domingo, 30 de junho de 2013

ONDE FICAM AS ALMAS DOS MORTOS ANTES DA VINDA DE CRISTO?


Joenildo Santos: - Será que os mortos em Cristo já estão no céu? O rei Davi, o amado de Deus, ainda não subiu aos céus. Atos 2:34 - "Porque Davi não subiu aos céus, mas ele próprio diz: Disse o SENHOR ao meu Senhor: Assenta-te à minha direita...", Jesus Cristo foi o único que ascendeu aos céus por meio da ressurreição. João 3:13 - "Ora, ninguém subiu ao céu, senão o que desceu do céu, o Filho do homem, que está no céu".




O texto que merece análise é o de que Davi não havia subido ao céu. 

Mas como? 

Porventura, Abraão e todos os patriarcas, os profetas e  reis, enfim, todos os justos, não se beneficiaram com a Redenção de Cristo? Quanto à outra passagem que declara que ninguém subiu ao céu deve-se entender que se referia à situação antes da morte e ressurreição de Cristo, pois ninguém poderá ver o Senhor com a mancha do pecado  (Lc 16,9), e, todos, inclusive os bebês. eram herdeiros dessa "culpa" que só se apaga com o batismo.


É desta mesma ressurreição que fala São Pedro em seu discurso no dia de pentecostes. Ele mencionou a tumba de Davi para provar que a profecia "Ele não foi abandonado na região dos mortos, e sua carne não conheceu a corrupção" (At 2,31) não se referia a Davi, mas a Cristo, pois somente Cristo, havia ressurgido e subido aos céus com seu corpo glorioso, fato do qual os apóstolos se declaravam testemunhas. 

Davi permanecia - não ele, mas apenas seu corpo -, por sua vez, bem quietinho no sepulcro, donde não saiu, nem, tão-pouco, "... subiu aos céus" (Jo 3,13)

Fica claro também que sua alma, juntamente com as demais, que repousavam no "seio de Abraão" (Lc 16,22), logo, porém, após o resgate pago com o sangue de Jesus, puderam entrar no gozo da visão beatífica de Deus, e, não somente eles: também subiram as almas que estavam detidas no cárcere por conta de sua rebeldia desde os tempos de Noé:

" ... mas [Cristo] foi vivificado quanto ao espírito. É neste mesmo espírito que ele foi pregar aos espíritos que ERAM DETIDOS NO CÁRCERE, àqueles que outrora, nos dias de Noé, TINHAM SIDO REBELDES..." (I Pe 3,18-19) ."
 

PARA QUEM QUISER DOMINAR BEM O ASSUNTO RECOMENDO LER:      "OS 'OUTROS' NO DISCURSO DE PEDRO


 POSTAGEM SEGUINTE - O evento considerado como pedra fundamental do protestantismo foi a fixação no pórtico da Igreja do Castelo de Wittenberg das 95 teses criticando a ortodoxia católica. Esse ato de rebeldia, segundo a Tia Teteca,...




.POSTAGEM ANTERIOR - OS SANTOS - que estão entre nós como "uma nuvem de de testemunhas" (Tm 12,1), não estão, de forma alguma, inconscientes como ensinam os protestantes. Eles torcem por nós e nos ajudam segundo a conclusão da parábola de Cristo sobre o Administrador Infiel...



quinta-feira, 27 de junho de 2013

QUEM HONRA OS SANTOS HERDA O REINO DOS CÉUS

OS SANTOS - que estão entre nós como "uma nuvem de de testemunhas" (Tm 12,1), não estão, de forma alguma, inconscientes como ensinam os protestantes. Eles torcem por nós e nos ajudam segundo a conclusão da parábola de Cristo sobre o Administrador Infiel: 

"Eu vos digo: fazei-vos amigos com a riqueza injusta, para que, no dia em que ela vos faltar, eles vos recebam nos tabernáculos eternos." (Lc 16,9) 


Fonte: CAIAFARSA

´POSTAGEM SEGUINTE  - O rei Davi, o amado de Deus, ainda não subiu aos céus. Atos 2:34 - "Porque Davi não subiu aos céus, mas ele próprio diz: Disse o SENHOR ao meu Senhor: Assenta-te à minha direita..." 
 



POSTAGEM ANTERIOR -  "Religião salva? Realmente, o Vaticano tem salvado muitos padres de ser condenados por pedofilia!!!! Religião só há uma, é a igreja católica apostólica, o paganismo veio quando se transformou em igreja apostólica romana,  e a bagunça começou"




domingo, 23 de junho de 2013

CALÚNIAS CONTRA A IGREJA E CONTRA OS PADRES

CLIQUE NA IMAGEM:



EVANGÉLICO - QUE SE NOMEIA "Cidadãos do reino de Deus!!!" - "Religião salva? Realmente, o Vaticano tem salvado muitos padres de ser condenados por pedofilia!!!! Religião só há uma, é a igreja católica apostólica, o paganismo veio quando se transformou em igreja apostólica romana, e a bagunça começou"

A IGREJA - PRESBÍTEROS ESCANDALOSOS

A Igreja é o corpo e a plenitude de Cristo (Ef 1,22-23), portanto o próprio Cristo, conforme podemos ler em At 9,4. O corpo de Cristo é incorruptível e não pode se contaminar pelo paganismo, ou por qualquer tipo de desvio. 

A Igreja é semelhante a uma árvore cujos com galhos podem se tornar improdutivos, secar, ou apodrecer tendo que ser podados. 

Aquele que peca, se separa da Igreja podendo, no entanto, ser reimplantado mediante a absolvição dos pecados (Jo 20,22-23), pelo MINISTÉRIO DA RECONCILIAÇÃO (II Cor 5,18).

OS ESCÂNDALOS são invitáveis (Mt 18,7). O que aconteceu no colégio apostólico (Traição de Judas) se repete entre os presbíteros da Igreja, só que em proporção microscópica, tão pequena que pode ser considerada desprezível, e que, em vez de ultrajar a corporação, em seu todo, ao contrário, acaba nos revela sua santidade.


"... de 1950 a 2002, 4.392 sacerdotes americanos (sobre um contingente de 109.000 padres!) foram “acusados” de relações sexuais com menores; nem todos os casos, porém, se confirmaram como pedofilia, além de haver uma série de padres inocentes que foram caluniados. Ao mesmo tempo, porém, omite-se que, das 4.392 acusações (não sentenças de condenação), os casos de pedofilia foram somente 958 e levaram a 54 condenações, num período de 42 anos! Repetimos: 54 condenações sobre 109.000 padres!... 

OBSERVAÇÃO: Para elaborar este trabalho, servi-me dos depoimentos de alguns jornalistas bem informados a respeito de assuntos ligados à Santa Sé: Benedetta Sangirardi, Massimo Introvigne, Salvatore Izzo, Andrea Tornielli, Marco Politi, Bruno Mastroiani)". (D. HILÁRIO - O site original era este o qual  não mais existe 
http://domhilario.blogspot.com/search/label/Pedofilia - Então acesse:

RESUMINDO -  Considerando tudo o que se sabe sobre pedofilia na Igreja – pelo menos por ora -, trata-se de uns 300 casos de padres pedófilos no mundo inteiro (exemplos  tão escandalosos quanto mil vezes explorados pela mídia, que chegam a dar a impressão de que todos, ou quase todos os padres sejam sexualmente desviados) sobre um contingente de 400.000 sacerdotes, ou seja, apenas 0,075%. Teríamos que multiplicar isso por 13,33 para se chegar a 1%, bem diferente do que se dá entre os líderes evangélicos, cujas publicações dão conta de que 64% deles estão envolvidos em pedofilias, estupros, pornografias, adultérios, etc.

PUBLICAÇÕES EVANGÉLICAS SOBRE DESVIOS SEXUAIS DE SEUS LÍDERES

CLIQUE NA IMAGEM ABAIXO par ler o original:





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POSTAGEM ANTERIOR - Os índios da Bahia contavam a história do Deus branco que eles denominavam de Sumé e que teria andado pelo mar, as águas se abrindo para dar -lhe passagem e escapando das flechadas, e que teria deixado rastos de sua existência 


sábado, 22 de junho de 2013

A LENDA DE SUMÉ - SÃO TOMÉ

A lenda de Sumé. O santo que teria andado pelo mar da Bahia.

Os índios da Bahia contavam a história do Deus branco que eles denominavam de Sumé e que teria andado pelo mar, ás aguas se abrindo para dar passagem e escapar das flechadas, e que teria deixado rastos de sua existência. Na verdade, pegadas firmes nas rochas das praias de São Tomé de Paripe e também de Itapoan, mais ou menos no trecho que a foto de Americano da Costa (1951) revela. Uma lenda fascinante que o Padre Nobrega ouviu dos Tupinambás e repassou para seus superiores em carta escrita em 15 de abril de 1549.

Sumé era como os índios se referiam ao "Deus branco" que Nóbrega identificou como o apóstolo São Tomé, cuja suposta andança pelas Américas, originou lendas afins no Peru (Viracocha), Colômbia (Bochica), Cuba (Zumi), Costa Rica (Zamia), México (Cucucan entre os Maias e Quetzalcocte entre os Aztecas). Nóbrega conferiu pessoalmente a rocha em Itapoan que os índios revelaram trazia gravadas como num molde as pegadas do santo e que originou um culto que sobreviveu até meados da década de 50 no século XX, no lugar onde foi erigida uma palhoça  e uma cruz.
Essas supostas pegadas por se encontrarem tão perto da
Pedra do Oratório são envoltas de um grande misticismo.
A Icnologia (estudo das pegadas fósseis) apresenta uma
explicação lógica para tais vestígios: são cavidades
resultantes  de processo erosivos, registradas em rochas
de textura leve, exemplos das encontradas no Icó
e em todo o Vale do  Cafundó, no município de Flores.
Os Tupinambas também mostraram as pegadas do santo numa rocha na praia de Paripe que recebeu o nome de São Tomé, justamente em função da lenda indígena e do culto que dela se originou, com romaria que existiu até quando uma rodovia passou por cima do local nos anos 20. Foi outro jesuíta  Simão de Vasconcelos quem testemunhou e relatou as impressões de um pé humano, atribuídos a Sumé, ou São Tomé, na pedra de Paripe.
São inúmeros os testemunhos (Nóbrega, Simão de Vasconcelos, Gabriel Soares, Francisco Pires) sobre o assunto, inclusive objeto de reportagens e fotos publicadas nos jornais em 1916, e muitas as dúvidas sobre as supostas pegadas do santo. O que me fascina nessa história é a imagem do Deus branco andando sobre as águas e elas se abrindo na sua passagem, que nem no episódio bíblico de Moisés na busca de terra prometida. Também, o sincretismo evidente entre as lendas indígenas e os mitos, ou episódios que originaram os relatos do antigo testamento.
Infelizmente as lendas de Sumé, ou São Thomé não deixaram um legado para os baianos. Se fosse em outro país os locais onde as pegadas foram descobertas estariam hoje preservados, sinalizados, representados, abertos à visitação dos turistas e dos próprios baianos que assim teriam uma maior auto-estima pela sua terra e uma melhor compreensão de suas origens.

POSTAGEM SEGUINTE - "Religião salva? Realmente, o Vaticano tem salvado muitos padres de ser condenados por pedofilia!!!! Religião só há uma, é a igreja católica apostólica, o paganismo veio quando se transformou em igreja apostólica romana,  e a bagunça começou"




 
POSTAGEM ANTERIOR -  "Para quem pensa ser contraditório a esquerda colocar-se contra si mesma, não se esqueça de que a psicologia dialética é essencialmente suicida..."

 



quarta-feira, 19 de junho de 2013

MOVIMENTO PASSE LIVRE - MPL

"Para quem pensa ser contraditório a esquerda colocar-se contra si mesma, não se esqueça de que a psicologia dialética é essencialmente suicida. Desta forma, na elaboração marxista, o socialismo é apenas uma etapa autodestrutiva para a implantação do comunismo; (...) Portanto, o PT é consciente de ser apenas uma etapa a ser superada naquele horizonte; e isto não é acidental, é totalmente programado para ser assim."

COMUNISMO É MORTE. Lute contra o comunismo!!!!





Nota sobre as manifestações do “Movimento passe livre”.

Por Padre Cristóvão
Vendo a vibração de certos católicos ditos conservadores com as manifestações organizadas pelo “Movimento passe livre” em São Paulo, que eclodiu em outras tantas por todo o país, penso ser importante alertar para os seguintes aspectos:

1. O movimento é uma organização geneticamente revolucionária, regida pelos princípios do Fórum Social Mundial. Sua organização é anárquica (vide “horizontalidade”) e seus esforços se colocam em sintonia com os dos demais movimentos de desintegração social, como o gayzismo, o laicismo beligerante, o etnicismo etc. (Movimento Passe Livre - MPL). Embora alegue seu apartidarismo, confessa seu não antipartidarismo. Parece tão ingênuo e impoluto… E o diz propositalmente para parecê-lo. Mas…
O princípio para avaliar uma manifestação de massa é o uso político que dela se faz, que quase sempre não coincide com o motivo declarado explicitamente pelos manifestantes. De modo que, acima de tudo, atente-se que a não dependência partidária explícita não é sinônimo de independência da gerência partidária implícita. Aliás, de onde vem o dinheiro usado pela organização? E o comando para a mobilização das mídias, que acabaram se transformando em meio direto de convocação das hostes?
2. As críticas dirigidas pelos manifestantes ao PT são de que este não é tão comunista como queriam que fosse. Sendo assim, a vitória não é do partido, mas da mentalidade comunista, hegemonicamente presente na cultura popular. Este é o resultado da não oposição ideológica à revolução gramsciana, há décadas invicta em nossa nação.
3. Para quem pensa ser contraditório a esquerda colocar-se contra si mesma, não se esqueça de que a psicologia dialética é essencialmente suicida. Desta forma, na elaboração marxista, o socialismo é apenas uma etapa autodestrutiva para a implantação do comunismo; e aquela, estrategicamente, seria antecedida eventualmente por outras etapas, de igual modo auto-aniquilatórias. Portanto, o PT é consciente de ser apenas uma etapa a ser superada naquele horizonte; e isto não é acidental, é totalmente programado para ser assim.
4. Historicamente, o movimento revolucionário sempre trabalhou:
a) com uma dinâmica contraditória, para espalhar confusão e dissolução na sociedade;
b) com a matização dos mesmos preceitos em modelos diferentes de radicalidade, para fugirem da acusação de extremismo, enquanto falsamente se encaminham para a execução dos mesmos objetivos;
c) com a implantação do vitimismo e da revolta, como elemento aglutinador de forças beligerantes;
d) fazendo com que este laboratório de engenharia social culminasse com a eliminação de alguns de seus opositores (a Igreja ou outras instituições conservadoras). Assim, por exemplo, começaram a revolução francesa e a guerra civil espanhola, todas, na origem, meras manifestações inocentes de vitimismo e, no fim, assassinas e anticlericais.
Adendo.
Em 1936, aconteceu uma aparição de Nossa Senhora no Brasil, em Pernambuco, na cidade de Pesqueira, na vila de Cimbres, num lugarejo denominado Sítio da Guarda. A aparição, pouco conhecida, foi aprovada pela autoridade eclesiástica da época.
Ali, a Virgem disse a duas meninas: “Minhas filhas, virão tempos calamitosos para o Brasil! Dizei a todo o povo que se aproximam três grandes castigos, se não for feita muita penitência e oração”.
O sacerdote, depois, as interrogou durante uma aparição, na qual ele perguntava diretamente à Virgem (em latim e alemão, idiomas ignorados pelas videntes) e Ela respondia às crianças, que lhe transmitiam a resposta:
“- Que significa o sangue que corre das vossas mãos?”
“- O sangue que inundará o Brasil”.
“-Virá o comunismo a penetrar no Brasil?”
“- Sim”.
 “- Os padres e os bispos sofrerão muito?”
 “- Sim.”
“- Será como na Espanha?”
“- Quase”.
“- Quereis que se pregue sobre este assunto?”
“- Sim”.
Tempos depois, a Virgem voltou a aparecer a uma das videntes, dizendo-lhe: “Nunca mais me manifestarei aqui em Guarda e os três castigos não virão , porque o povo está melhor; mas é necessário ainda rezar muito e fazer penitência”.

POSTAGEM SEGUINTE - Os índios da Bahia contavam a história do Deus branco que eles denominavam de Sumé e que teria andado pelo mar, as águas se abrindo para dar -lhe passagem e escapando das flechadas, e que teria deixado rastos de sua existência.

POSTAGEM ANTERIOR - por que causa Bèze não disse uma só palavra em sua "Vie de Jean Calvin" (Vida de João Calvino) das FLORES DE LIS com que foi marcado ou selado seu herói? Ao qual respondem, que havendo merecido o panegirista (Bèze) ser marcado com o mesmo selo pelo mesmo delito...

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segunda-feira, 17 de junho de 2013

DEUS PODE PECAR? CALVINO, PELO MENOS INDIRETAMENTE, DIZ QUE SIM

Retrato de Calvino e de seus principais discípulos - 


... ensinando Calvino que Deus é o autor de todos os pecados, rebelou-se assim contra todos os partidários da Reforma. “Esta opinião, dizem os luteranos da Alemanha, deve ser vista com horror e abominação. É uma fúria de estoicismo, fatal aos costumes, monstruoso e blasfemo”. “Este erro calvinista, escreve Conrado Schlusselburg, é terrivelmente injurioso a Deus, e entre todos os erros, não há um que seja tão funesto para a raça humana, pois segundo esta teologia calvinista, Deus seria o mais injusto dos tiranos; e não mais o demônio, senão o próprio Deus seria o pai da mentira” 




Estudemos, Calvino, e seus principais discípulos.


Jehan Cauvin (João Calvino), conhecido apenas por Calvino, nasceu na comuna francesa de Noyon, de um cobrador de impostos chamado Gérard Cauvin, que com o tempo chegou a ser tabelião e promotor fiscal do bispado desta cidade (então sob jurisdição do Monseigneur Charles de Hangest). Por meio dos abusos que eram mui frequentes quando os reis ou os povos se intrometiam nos negócios eclesiásticos, Calvino recebeu, com apenas doze anos de idade, uma capelania na igreja de Noyon, e pouco depois a cura de almas (paróquia) de Pont-l’Évêque, antes de ser ordenado sacerdote. Desempenhando o curado (ou seja, o serviço de pároco), este infeliz foi acusado do crime infame de sodomia (Prática sexual em que há penetração do ânus com o pênis).

DEPRAVADO

Eis aqui como se refere o inglês Stalepton a este memorável acontecimento: “Existem, todavia (em 1590, ou seja, mais de vinte anos depois da morte de Calvino), em Noyon, cidade da Picardia, os registros judiciais em que se lê que, condenado POR SODOMIA, foi marcado nas costas com ferro quente, e isto por graça especial do bispo e dos magistrados, pois a fogueira era a pena comum destes delitos, e que em seguida foi ignominiosamente arremessado da cidade. As pessoas mais honradas de sua família, algumas das quais, contudo, ainda vivas, não conseguiram fazer que esta nota infame desaparecesse dos arquivos públicos” [1].


Jérôme-Hermès Bolsec assegura haver visto as provas autênticas deste crime execrável nas mãos de Philibert Berthelier, secretário do Conselho de Genebra, que foi enviado pelos magistrados desta cidade à Noyon para que conseguisse informações autênticas.

Théodore de Bèze - Discípulo de Calvino
Na Vie de Jean Calvin, obra publicada em Paris no ano de 1577 e escrita por Théodore de Bèze, contemporâneo e discípulo de Calvino, relata-se que em Genebra teve também seu Adônis (companheiro homossexual), o qual lhe abandonou, fugindo depois de havê-lo roubado [2].

Estes fatos são tão conhecidos por todos, que quando o P. Campiano afirmou notoriamente na Inglaterra que o chefe dos calvinistas havia sido marcado com a flor de lis, o mesmo Wittakers, antagonista do P. Campiano, longe de negá-lo, respondeu-lhe com uma indigna e insultuosa comparação, dizendo que, se Calvino havia sido estigmatizado, também o foram São Paulo e outros muitos [3].

Calvino, sendo obrigado a sair da França, foi para a Alemanha, e em Basileia foi apresentado por Martin Butzer a Erasmo, o qual, depois de haver tido com ele, disse a Butzer: “Vejo levantar-se uma grande peste na Igreja contra a Igreja” (Video magnani pestem oriri in Ecclesia contra Ecclesiam) [4].

A doutrina de Calvino sobre a Trindade causou tamanha indignação em Stancar que, apesar de ser um de seus partidários, chegou a dirigir-lhe esta apóstrofe: “Que demônio conduziu-te, oh Calvino!, a declamar como Arius contra o Filho de Deus? Não és outro que o Anticristo do Setentrião, a quem tens tido a imprudência de adorar (...) Priva-te, leitorcristão, e principalmente vós, ministros da palavra, priva-os dos livros de Calvino (...) porque contêm uma doutrina ímpia: as blasfêmias do arianismo. Parece como que o espírito de Miguel Servet [que negava a Trindade e se opunha ao batismo infantil], escapando da fogueira, passou pela transmigração platônica inteiro a Calvino” [5].


DEUS - AUTOR DE TODOS OS PECADOS

E se deste modo julgou a Calvino e escreveu sobre ele um de seus adeptos, o que não pensaram e disseram seus antagonistas, os luteranos? De fato, ensinando Calvino que Deus é o autor de todos os pecados, rebelou-se assim contra todos os partidários da Reforma.

“Esta opinião, dizem os luteranos da Alemanha, deve ser vista com horror e abominação. É uma fúria de estoicismo, fatal aos costumes, monstruoso e blasfemo”.

“Este erro calvinista, escreve Conrado Schlusselburg, é terrivelmente injurioso a Deus, e entre todos os erros, não há um que seja tão funesto para a raça humana, pois segundo esta teologia calvinista, Deus seria o mais injusto dos tiranos; e não mais o demônio, senão o próprio Deus seria o pai da mentira” [6].

Este mesmo autor, que era superintendente-chefe da Igreja luterana, nos três livros que publicou contra a teologia de Calvino [7], não fala dos calvinistas sem chamar-lhes de infiéis, ímpios, blasfemos, charlatões, hereges, incrédulos, gente cega e vertigionosa, gente sem vergonha nem pudor, turbulentos e perturbadores ministros de Satanás.

“Não somente, acrescenta Tilemann Heshusius, transformam Deus em demônio, coisa que só de pensar horroriza, mas aniquilam o mérito de Jesus Cristo até o ponto de fazerem-se dignos de serem relegados ao mais profundo do inferno”.

Não faltaram calvinistas que se opuseram a estes ensinamentos de seu Mestre. Heinrich Bullinger, entre outros, bradou da cátedra contra as abomináveis doutrinas de seu chefe, e demonstrou sua fraude com testemunhos dos Escritos dos Padres e de toda a Igreja. “Este dogma, disse, está evidentemente provado pela Escritura, ensinado desde os tempos apostólicos, a saber: que o autor do mal e a causa do pecado não é Deus, mas nossa vontade corrompida, nossa concupiscência e o diabo, que a move, a excita e a inflama”.

É justo, antes de continuar, fazer aos que ainda seguem as doutrinas de Calvino – sim, existem! –, e de certo modo extendendo-se a todos os protestantes – que, certamente, enxergar-se-ão nas palavras abaixo –, uma simples reflexão extraída da obra eruditíssima de que foi retirado o documento citado acima:


BULLINGER


Pobre Bullinger! Que responderias a certos protestantes, que não se atrevendo a defender seus mestres, dizem a seu modo: Eu não reconheço nem Padres, nem Igreja, mas somente a Escritura Sagrada, tal como me mostrou-a o Espírito Santo. A Igreja inteira, e muito menos a Igreja romana, não podem subsistir na presença da Bíblia. Pobre Bullinger! Tu caíste, como um imbecil, nas redes do tradicionalismo. Não são tão lerdos estes outros protestantes: Ao diabo, dizem, a tradição. Não admitimos mais que a Bíblia, e esta interpretada por cada um segundo o Espírito: desta forma, enfrentaremos tudo” [8].

Coletando novamente o fio dos testemunhos dos calvinistas contra seu mestre, apresenta-se o famoso Castiglione, dirigindo as seguintes palavras a Calvino: 


“Não pode ser menos falso o Deus que tarda pela misericórdia e mostra-se pronto para a cólera; o que criou a maior parte dos homens para perdê-los, e lhes predestinou não só à condenação, mas à causa mesma da condenação. Haverá este Deus, por acaso, decretado e desejado desde a eternidade que, atualmente, o pecado deva ser necessário ao homem, até o ponto que os adultérios, os roubos e os homicídios não sejam cometidos senão por instigação sua? Não se deduz outra coisa de suas doutrinas, pois, segundo elas, Deus é quem infunde nos homens afetos maus e desonestos, e os fortalece, já não por mera permissão, mas com tal eficácia, que o ímpio executa a obra de Deus e não a sua própria; e por último, ele, e não Satanás, é o pai da mentira” [9].

Porém, ao invés de Calvino negar os ensinamentos que lhe atribui aquele heresiarca, vejamos como responde às suas acusações: “Jamais homem algum levou tão longe o orgulho, a perfídia e a inumanidade. O que não te enxerga como um impostor e bufão de cínica imprudência, disposto a ladrar contra tudo o que é santo e bom, carece de sentido comum”. E termina com esta bênção, digna de um homem de sua laia: “Que o Deus Satanás te abençoe. Assim seja. Genebra, 1558”.

Não diferente é o juízo que os anglicanos daquele tempo formaram deste miserável. No ano de 1558, apareceu em Londres um escrito composto, ou ao menos aprovado, pelos bispos anglicanos contra a seita calvinista dos puritanos. Calvino e Théodore de Bèze aparecem nele como homens intolerantes e orgulhosos, que tendo-se rebelado contra seu legítimo príncipe, haviam criado seu Evangelho e pretendiam dominar a Igreja com uma tirania muito mais odiosa que a atribuída frequentemente aos romanos Pontífices. “Protestamos, acrescentavam, que entre todos os textos da Escritura citados por Calvino e seus discípulos em favor da Igreja de Genebra e contra a da Inglaterra, não há sequer um que não tenha sido vergado a um sentido contrario àquele da Igreja e dos Padres desde os tempos apostólicos; e isto de tal maneira, que se Santo Agostinho, Santo Ambrósio, São Jerônimo, São Crisóstomo, etc., voltassem à vida e vissem o modo com que é citada a Escritura pelos doutores genebrinos, admirar-se-iam de encontrar no mundo um homem de audácia tão desenfreada, que sem o mais leve ardor de verdade, abusa da palavra de Deus, de si mesmo, de seus leitores e do universo inteiro”. O citado escrito continua declarando que a impura fonte genebrina espalhou na Inglaterra uma doutrina envenenada, sediciosa e catilinária, e acrescenta: “Feliz mil vezes, feliz nossa ilha, sem que nenhum inglês nem escocês haja posto o pé em Genebra, nem tenha conhecido a um sequer destes doutores genebrinos”.
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Notas 
[1] In promptuario cathol. Sabbato Hebdom., III. Quadrag., folio 749.
[2] Vi. de J. Cal., II, fól. 126.
[3] Campian., lição III, 1531.
[4] Florim., Hist., pág. 889.
[5] Stancharus, de Mediat. in Calvin. institut., fól. 3.
[6] Conr. Schlusselb., Calv. Teol., fól. 46.
[7] Francfort, 1592.
[8] Le Ministre protest. aux preses avec lui meme. Lyon, 1836, pág. 181.
[9] In. Libr. praedest. ad Calv. 

* Traduções, adaptação linguística e conclusões por: Carlos Wolkartt
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Retrato de Calvino e de seus principais discípulos


Não faltaram em Genebra, anos após a morte de Calvino e não muito tempo distantes de nós, protestantes calvinistas que julgavam severamente Calvino e suas obras. Tal é, entre outros, o senhor Duceman, chanceler do Estado, que em 1864 publicou um opúsculo provando:

1º - Que Calvino, longe de iniciar uma era de liberdade, de paz, de fraternidade, de sabedoria e de caridade cristã em Genebra, não fez outra coisa que inaugurar e plantar no solo da república um regime civil, político e religioso, o mais selvagem e feroz, um governo delator, suspicaz, invejoso, usurpador e sanguinário, que no tempo de Calvino, e ainda muito depois, não deixou de exercer atos do mais cruel e brutal despotismo. O autor chega a esta conclusão apresentando provas com exatidão matemática, e citando milhares de homens e mulheres a quem o vingativo e impiedoso reformador mandava prender, banir, multar, matar e queimar quando tinham a desgraça de desagradá-lo no gerenciamento dos negócios ou nas controvérsias religiosas.

2º - Que Calvino, não tardando em pôr-se abertamente em contradição com o princípio fundamental do protestantismo: Não há outra autoridade na Igreja que a Bíblia, substituiu a autoridade dos bispos e a do Papa segundo sua própria vontade, arbitrária, absoluta e opressora, até o ponto que todos os negócios de ordem civil ou religiosa, e toda a pessoa, desde o mais alto escalão da república até o mais humilde pastor da aldeia, deviam submeter-se a seu férreo jugo. O autor apresenta muitíssimos fatos para provar que o grande e pequeno Conselho da República, o Consistório, a venerável Companhia, os anciãos, as leis e os tribunais tinham que curvar-se sempre à vontade do violento e impetuoso reformador.

3º - Que Calvino, em sua orgulhosa impiedade, chegou ao ponto de pretender identificar sua causa e sua vontade caprichosa com a causa e a vontade de Deus, afirmando que Deus quer o que quer Calvino.

4º - Que Calvino, à custa de infrações, punições e sentenças de morte, conseguiu aniquilar o partido nacional de Genebra e se tornar juiz da situação, exercendo o poder por meio de estrangeiros vindos de todas as partes para porem-se cegamente a seu serviço.

5º - Que os pregadores chamados e autorizados por Calvino, e até o próprio Calvino, que juntamente com seus falsos profetas não cessavam de declamar contra a imortalidade e os abusos do clero romano, tiveram desde os princípios da Reforma costumes tão depravados, que causariam repugnância à plebe das mais licenciosas cidades. Daqui o provérbio de que ninguém se converte ao protestantismo para tornar-se melhor.

E de fato, não se podia esperar outros frutos de uma doutrina que sustenta: Que as boas obras são inúteis; que é impossível a virtude cristã e meritória; que o homem carece do livre arbítrio; que obra o mal por necessidade; que está fatalmente predestinado ao inferno, sem consideração às suas obras boas ou más, etc., etc.

6º - Que as declamações de Calvino e de seus partidários tiveram por efeito imediato precipitar a Genebra em um abismo tão profundo de desregramento e confusão, que os ódios, as vinganças, as sedições e todo o gênero de revoltas tornaram-se comuns no país.

Tais são, em resumo, as consequências que deduz este autor protestante na obra que publicou por ocasião do aniversário da morte de Calvino.

A estes acontecimentos biográficos, que muitos protestantes contemporâneos e adeptos a Calvino nos deixaram, acrescentamos um fato notabilíssimo concernente aos seus milagres, contado por seus próprios partidários [1]. Provocado e impelido pelos católicos a provar sua missão por meio de milagres, como fizeram os apóstolos, Calvino resolveu responder imprudentemente a este desafio tentando ressuscitar um morto. Um homem chamado Bruleus, que havia abandonado seu país natal para estabelecer-se em Genebra e que, encontrando-se em grande miséria, desejava conciliar-se à benevolência de Calvino e obter por este meio algumas das esmolas que o reformador distribuía, proporcionou uma ocasião propícia para que o prodigioso milagre fosse realizado. Calvino, desde então, prometeu-lhe ajuda, sob a condição de que ele e sua mulher se submetessem a servi-lo de instrumento em um assunto que exigia demasiada prudência e confiança.

Bruleus, vendo-se obrigado pela miséria, não havendo outra saída, aceitou estas condições, e para agradar o reformador, teve de fingir-se enfermo. Os ministros lhe encomendaram às orações e à caridade dos fiéis, porém a enfermidade foi-se agravando, e Bruleus desempenhou maravilhosamente seu papel, fingindo-se de morto. Avisado sigilosamente, Calvino saiu com o pretexto de ir passear, acompanhado de um grande número de amigos, que seriam as testemunhas do milagre. Dirigiu-se então, aparentemente de forma casual, até o local onde jazia o fingido defunto.

Os gritos e lamentos de uma mulher, que com o maior desespero arrancava os cabelos, chamou a atenção de Calvino, que lhe dirige algumas palavras e depois caminha com ela à casa, onde encontra Bruleus fingindo-se de morto. Calvino, com todo o seu séquito, cai de joelhos ante o leito de morte. Roga a Deus em voz alta que se digne fazer ostentação de seu poder, devolvendo a vida àquele homem, e que manifestasse sua glória aos olhos de todo o povo, provando com este prodígio a missão de reformar sua Igreja, que havia confiado a Calvino.

Concluída a oração, levanta-se o pretendido taumaturgo com ar majestoso, aproxima-se do morto e, tomando uma de suas mãos, lhe ordena em nome de Deus que se levante. Repete esta intimação por três vezes, elevando cada vez mais a voz; porém o morto não respondia. Sua mulher se aproxima, e lhe dá fortes sacudidas, em vão: era frio cadáver!

Foi então que a viúva começou a derramar verdadeiras lágrimas e a romper-se em lamentos não fingidos, lançando contra Calvino uma torrente de maldições, e narrando publicamente a miserável farsa que havia tentado representar.

Os covardes aduladores de Calvino, acrescenta Duceman, negam ousadamente este fato, que já está, contudo, suficientemente provado, pois, independente de muitas outras razões, a confissão das testemunhas que o presenciaram, e sobretudo da própria mulher que teve um papel ativo nele, não deixa brecha a nenhum tipo de dúvida.

Eis aí os milagres que os hereges realizam, como já em tempos atrás observava Tertuliano escrevendo a este propósito: “Volo igitur et virtutes eorum proferri. Nisi quod agnosco máximam virtutem eorum qua apostolos in perversum aemulantur. llli enim de mortuis vivos faciebant, hi de vivis mortuos faciunt”. (É preciso dizer algo sobre os prodígios obrados por eles [pelos hereges]. Conheço a grande virtude da qual se dizem dotados, e na qual se esforçam para imitar os apóstolos, enquanto fazem todo o contrário, pois estes davam vida aos mortos; mas eles dão morte aos vivos) [2]. Tão verdadeiras são estas palavras, que os hereges de todos os tempos são sempre os mesmos.

Permita-me, com paciência (!), insistir e acrescentar algo mais sobre Calvino. Posto que tantas condolências inspiraram muitos dos sectários da Reforma – e inspiram até hoje! –, não podemos nem devemos omitir o término de sua carreira mortal, conforme nos narra seu discípulo Giovanni Harem, testemunha ocular: “Calvino, disse, entregando-se ao desespero nos últimos dias de sua vida, morreu devorado pelos vermes e consumido por uma dessas ignominiosas e repugnantes enfermidades com que Deus geralmente castiga aos que se rebelam contra ele. Ao expressar-me deste modo, tenho a segurança de que nada pode desmentir-me, pois eu estava presente e vi com meus próprios olhos seu trágico e funesto fim”.

Eis aqui as palavras originais deste escrito:

“Calvinus in desperatione finiens vitam obiit turpissimo et faedissimo morbo, quem Deus rebellibus comminatus est, prius excrutiatus et consumptus. Quod ego verissime attestari audeo, qui funestum et tragicum illius exitum his meis oculis praesens aspexi” [3].

Não menos sombrias são as cores com que Conrado Schlusselburg retrata esta morte desastrosa: “Deus, disse, até neste mundo manifestou seu juízo sobre Calvino, visitando-o com a vara de seu furor e castigando-o com terrível rigor na hora de sua funesta morte, pois lhe feriu com sua mão poderosa de tal modo, que desesperando este herege de sua própria salvação, invocando aos demônios, jurando, maldizendo e blasfemando, exalou miseravelmente seu espírito maligno. Enquanto isso, manavam asquerosos vermes de uma apostema ou úlcera tão hedionda, que nenhum dos presentes podia suportar seu fedor”.

Eis aqui, também, as palavras originais deste escrito:

“Deus etiam in hoc saecuIo judicium suum in Calvinum patefecit, quem in virga furoris visitavit atque horribiliter punivit ante mortis infelicis horam. Deus enin manu sua potenti adeo hunc haereticum percussit, ut, desperata salute, daemonibus invocatis, jurans, execrans et blasphemans, misserrime animam malignam exhalavit. Vermibus circa pudenda in aposthemate seu ulcere faestissimo crescentibus, ita ut nullus assistentium factorem amplius ferre posset” [4].

Este artigo jamais terminará se continuarmos falando de Calvino. Digamos, portanto, alguma coisa de seu discípulo favorito, Théodore de Bèze, sem recorrermos a testemunhos de escritos católicos, mas dos próprios protestantes.

THEODORE DE BÈZE

Perguntam os luteranos: por que causa Bèze não disse uma só palavra em sua Vie de Jean Calvin das flores de lis com que foi marcado ou selado seu herói? Ao qual respondem, que havendo merecido o panegirista (Bèze) ser marcado com o mesmo selo pelo mesmo delito e pela mesma heresia de seu mestre, tinha, portanto, infamado a si mesmo.

Daqui a aversão dos calvinistas pela flor de lis, até o ponto de suprimi-la em todas as pinturas, de arrancá-la da terra em que brota e de não desejá-la crescer em seus jardins [5].

Eis aqui, ademais, o retrato deste panegirista de Calvino e herdeiro de sua supremacia em Genebra, deixado pelo luterano Tilemann Heshusius: “Quem não se admira da incrível audácia deste monstro, cuja vida vergonhosa e infame é conhecida em toda a França por seus epigramas obscenos e cínicos? No entanto, ao ouvi-lo, crerias que era um santo, um Jó, um dos anacoretas do deserto, e mais digno que São Paulo ou São João. Tanto é que se esforça em proclamar por todas as partes a historieta de seu exílio, de seus trabalhos, de sua pureza e da admirável santidade de sua vida, como aqueles de quem dizia Juvenal [Decimus Iunius Iuvenalis]: Qui curios simulant, et bacchanalia vivunt” [6].

“Bèze, dizia outro escritor, é o protótipo daqueles homens ignorantes e grosseiros, que, na falta de razões e argumentos, recorrem às injúrias, ou daqueles hereges que não têm outro meio de defesa que os insultos... Este homem imundo, com todo artifício e impiedade, escreve suas satíricas blasfêmias nada mais nada menos como se fosse um demônio encarnado”.

O mesmo autor acrescenta que, depois de haver dedicado vinte e oito anos a ler mais de duzentas e vinte publicações calvinistas, em nenhuma encontrou tantas injúrias e blasfêmias como nos escritos desta fera... e que se alguém o pusesse em dúvida, bastava apresentar seus famosos diálogos contra o doutor Heshusius, os quais não parecem escritos por um homem, mas pelo próprio Belzebu em pessoa.

“Eu ficaria horrorizado, continua, em descrever as obscenas blasfêmias que este ser impuro e ateu vomitou, com uma mistura nauseante de impiedade e de bufonearia, contra um dos assuntos mais dignos de veneração. Sem dúvida, havia mergulhado sua pluma [objeto usado para escrever] na tinta do inferno”.

Alguém dirá, talvez, que os luteranos não merecem crédito por serem eles antagonistas dos huguenotes (calvinistas). No entanto, não dissemos coisa alguma que não é atestada pelos próprios calvinistas. Estes exaltavam Bèze como escritor garboso e elegante; porém, quanto a seus costumes, o apresentavam como um dos homens mais malvados de seu tempo: libertino, ímpio e profanador das coisas mais santas, que zomba delas com escárnio, atitude própria de um ateu; cruel e sanguinário, está sempre disposto a inspirar os mais negros e execráveis atentados; impudente e dissoluto, está submergido na lama das mais degradantes paixões, como aparece em Les Juvenilia, e principalmente naquele epigrama em que, aludindo à sua favorita Candida e à sua amante, tem o cinismo não só de acusar-se, mas até de vangloriar-se do mais abominável delito.

Para driblar as pesquisas do Parlamento e escapar da fogueira, vendeu o priorado de que foi investido, e outro pequeno benefício que possuía por resignação de seu tio Nicolas de Bèze, e fugiu para Genebra em companhia de sua Candida, que não era outra que uma mulher de um alfaiate de Paris, chamada Claudia, e que, a pedido de Bèze, casou-se com ele vivendo ainda com seu esposo.

E deste modo iniciou sua reforma: com um ADULTÉRIO PERMANENTE, que o fazia digno de morte, segundo todas as leis divinas e humanas [7].

PHILIPP MELANCHTHON

Com pouco a ser dito de Philipp Melanchthon, façamos seu breve retrato. Luterano primeiro, depois zwingliano e mais tarde, calvinista; perplexo e vacilante exteriormente, porém sempre incrédulo em seu coração, era conhecido vulgarmente pelo apelido de Veleta da Alemanha. Devido a esta perpétua inconstância, seus próprios partidários lhe recusaram as honras do funeral, e foi-lhe aplicado oportunamente este verso: Nunc me Ponthus habet, jactantque in littora vente [8].

Acesse o Artigo Original
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Notas

[1] Bolsec, Mem. hist. vit. Calv. – Lindanus, In Jubitat. – Alanus, Corpus, lib. VII, dialog.
[2] De praescript. haeret., cap. XXX.
[3] Giovanni Haren, segundo Pietro Cutzenio.
[4] Conr. Schlusselb. in Theol. Calv., lib. II, fól. 72.
[5] Ibid.
[6] Heshusius, vers. Florim., fól. 1048.
[7] Bolsec, Vit. Théod. Bèze.
[8] Le Ministre ecc., fól. 191.

* Traduções, adaptação linguística e conclusões por: Carlos Wolkartt

 
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