a crucifixão, torna não necessária a ressurreição e não nos obriga a crer no Deus chamado Jesus.

Raymond Brown
'É uma constatação pouco edificante para a natureza humana', escreveu há anos um grande estudioso bíblico da história da Paixão, Raymond Brown: 'quanto mais fantástico for o cenário imaginado, tanto mais sensacional é a propaganda que recebe e maior o interesse que suscita. Pessoas que nunca se dedicariam a ler uma análise séria das tradições históricas sobre a Paixão, morte e ressurreição de Jesus, sentem-se fascinadas por qualquer teoria nova segundo a qual ele não foi crucificado e não morreu, especialmente se a novidade inclui a sua fuga com Maria Madalena para a Índia (ou para a França, segundo a versão mais atualizada) ... Estas teorias demonstram que, quando se trata da Paixão de Jesus, apesar das crenças populares, a fantasia supera a realidade e, infelizmente, até rende mais".


 
Fala-se tanto da traição de Judas e não percebemos que a estão a renovar. Cristo torna a ser vendido, já não aos chefes do Sinédrio por trinta denários, mas a editores e livreiros por bilhões de denários ... Ninguém conseguirá impedir esta tendência especulativa, que conhecerá o ponto máximo com a saída iminente de um determinado filme. Tendo-me ocupado durante anos com a História das origens cristãs, sinto o dever de chamar a atenção para um desmedido engano que está na base de toda esta literatura pseudo-histórica. 

APÓCRIFO - EVANGELHO
DE JUDAS
Os evangelhos apócrifos são material com o qual nem sequer os historiadores mais críticos e mais hostis ao cristianismo jamais pensaram, antes de hoje, que se pudesse fazer história. Seria como se daqui a alguns séculos se pretendesse reconstruir a história atual baseando-se em romances escritos na nossa época. 

O grande equívoco consiste no fato de que se usam esses escritos para Ihes fazer dizer exatamente o contrário do que eles dizem. Eles pertencem à literatura gnóstica dos séculos II e III. A visão gnóstica, um misto de dualismo platônico e de doutrinas orientais revestido de idéias bíblicas, defende que o mundo material é uma ilusão, obra do Deus do Antigo Testamento, que é um deus mau, ou pelo menos inferior; Cristo não morreu na cruz, porque nunca assumiu, a não ser aparentemente, um corpo humano, sendo este indigno de Deus (docetismo).

Se Jesus, segundo o Evangelho de Judas, que tanto foi apregoado nos dias passados, ordena ele mesmo ao apóstolo que o traia, é porque, ao morrer, o espírito divino que está nele poderá finalmente libertar-se do invólucro da carne e subir ao céu. O matrimônio deverá ser evitado (encratismo). A mulher só se salvará se o "princípio feminino" (thelus), por ela  
personalizado, se transformar no princípio masculino, isto é, se deixar de ser mulher. É surpreendente que hoje haja quem pense que nestes escritos se vê a exaltação do princípio feminino, da sexualidade, do total e desinibido gozo deste mundo material, em polêmica com a Igreja oficial, que, com o seu maniqueísmo, sempre teria inculcado tudo isto! É o mesmo equívoco que se observa em relação à doutrina da reencarnação. Presente nas religiões orientais como uma punição devida a culpas precedentes e como aquilo a que se deseja para pôr fim com todas as forças, é acolhida no Ocidente como uma maravilhosa possibilidade de voltar a viver e a gozar indefinidamente deste mundo. 


Estratégias midiáticas de manipulação
Estas são questões que não mereceriam ser tratadas neste lugar e neste dia, mas não podemos permitir que o silêncio dos crentes seja visto como perplexidade e que a boa fé (ou a ingenuidade?) de milhões de pessoas seja grotescamente manipulada pela mídia, sem lançar um grito de protesto em nome não só da fé, mas também do bom senso e da sã razão. Penso que seja o momento de ouvir de novo a admoestação de 
Dante Alighieri:






'Cristãos, movei-vos com mais seriedade; 
não sejais como penas ao vento,
e não penseis que todas as águas vos lavem. 
Tendes o Novo e o Antigo Testamento,
E o pastor da Igreja que vos guia;
Que isto vos satisfaça, para a vossa salvação ... 
Sede homens, e não ovelhas enlouquecidas'. 

(PERGUNTE E RESPONDEREMOS - agosto 2006 - n. 530)





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