quinta-feira, 29 de março de 2012

SBB PUBLICA A SEPTUAGINTA E ACABA A MENTIRA PROTESTANTE



Por Fernando Nascimento

Era praxe no meio protestante, sacarem do seu paiol de mentiras estratégicas a afirmação que: “a Igreja Católica colocou sete livros na bíblia em 1546, no concílio de Trento, para em seguida bradarem chamando tais livros de “apócrifos”, 'espúrios', "escondidos', 'secretos', 'obscuros'", com mera intenção de completar a diabólica mentira contra a Igreja.

Recentemente a SBB – Sociedade Bíblica do Brasil, que publica as bíblias protestantes no Brasil, acabou com mais de 450 anos de mentira protestante, quando para a surpresa de todos, publicou a Septuaginta, ou seja, uma bíblia que reúne os livros do Velho testamento usada pelos apóstolos de Jesus e que contém os sete livros que eles, os protestantes, alegavam que a Igreja Católica havia “acrescentado”.

De sorriso amarelo, a SBB publicou o seguinte texto confuso que promovia a obra:

“Septuaginta (ou Tradução dos Setenta)

Esta foi a primeira tradução. Realizada por 70 sábios, ela contém sete livros que não fazem parte da coleção hebraica, pois não estavam incluídos quando o cânon (ou lista oficial) do Antigo Testamento foi estabelecido por exegetas israelitas no final do Século I d.C.

A igreja primitiva geralmente incluía tais livros em sua Bíblia. Eles são chamados apócrifos ou deuterocanônicos e encontram-se presentes nas Bíblias de algumas igrejas.

Esta tradução do Antigo Testamento foi utilizada em sinagogas de todas as regiões do Mediterrâneo e representou um instrumento fundamental nos esforços empreendidos pelos primeiros discípulos de Jesus na propagação dos ensinamentos de Deus.”


Vamos por partes, fazer as devidas correções no despistador texto da SBB:

1- Diz a SBB: “Esta foi a primeira tradução. Realizada por 70 sábios, ela contém sete livros que não fazem parte da coleção hebraica, pois não estavam incluídos quando o cânon (ou lista oficial) do Antigo Testamento foi estabelecido por exegetas israelitas no final do Século I d.C.”

Correção: os sete livros não fazem parte da coleção hebraica, porque essa tal “coleção hebraica” é posterior a coleção cristã, é do final do primeiro século e foi feita pelos judeus que perseguiram Jesus e queriam extirpar os livros cristãos do meio judaico. Confirmando isso diz a SBB em vergonhosa contradição: ” A igreja primitiva geralmente incluía tais livros em sua Bíblia”. Detalhe: a “Igreja primitiva” é a Igreja de Jesus, a mesma e milenar Igreja Católica.

2- Diz a SBB: “Eles são chamados apócrifos ou deuterocanônicos e encontram-se presentes nas Bíblias de algumas igrejas.”

Correção: os sete livros são chamados “apócrifos” pelos inimigos de Cristo que os arrancaram de seu cânon judaico, feito só no final do primeiro século. Deram-lhes malandramente o nome de “apócrifos” para desclassificá-los e os protestantes engoliram e se acomunaram aos escarnecedores de Jesus.

"Apócrifos" sempre significou: [escritos de assunto sagrado não incluídos pela Igreja no Cânon das Escrituras autênticas e divinamente inspiradas,] (Dicionário Enciclopédia. Encarta 99).

Ou seja, “apócrifos” são os livros que ficaram fora do Cânon da Igreja, e os que estão na Septuaginta, estão sim no Cânon da Igreja, e a SBB provou isso dizendo: ”A igreja primitiva geralmente incluía tais livros em sua Bíblia”.

3- Diz a SBB: "Esta tradução do Antigo Testamento foi utilizada em sinagogas de todas as regiões do Mediterrâneo e representou um instrumento fundamental nos esforços empreendidos pelos primeiros discípulos de Jesus na propagação dos ensinamentos de Deus.”

Ou seja: a SBB está simplesmente confessando que a Septuaginta, que é o velho Testamento da bíblia católica “foi utilizada em sinagogas de todas as regiões do Mediterrâneo e representou um instrumento fundamental nos esforços empreendidos pelos primeiros discípulos de Jesus na propagação dos ensinamentos de Deus.”

Isso explica o porquê de tais livros já se encontrarem, inclusive, na Bíblia de Gutemberg, impressa cerca de 100 anos antes da Reforma Protestante.

A Bíblia de Gutemberg pode ser acessada e integralmente consultada na Biblioteca Britânica, neste link.

Lutero traduziu para o alemão os livros deuterocanônicos. Na sua edição alemã datada de l534 o catálogo é o mesmo dos católicos. A sociedade Bíblica protestante até o sec. XIX incluíam os deuterocanônicos em suas edições da Bíblia.

Depois disso os excluiu, e para justificar essa grave blasfêmia, criaram um mar de calúnias contra a Igreja Católica. Até hoje os protestantes costumavam levianamente pregar uma justificativa mentirosa para cada livro que arrancaram.

Logo, o que o protestantismo usa não é a bíblia, mas o cânon farisaico do Velho Testamento, junto ao cânon católico do Novo Testamento. Logo o que o protestantismo prega não é a verdade, mas a Mentira, esse instrumento do Diabo.

“Vós tendes por pai o Diabo, e quereis satisfazer os desejos de vosso pai; ele é homicida desde o princípio, e nunca se firmou na verdade, porque nele não há verdade; quando ele profere mentira, fala do que lhe é próprio; porque é mentiroso, e pai da mentira”. (Jo 8,44).

terça-feira, 13 de março de 2012

DETONANDO A TEOLOGIA DA PROSPERIDADE

A Herética Teologia da Prosperidade

“O mundo está em perigo justamente por causa da ganância e este mal é legitimado pela teologia da prosperidade”. 

Stanley Hauerwas - Teólogo americano.


A herética teologia da prosperidade está desmoralizada e detonada pela atual crise econômica mundial, e ironicamente onde ela nasceu: os Estados Unidos, e foi neste país onde também se originou essa terrível crise.

Essek W. Kenyon (1867-1948) foi o pensador americano na dimensão cristã do poder da confissão positiva da fé. Ele foi metodista, batista e depois um pregador pentecostal itinerante.

Podemos afirmar que o verdadeiro pai da teologia da prosperidade é outro pregador americano Kenneth E. Hagin (1917-2003). Ele foi batista e depois pentecostal. Após três visitas ao inferno e ao céu, converteu-se a Jesus. Sua meditação em Marcos 11,23.24, chegou à conclusão de que era necessário crer, determinar verbalmente a fé e agir como se já tivesse posse da bênção, ou seja, “creia no seu coração, determine com as suas palavras e receba a bênção”.

A bênção, a cura, milagre e a prosperidade têm como fundamento a “confissão positiva da fé com a devida determinação”. Focalizar, visualizar o bem que deseja receber e determinar como filho de Deus de que você tem direito na bênção de Abraão, em Isaías 53 e em Filipenses 4,13. Esse era o entendimento de Hagin, fez disso o seu ministério e a árvore de seus escritos, não precisa afirmar que a sua raiz foi completa e profundamente herética.

A POBREZA AMERICANA

Nos Estados Unidos, os sociólogos estão estudando um grupo ao qual aplicam o termo “quase pobres”. O risco de essas pessoas ficarem pobres é grande. Mais de 50 milhões de indivíduos estão nessa situação, apesar da grande riqueza do país.

Há 2,3 milhões de pessoas presas nos Estados Unidos e a população carcerária quadruplicou desde 1980. Há uma taxa de 750 presos por cem mil habitantes, a mais alta do mundo (1).

36,5 milhões de seus cidadãos vivem abaixo da linha da pobreza, segundo o Departamento de Saúde e Serviços Humanos. A eles, poderão se juntar outros 10,3 milhões de novos empobrecidos nos próximos meses.

17% das crianças vivem na pobreza: destas, 2 milhões, em extrema miséria.

O food stamps, programa federal que distribui às famílias um carnê, utilizado para a aquisição de bens de primeira necessidade, atende 29 milhões de pessoas.

São 45,7 milhões os norte-americanos sem assistência médica.

Em novembro de 2008, o percentual de desocupados era de 6,7 da população, a mais alta taxa dos últimos 14 anos.

Cresceu entre 35 e 40% a afluência dos pobres aos bancos alimentares, segundo a America’s Second Harvest. As doações, porém, aumentaram apenas 18%. (2).

DETONANDO A TEOLOGIA DA PROSPERIDADE

A teologia da prosperidade é a base doutrinária das igrejas neo pentecostais. Ela gera literaturas “ditas cristãs” de auto-ajuda, confissão positiva, batalha espiritual, determinação da bênção, quarta dimensão, sacrifícios por meios de dízimos e ofertas (fogueira de Israel), encontros de células e G12 da onda apostólica.

É fácil identificar as igrejas neo pentecostais pelo seu triunfalismo exacerbado, liderança centralizadora e autoritária, seus líderes tem idolatria pela mídia, pregam demasiadamente a total saúde e riqueza, falam demais nos demônios como causadores de todas as desgraças e misérias, atacam vergonhosamente a Igreja Católica e em cima da boa fé dos fiéis constroem seu poderoso império religioso e financeiro.

Certo missionário neo pentecostal disse pregando: Quando acreditamos na Palavra de Deus, ganhamos o poder de expulsar de nós e de nossos familiares os demônios do desemprego, da separação de casais, dos vícios, da prostituição e de tudo que é mal. A partir daí, todos os males vão embora, a pessoa prospera e tem vida em abundância. (3).

Os fatos a seguir provam que esse pregador mente e todos aqueles que ensinam a teologia da prosperidade e seus congêneres.

1. A FAO divulgou as novas estimativas sobre a fome no mundo: 2008 deverá terminar com 963 milhões de subnutridos, 40 milhões a mais que em 2007 (4).

2. Diante da perspectiva de 50 milhões de novos desempregados até 2010, segundo estimativas da Organização Internacional do Trabalho (OIT). (5) O Fundo Monetário Internacional (FMI) informou ontem que a crise econômica mundial vai afetar mais profundamente as economias, reduzindo o crescimento e fazendo o Produto Interno Bruto (PIB, soma de bens e serviços produzidos em um país) global encolher 1,3% – o mesmo percentual de retração previsto para o Brasil. Em janeiro, o FMI ainda estimava que a economia brasileira cresceria 1,8% este ano. Para 2010, o organismo prevê que o Brasil crescerá 2,2%, contra os 3,5% estimados anteriormente. A queda da economia mundial será a maior desde a Segunda Guerra Mundial, com recessão atingido 75% das economias do planeta, segundo o estudo “Perspectivas para a economia mundial”, divulgado ontem. Os países da América Latina, como um todo, vão encolher 1,5% afetados, principalmente, pela queda nos preços internacionais das matérias-primas exportadas pela região. (O Globo, 23/04/09, p.17).

Neste caso, o escândalo localiza-se na Índia, uma
das maiores potências econômicas emergentes.
F3. Nas últimas duas décadas, o número de favelados dobrou na Índia. Um relatório das Nações Unidas estima que daqui a 20 anos metade da população estará em favelas, com o aumento do fluxo migratório do campo para a cidade. Um quarto dos indianos esta abaixo da linha da miséria, sobrevivendo com menos de US$ 1 por dia (6).
Dados do Instituto Municipal Pereira Passos (IPP) concluiu que o Rio de Janeiro ganhou mais 218 novas favelas. Elas são agora 968, contra 750 registradas em 2004, ano do último levantamento do Instituto (7).

O americano Ronald J. Sider, professor de teologia e de políticas públicas, colaborador da Cristianity Today e autor do livro “O Escândalo do Comportamento Evangélico”, escreve: “Nos Estados Unidos o divórcio é mais comum entre crentes ‘nascidos de novos [que se dizem realmente convertido] do que entre a população em geral” (8).

Em 1999, uma pesquisa revelou o comportamento sexual dos casais evangélicos brasileiros. 56,9% informaram que praticavam regularmente sexo oral com o cônjuge e 15,5% praticam sexo anal regularmente com o cônjuge e 39,6% nunca o praticaram, mas gostaria de fazê-lo (9).

4. De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), em qualquer época, mais de 150 milhões de pessoas sofrem de depressão, cerca de 25 milhões sofrem de esquizofrenia, e 38 milhões de epilepsia. No Brasil, nos primeiros anos do século XXI 17 milhões de pessoas foram diagnosticadas como depressivas, “com o apoio desses dados e estatísticas, considerando a hipótese de que a depressão poderia estar se tornando um sintoma social no século XXI, diz a doutora em psicanálise pela PUC de São Paulo, Maria Rita Kehl (10).

De acordo com a (OMS), até hoje, cerca de 60 milhões de pessoas foram infectadas com o HIV, e cerca de 20 milhões morreram de AIDS. A vasta maioria das vítimas do HIV não tem acesso a tratamento adequado.

5. O número de divórcios no Brasil bateu recorde em 2007, quando a figura legal da dissolução do matrimônio completou 30 anos no país. Foi 179.342 registros de divórcios no ano passado, um número 200% maior do que o verificado em 1984, segundo dados divulgados na pesquisa Estatística do Registro Civil 2007, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (11).

Diante de tantos problemas sociais e humanos, não são oportunistas como: magos, gurus, astrólogos, profetas, médiuns e pregadores carismáticos e pentecostais da teologia da prosperidade que vão solucionar, ao contrário, os tais ganham muito dinheiro em cima do doente, do desempregado, do desesperado, da dor e do sofrimento das pessoas?

Tais pregadores são aves de rapina com o seu falso evangelho.

São Paulo Apóstolo chama esses pregadores de lobos cruéis (Atos 20,29), cães (Fl 3,2), falsificadores da Palavra de Deus (2 Cor 2,17), corruptos (2 Tm 3,1-8), apóstolos de Satanás (2Cor 11,13-15) e de hereges (Tito 3,10.11), porque eles pregam outro Jesus, outro espírito e outro evangelho (2 Cor 11,4).

Igrejas sérias com pastores sérios sofrem constrangimentos por causa desses fraudulentos mercadejantes do enganoso evangelho da saúde e da riqueza.

O ilustre historiador britânico e professor de História e Religião na Penn State University, nos Estados Unidos, Philip Jenkins escreve: “Os grupos pentecostais têm o tipo de Deus capaz de solucionar meus problemas de hoje e de amanhã. As pessoas de hoje buscam soluções, e não a eternidade”.

PROBLEMAS DE SAÚDE NO EE UNIDOS
"As pessoas querem prosperidade – ou, pelo menos, a sobrevivência econômica -, mas igualmente crucial é a promessa de saúde, e a situação desesperadora da saúde pública nas novas cidades contribui muito para explicar a ênfase das novas igrejas na cura da mente e do corpo. Afora a gama geral de doenças que afetam os norte-americanos e os europeus, os pobres do terceiro Mundo também sofrem com doenças associadas à pobreza, à fome e à poluição, no que foi denominado de “sociedade patogênica”. A mortalidade infantil é assustadoramente alta, pelos padrões do Norte. 

Os ataques desses “demônios da pobreza” são ainda mais graves quando as pessoas vivem em climas tropicais, com todos os problemas provenientes das doenças e parasitas encontrados nessas regiões. Além dos males físicos, os problemas psiquiátricos e o abuso de vários tipos de drogas levam pessoas desesperadas a buscar refúgio em Deus. Tomando todas essas ameaças em conjunto – a doença, a exploração, a poluição, a bebida, as drogas e a violência – e, simples perceber por que é fácil as pessoas aceitarem a afirmação de que estão sendo acossadas por forças demoníacas e só a intervenção divina poderá salvá-las”

O professor Philip Jenkins critica com justiça esses mercenários da fé dizendo: “Em sua pior versão, um evangelho de fé voltado para o sucesso e a saúde pode promover abusos e materialismo, e é fácil escarnecer dele” (12).

CONCLUSÃO

O pregador temente ao bom Deus não prega a si próprio e nem as suas próprias ideologias contrárias ao santo Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo.

O arauto do Evangelho de Cristo não inventa, não recebe e nem passa adiante outro evangelho, pelo contrário, condena categoricamente todo evangelho espúrio.

O proclamador da Boa Nova exerce a nobre missão numa única visão: “por amor a Cristo”. Por amor a Cristo significa: “Pregar a verdade que liberta o pecador da perdição eterna e das garras dos falsos pregadores".

Para o verdadeiro pregador da gloriosa Palavra de Deus, não existe outro interesse, a não ser o amor e paixão pela salvação das almas e por amor ao nosso Eterno Redentor.

Como verdadeiro profeta de Deus, pode morrer doente (Eliseu 2 Rs 13,14), pode se tornar escravo (Daniel Dn 1,1-6), pode viver pobre (os apóstolos Mt 10,7-10; Atos 3,6; 2 Cor 11,25-28), pode ficar e viver doente (Epafrodito Fl 2,25-27; Timóteo, 1 Tm 5,23).

O mistério do espinho na carne do maior apóstolo e teólogo de todos os tempos: São Paulo (2 Cor 12,7-10).

Com todas as incompatibilidades, nada, absolutamente nada, impede ao fiel ministro de Cristo de anunciar a Boa Nova da salvação.

Há um grande poder que move o servo pregador de Deus a essa mais alta missão do mundo: “O amor a Cristo Jesus, Nosso Senhor e Salvador".

Como é magnífico viver para amar e executar o projeto d’Aquele que na cruz nos amou primeiro.


NOTAS

(1) O Globo, 21/09/2008, p.31.
(2) Mundo e Missão, Março de 2009, p.17.
(3) Jornal Show da Fé, nº 32, pp. 12 e 19.
(4) Valor, sexta-feira e fim de semana, 2,3 e 4 de janeiro de 2009, p.A10.
(5) O Globo, 19/04/2009, p.25.
(6) O Globo, 01/03/2009, p.37.
(7) O Globo, 11/01/2009, p.14.
(8) Ultimato, Março-Abril, 2007, PP. 64 e 65.
(9) Jornal Hoje, Março, 1999, p.6.
(10) Valor, sexta-feira e fim de semana, 3,4 e 5 de Abril de 2009, p.17.
(11) Jornal do Brasil, 05/12/2008, p.A5.
(12) JENKINS, Philip. A Próxima Cristandade, Rio de janeiro: Record, 2004, p.112.

Eclésia, Setembro de 2002, p.51.
Fonte: A Herética Teologia da Prosperidade

Fonte:

http://igrejareformacivilizacao.blogspot.com/2012/03/detonando-teologia-da-prosperidade.html




Autor: Pe. Inácio Jose do ValePároco da Paróquia São Paulo Apóstolo - Professor de História da Igreja - Faculdade de Teologia de Volta Redonda
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VOCÊ ACREDITA NA IGREJA?

Índice Geral

Você acredita na Igreja ?
por Dom Redovino Rizzardo

No final de fevereiro de 2012, a Fundação Getúlio Vargas divulgou uma pesquisa indicando o índice de credibilidade dos brasileiros em algumas instituições do país. A coleta de dados ocorreu em vários Estados, entre os meses de outubro de dezembro de 2011. Foram ouvidas 1550 pessoas.

As Forças Armadas são a instituição mais confiável aos olhos da população, com 72% na preferência dos entrevistados. Em segundo lugar, ficou a Igreja Católica, com 58% e, em terceiro, o Ministério Público, com 51%. O Poder Judiciário despencou para a sexta posição, atrás das grandes empresas e da imprensa escrita. A rabeira do ranking, como há anos acontece, é ocupada pelos partidos políticos e pelo Congresso Nacional.

A partir da pesquisa, Dom Luiz Gonzaga Bergonzini, bispo emérito de Guarulhos, teceu algumas considerações. Nos primeiros meses de 2010, a Igreja Católica não ia além do sétimo lugar, com 34% da preferência nacional – provavelmente devido aos crimes de pedofilia cometidos por alguns sacerdotes. Mas, poucos meses depois, após os debates sobre o aborto que precederam as eleições de outubro, ela subiu para o segundo lugar, obtendo 54% de adesão dos consultados. A variação de 20% corresponde a um acréscimo de 38 milhões de brasileiros, que voltaram a acreditar na Igreja Católica.

Comparando entre si as pesquisas de 2010 e 2011 verifica-se um aumento de 4%. «Ter 58% de confiança da população brasileira – conclui Dom Luiz – significa que 110,2 milhões de pessoas consideram a Igreja Católica confiável».

Em se falando de Igreja, porém, jamais a pesquisa consegue retratar aquilo que constitui a sua verdadeira grandeza. «O homem fica nas aparências, mas Deus olha o coração» (1Sm 16,7). Talvez seja por isso que Deus não aprovou o censo de Israel decretado por Davi (Cf. 2Sm 24): não poucas vezes, o que os números revelam é a tentação do poder. O crescimento da Igreja acontece a partir da conversão interior e se concretiza na construção do Reino de Deus, que é «justiça, paz e alegria no Espírito Santo» (Rm 14,17).

Para levar adiante essa missão, a Igreja conta com a proteção e a presença de Jesus que, depois de denominá-la carinhosamente “a minha Igreja”, garantiu que as forças do mal jamais conseguirão destruí-la (Cf. Mt 16,18), apesar de ser formada por pessoas falíveis e pecadoras. O jornalista Peter Seewald no livro-entrevista que escreveu sobre Bento XVI, em 2010, lembra que, na via-sacra que pregou em Roma poucos dias antes de ser eleito Papa, o então Cardeal Ratzinger não hesitou em admitir: «Quantas vezes celebramos somente a nós mesmos, sem nos dar conta de Cristo! Quantas vezes a sua Palavra é distorcida e desonrada! Quanta sujeira existe na Igreja, e precisamente entre aqueles que, no sacerdócio, deveriam pertencer somente a Deus!».

Em seguida, respondendo a uma pergunta do repórter, o Papa continuou: «O mal fará sempre parte da Igreja. Aliás, se se considera tudo o que os homens – e o clero – fizeram na Igreja, isso se transforma numa prova a mais de que é Cristo que sustenta e que fundou a Igreja. Se dependesse somente dos homens, ela já teria afundado há muito tempo!».

Por fazerem parte de uma humanidade sempre inclinada ao pecado – mas sempre amada por Deus – os cristãos precisam viver em estado permanente de conversão: «Uma experiência que atravessa os séculos é que, pelo pecado original – explica o Pontífice – o homem é seguidamente tentado pelo paganismo. Ele volta a ser pagão, na acepção mais profunda do termo, toda vez que quer ser autônomo e independente. Mas, ao mesmo tempo, sempre de novo resplandece nele a presença divina. Esta é a luta que atravessa a história».

Apesar de tudo, Bento XVI – e a maior parte da população brasileira – agradecem a Deus porque a Igreja existe: «Não se pode perder de vista todo o bem que acontece graças à Igreja Católica; levar em conta quantas pessoas são apoiadas no sofrimento, quantos enfermos e quantas crianças recebem assistência, quanta ajuda é oferecida. Penso que, se devemos dolorosamente admitir a existência do mal na Igreja Católica, também devemos tornar visível toda a luz irradiada por ela e ser-lhe agradecidos. Se ela deixasse de existir, setores inteiros de vida entrariam em colapso».

Dom Redovino Rizzardo
Bispo de Dourados
Fonte: www.domluizbergonzini.com.br

Índice Geral 

sábado, 10 de março de 2012

O CÂNON BÍBLICO


Nem todos os judeus no começo da era cristã respeitavam o cânon corrente nos dias atuais. Havia dois cânones entre os judeus naquele tempo: o palestino e o de Alexandria ; além do Talmude da Palestina e do Talmude da Babilônia. O cânon de Jâmnia transformou-se no conjunto de textos-sagrados dominantes entre os judeus; muitos judeus aceitaram o cânon de Jâmnia. Os judeus da Etiópia, por exemplo, seguem um cânon idêntico ao Antigo Testamento católico, incluindo os sete livros deuterocanônicos. Esse mesmo Concilio de Jâmnia que rejeitou os deuterocanônicos rejeitou também os evangelhos e os demais textos do Novo Testamento. Jâmnia é uma cidade localizada ao sul de Jafa , na fronteira de Judá . Foi nessa cidade que os judeus da Palestina estabeleceram os critérios para a constituição de seu Cânon das Sagradas Escrituras. A Igreja Católica, portanto, não considerou as decisões de Jâmnia, porque um concílio posterior a Cristo não tem autoridade sobre os cristãos. Jâmnia definia que só seriam válidos os textos escritos na Terra Santa, segundo a lei de Deus e até o tempo de Esdras.


Índice Geral


REBELIÃO PROTESTANTE

A Reforma protestante retomou o Cânon de Jâmnia para o Antigo Testamento, principalmente porque estes textos afirmavam a importância da oração pelos mortos e a sobrevivência da alma após a morte .



Os primeiros cristãos aceitaram, portanto, os livros que se encontravam na Septuaginta (Tradução em grego das Sagradas Escrituras feita por judeus que viviam no Egito).



Jâmnia rejeitou livros usados por Cristo e pelos apóstolos o que é inaceitável! Os deuterocanônicos são citados dezenas de vezes no Antigo Testamento e no Novo Testamento .



O Cânon do Novo Testamento , por seu turno , foi definido no I Concilio de Nicéia . Os deuterocanônicos foram confirmados nos concilios de Hipona (393) , Cartago (397 e 419) , Concílio Florentino (1441) e Concílio de Trento (1546).



Os anglicanos e os ortodoxos aceitam os chamados livros deuterocanônicos


Os livros deuterocanônicos estão sobrando ou faltando na Bíblia?

Um dos temas que muitas vezes chega a sair discussão entre as pessoas da fé católica e de outras denominações é a alegação de que estaria sobrando livros na Bíblia Católica na qual eles chamam de “apócrifos”. Afinal nossos “deuterocanônicos” estão sobrando ou faltando livros? Neste simples estudo iremos expor as respostas adequadas a esta dúvida.Inicialmente a palavra “Apócrifo” é mal utilizada com relação a estes livros já que a palavra apócrifo provém do grego άπόκρυφος apokryphos, “oculto” e são aplicados aos livros que a Igreja retirou no Concílio de Cartago quando se formou o cânon das Escrituras tal como conhecemos hoje. Os sete livros que estão na Bíblia Católica não são apócrifos, são chamados de “Deuterocanônicos” mesmo que o termo descreva com pouca propriedades estes livros, eles são chamados Deuterocanônicos porque não estão no cânon judeu da Palestina, nos aprofundaremos mais neste assunto a seguir. Mas, quais são estes livros?

Livro de Tobias

Livro de Judite

Complementações em grego do Livro de Ester

Complementações em grego do Livro de Daniel

Primeiro livro dos Macabeus
Segundo livro dos Macabeus
Livro da Sabedoria
Sirácides ou Eclesiástico
Livro de Baruc

Qual é a origem destes livros? Analisando um pouco da História devemos levar em consideração que os Judeus NÃO possuíam livros e sim rolos e para eles os escritos fundamentais em sua leitura e estudos era o Tora, ou seja, os cinco primeiros livros, assim como é até os dias de hoje.Os judeus também não possuíam uma compilação dos outros livros santos, além disso, dentro do Judaísmo não existia um Cânon Escritural, existia sim uma grande disputa sobre qual seria o cânon correto.

O movimento religioso dos Saduceus sustentava que somente o Pentateuco fazia parte do Cânon das Escrituras enquanto que outros grupos consideravam também as Escrituras dos Nevi’im (Profetas) e a Hagiographa (Livros históricos e didáticos).

A Primeira tentativa de se reunir todos os livros inspirados foi no Século II ANTES de Cristo na cidade de Alexandria.


O nome dos Setenta se deve a uma tradição judaica, transmitida na Epístola de Aristeas que atribui sua tradução a 72 sábios judeus (seis de cada tribo) em 72 dias. Esta tradição tem sua origem na Gematria, uma técnica exegética que dá valores interpretativas aos nomes onde o 7 equivale a perfeição. É denominado também como Alexandrina por ter sido feita em Alexandria e ser usada pelos judeus de língua grega no lugar do texto hebraico. É a principal versão grega por sua antiguidade e autoridade. Sua redação se iniciou no Século III aC (ano de 250 aC) e foi concluída no final do século II antes de Cristo (ano 150 aC).

Esta versão gozou de grande popularidade em todo o mundo judeu por ser a Primeira Grande Compilação das Escrituras e por ser escrita em Grego, idioma universal do mundo da época, mais de trezentas citações das Epístolas de São Paulo e citações do Antigo Testamento são tiradas desta versão o que indica que foi utilizada pelos Apóstolos e a Igreja Primitiva.

Até o momento já vimos três bases:

a) Os Judeus NÃO tinham um Cânon Escritural como nós, tinham como canônicas somente o Tora, os demais livros inspirados NÃO estavam definidos canônicamente.

b) A primeira tentativa de compilação foi feita em Alexandria no Século III antes de Cristo e esta versão JAMAIS foi questionada ou recusada pelo Templo.

c) Esta era a versão mais conhecida e utilizada no tempo de Jesus e no tempo Apostólico.

Esta era a situação Escritural na época de Jesus: nas Sinagogas se lia os Rolos da Lei e para o estudo individual era utilizado a Versão dos Setenta. Depois do Pentecostes a situação não mudou muito e a Igreja nascente seguiu utilizando em seus cultos e em seus ensinamentos a versão dos Setenta junto dos Escritos Apostólicos (ainda sem definição canônica). Até o ano 70 e depois da destruição de Jerusalém, o Sinédrio junto com o grupo dos Fariseus (que consideravam um cânon formado pela Lei, os Profetas e as Escrituras) continuou insistindo e trabalhando em um cânon definitivo já que tinham à sua frente à chamada “Seita Cristã” com seus livros judeus e suas novas Escrituras.

Yavne, Iamnia, Yibna, Ibelin 
Assim, no ano de 90 dC o Sinédrio estabelecido em Yamnia finalmente formou um cânon judeu e teve três regras para sua formação:

1) Deveria haver uma cópia do livro em questão que indicasse que foi escrito antes do ano 300 aC ( quando a helenização chegou a Palestina, com os problemas culturais e religiosos subseqüentes).

2) Que as cópias fossem escritos em hebraico ou pelo menos em aramaico (menos o grego que era a língua e cultura invasora e que era utilizada nos escritos cristãos).

3) Que tivesse uma mensagem considerada como inspirado ou dirigido ao povo de Deus (Judeu).

Uma das razões para retirar os livros escritos em grego, que eram em sua maioria Sapienciais e bem próximos ao início do cristianismo é que “soavam muito cristão). Este concílio judeu em Yamnia definitivamente NÃO teve nenhum efeito sobre a Igreja que já havia há vários anos se separado do judaísmo, este que foi ditado pelo mesmo órgão (e que por sua cegueira espiritual) havia crucificado o Messias esperado.

A Aliança então foi transferida para a Igreja como Nova Aliança da Graça e os anciões de Israel não possuíam nenhuma autoridade sobre a nova Fé. A Igreja seguiu utilizando como Escritura a antiga Versão dos Setenta. Curiosamente, fragmentos destes livros retirados da versão hebraica foram encontrados nos “Pergaminhos do Mar Morto”.


São Jerônimo (342-420 d.C.) fez a tradução das Escrituras judaicas do hebraico ao latim e excluiu os livros escritos em grego como não canônicos; contra isso Santo Agostinho se opôs e ratificou a importância dos livros escritos em grego no Concílio de Hipona (393). A decisão de Jerônimo foi recusada pelos concílios e ele aceitou a decisão outorgada pelos concílios.A partir do século IV a Igreja introduz o termo “cânon”, para indicar com ela a clausura física do conjunto de livros integrada pelo Antigo Testamento e o Novo Testamento. Assim é declarado que a Biblia, por ser inspirada por Deus, é normativa no âmbito de doutrina e da fé. E assim a Escritura começou a viver e dar frutos na Igreja Católica por 1120 anos até a fatídica data de 1517 quando com um papel cravado nas portas de uma Igreja causou a ruptura de dezesseis séculos de Cristianismo. Com a Reforma do Sacerdote Agostiniano Martinho Lutero é iniciado uma nova etapa no Cristianismo que foi mais do que uma “Reforma” foi uma demolição da Fé dos Apóstolos baseada no critério de um ou vários homens (os reformadores). Uma das primeiras conseqüências sofrida é na Bíblia. Rapidamente Lutero dá-se o trabalho de Reformar as Escrituras baseado em seus conceitos do que entendia por correto. Martinho Lutero e outros Reformistas decidiram tentar remover os livros que faziam parte da Escritura Cristã desde os primórdios tais como Apocalipse e Tiago nas quais ele recusava como podemos ler em seus escritos:

“… A Epístola de Tiago é uma epístola cheia de palha, porque não contêm nada evangélico.” “Prefacio ao Novo Testamento” de Lutero.

“… Ao meu parecer [o Livro das Revelações ou Apocalipse] não tem nenhum indício de caráter apostólico ou profético… Cada um pode formar sua própria opinião sobre este livro; pessoalmente tenho antipatia, e para mim isso é razão suficiente para recusá-lo.” Sammtliche Werke, 63, pp. 169-170.

(Muitos Protestantes que baseiam suas Doutrinas no Apocalipse não sabem que quase o perderam, pois Lutero tentou retirar das Escrituras o Apocalipse, a Carta aos Hebreus e a Epístola de Tiago entre outros). Martinho Lutero em um ataque de soberba e desprezando as decisões do Concilio de Roma e de Cartago acatou as decisões do Concilio Judeu de Yannia, aceitando o Cânon Judaico do ano 90 dC sem os sete livros escritos em Grego e assim a Bíblia Protestante continua até os DIAS de hoje. É por isso que NÃO NOS SOBRAM livros, já que estavam por mais de 1800 anos juntos e no Século XVI foram removidos, e são os que FALTAM para a Igreja Protestante. Atualmente existem muitas provas de que estes Livros estiveram junto ao povo judeu e eram utilizados por eles, algumas delas são:

a) Os manuscritos mais antigos do Antigo Testamento (mil anos) contêm os Deuterocanônicos. Com excessão da ausência de Macabeus no Codex Vaticanus, o mais antigo texto grego do Antigo Testamento, TODOS OS DEMAIS manuscritos contêm os sete livros.

b) Dos 850 documentos que foram achados em Qumrán, uns 223 são cópias de livros distintos do Antigo Testamento; foram encontrados quase todos os livros da Bíblia hebraica (menos Ester), e alguns deuterocanônicos (Tobias, e Ben Sira ou Eclesiástico)…

c) Os judeus apesar de não aceitarem religiosamente os livros Deuterocanônicos os aceitam historicamente ao celebrar festas que só são mencionados nestes livros, entre eles o Purin que é mencionado no Livro de Ester e o Hanuká que é mencionado no Livro dos Macabeus

No começo da Reforma nossa versão Bíblica não foi alvo ataques como podemos ver:

a) Martinho Lutero em seu Comentário sobre São João disse: “Somos obrigados a admitir dos Papistas que eles tem a Palavra de Deus, que a recebemos deles e que sem eles não teríamos nenhum conhecimento dela”. Esta Igreja pronunciou que TODOS os 73 livros que compõe o Antigo e Novo Testamento são revelação.

b) Foram aceitos pela Igreja Pós-Pentecostes e por toda a Igreja Primitiva

c) Foram proclamados CANÔNICOS ao mesmo Tempo e pela mesma autoridade que os 27 Livros do Novo Testamento.

Martinho Lutero os retirou em:

a) Um ato unitário e arbitrário

b) Sem consultar a Igreja e nem a um Concilio

c) Sem levar em consideração os aspectos históricos da permanência destes livros na Igreja

d) Aceitou a decisão de um Concílio Judeu que NÃO tinha nenhuma autoridade sobre os cristãos, não foi um Concilio Cristão dirigido pelo Espírito Santo.

Como vimos os judeus na época de Jesus nunca tiveram um cânon escritural, vimos que este cânon foi criado no ano de 90 dC quando a Igreja já estava separada do judaísmo há vários anos, vimos que estes livros NÃO foram aceitos pelo Concílio judaico de Yamnia por estar escrito na mesma língua dos textos cristãos e por sua linguagem ser muito similar a estes. Martinho Lutero em um ato de soberba, desprezo a obra do Espírito Santo no Concílio de Cartago preferiu aceitar a definição do mesmo Sinédrio que NÃO reconheceu seu Messias.

Não se pode desprezar parte da obra de um Concílio e aceitar outra. Um Concílio é aceito ou recusado por inteiro, pois bem, a mesma autoridade que formou o Cânon do Novo Testamento formou também o Cânon do Antigo Testamento, NÂO se pode aceitar os 27 livros do Novo Testamento e desprezar a versão dos Setenta. Oras, se a Igreja se equivocou ao definir como canônico a Versão dos Setenta então os 27 livros do Novo Testamento também definidos pela Igreja estariam expostos a um equívoco e se estes 27 livros são duvidosos, vã é nossa fé.

Duvidar da Igreja é duvidar das Escrituras. A quem você escuta?


Foi a tradição apostólica que fez a Igreja discernir que escritos deviam ser enumerados na lista dos livros Sagrados. A definição dos livros canônicos aconteceu no Concílio Regional de Hipona, no ano 393, definindo o cânon amplo como sendo o correto para o uso da Igreja Católica. Outros Concílios foram confirmando esta definição. Exemplos: Cartago III (397),Cartago IV (419), Trulos (692), os Concílios Ecumênicos de Florença (1442), Trento (1546), Vaticano I (1870).”Que não seja lido nada na Igreja além da Bíblia Canônica… A lista da Bíblia Canônica é esta: Gênese, Êxodo, Levítico, Números… Tobias, Judite, Ester… 1 e 2 Macabeus,… Jeremias, Lamentações, Baruque, Ezequiel, Daniel, Sirácida ou Eclesiástico, Cântico dos Cânticos, Sabedoria… Em nome dos 217 bispos reunidos em Cartago, deixo isto enviado ao nosso irmão e bispo de Roma, Bonifácio, com os bispos de todas as partes, para confirmar este cânon XXIV deste Concílio… Conforme o código africano estabelecido em Hipona (393) no cânon XXVI…” (Conteúdo do Concílio de Cartago IV – ano 419).A lista completa é denominada “Cânon” das Escrituras. Ela comporta, para o Antigo Testamento, 46 (45, se contarmos Jr e Lm juntos) escritos e 27 para o Novo conforme:Gênesis, Êxodo, Levítico, Números, Deuteronômios, Josué, Juízes, Rute, os dois livros de Samuel, os dois livros dos Reis, os dois livros das Crônicas, Esdras e Neemias, Tobias, Judite, Ester, os dois livros dos Macabeus, Jó, os Salmos, os Provérbios, o Eclesiastes (ou Coélet), o Cântico dos Cânticos, a Sabedoria, o Eclesiástico (ou Sirácida), Isaías, Jeremias, as Lamentações, Baruc, Ezequiel, Daniel, Oséias, Joel, Amós, Abdias, Jonas, Miquéias, Naum, Habacuc, Sofonias, Ageu, Zacarias, Malaquias, para o Antigo Testamento;

Por que a Bíblia protestante tem menos livros?

Sabemos que de fato, foi a Igreja Católica quem berçou a Bíblia. Demorou alguns séculos para que a Igreja Católica chegasse à forma final da Bíblia, com os 72 livros como temos hoje. Em vários Concílios ao longo da História, a Igreja, assistida pelo Espírito Santo (cf. Jo 16,12-13) estudou e definiu o Índice ( cânon) da Bíblia; uma vez que nenhum de seus livros traz o seu Índice.

Por que a Bíblia católica é diferente da protestante?

Esta tem apenas 66 livros porque Lutero e, principalmente os seus seguidores, rejeitaram os livros de Tobias, Judite, Sabedoria, Baruc, Eclesiástico (ou Sirácida), 1 e 2 Macabeus, além de Ester 10,4-16; Daniel 3,24-20; 13-14.

A razão disso vem de longe.

No ano 100 da era cristã os rabinos judeus se reuniram no Sínodo de Jâmnia (ou Jabnes), no sul da Palestina, a fim de definir a Bíblia Judaica. Isto porque nesta época começava a surgir o Novo Testamento com os Evangelhos e as cartas dos Apóstolos, que os Judeus não aceitaram.

Nesse Sínodo os rabinos definiram como critérios para aceitar que um livro fizesse parte da Bíblia, o seguinte:

deveria ter sido escrito na Terra Santa;
escrito somente em hebraico, nem aramaico e nem grego;
escrito antes de Esdras (455-428 a.C.);
sem contradição com a Torá ou lei de Moisés.

Esses critérios eram puramente nacionalistas, mais do que religiosos, fruto do retorno do exílio da Babilônia em 537aC.. Por esses critérios não foram aceitos na Bíblia judaica da Palestina os livros que hoje não constam na Bíblia protestante, citados antes. Mas a Igreja católica, desde os Apóstolos, usou a Bíblia completa.

Em Alexandria no Egito, cerca de 200 anos antes de Cristo, já havia uma forte colônia de judeus, vivendo em terra estrangeira e falando o grego. O rei do Egito, Ptolomeu, queria ter todos os livros conhecidos na famosa biblioteca de Alexandria; então mandou buscar 70 sábios judeus, rabinos, para traduzirem os livros sagrados hebraicos para o grego, entre os anos 250 e 100 a.C, antes do Sínodo de Jâmnia (100 d.C).Surgiu assim a versão grega chamada Alexandrina ou dos Setenta, que a Igreja Católica sempre seguiu. Essa versão dos Setenta, incluiu os livros que os judeus de Jâmnia, por critérios nacionalistas, rejeitaram.
Havia então no início do Cristianismo duas Bíblias judaicas: uma da Palestina (restrita) e a Alexandrina (completa – Versão dos LXX).
Os Apóstolos e Evangelistas optaram pela Bíblia completa dos Setenta (Alexandrina), considerando inspirados (canônicos) os livros rejeitados em Jâmnia. Ao escreverem o Novo Testamento usaram o Antigo Testamento, na forma da tradução grega de Alexandria, mesmo quando esta era diferente do texto hebraico.O texto grego “dos Setenta” tornou-se comum entre os cristãos; e portanto, o cânon completo, incluindo os sete livros e os fragmentos de Ester e Daniel, passou para o uso dos cristãos.
Das 350 citações do Antigo Testamento que há no Novo, 300 são tiradas da Versão dos Setenta, o que mostra o uso da Bíblia completa pelos Apóstolos.Verificamos também que nos livros do Novo Testamento há citações dos livros que os judeus nacionalistas da Palestina rejeitaram. Por exemplo: Rom 1,12-32 se refere a Sb 13,1-9; Rom 13,1 a Sb 6,3; Mt 27,43 a Sb 2, 13.18; Tg 1,19 a Eclo 5,11; Mt 11,29s a Eclo 51,23-30; Hb 11,34 a 2 Mac 6,18; 7,42; Ap 8,2 a Tb 12,15.



Nos séculos II a IV houve dúvidas na Igreja sobre os sete livros por causa da dificuldade do diálogo com os judeus. Mas a Igreja, ficou com a Bíblia completa da Versão dos Setenta, incluindo os sete livros.

Após a Reforma Protestante, Lutero e seus seguidores rejeitaram os sete livros já citados.

É importante saber também que muitos outros livros que todos os cristãos têm como canônicos, não são citados nem mesmo implicitamente no Novo Testamento. Por exemplo: Eclesiastes, Ester, Cântico dos Cânticos, Esdras, Neemias, Abdias, Naum, Rute.

Outro fato importantíssimo é que nos mais antigos escritos dos santos Padres da Igreja (patrística) os livros rejeitados pelos protestantes (deutero-canônicos) são citados como Sagrada Escritura. Assim, São Clemente de Roma, o quarto Papa da Igreja, no ano de 95 escreveu a Carta aos Coríntios, citando Judite, Sabedoria, fragmentos de Daniel, Tobias e Eclesiástico; livros rejeitados pelos protestantes.Ora, será que o Papa S. Clemente se enganou, e com ele a Igreja? É claro que não.

Da mesma forma, o conhecido Pastor de Hermas, no ano 140, faz amplo uso de Eclesiástico, e de Macabeus II; Santo Hipólito (†234), comenta o Livro de Daniel com os fragmentos deuterocanônicos rejeitados pelos protestantes, e cita como Sagrada Escritura Sabedoria, Baruc, Tobias, 1 e 2 Macabeus.Fica assim, muito claro, que a Sagrada Tradição da Igreja e o Sagrado Magistério sempre confirmaram os livros deuterocanônicos como inspirados pelo Espírito Santo.

Vários Concílios confirmaram isto: os Concílios regionais de Hipona (ano 393); Cartago II (397), Cartago IV (419), Trulos (692). Principalmente os Concílios ecumênicos de Florença (1442), Trento (1546) e Vaticano I (1870) confirmaram a escolha.

No século XVI, Martinho Lutero (1483-1546) para contestar a Igreja, e para facilitar a defesa das suas teses, adotou o cânon da Palestina e deixou de lado os sete livros conhecidos, com os fragmentos de Esdras e Daniel.

Lutero, quando estava preso em Wittenberg, ao traduzir a Bíblia do latim para o alemão, traduziu também os sete livros (deuterocanônicos) na sua edição de 1534, e as Sociedades Biblícas protestantes, até o século XIX incluíam os sete livros nas edições da Bíblia.

Neste fato fundamental para a vida da Igreja (a Bíblia completa) vemos a importância da Tradição da Igreja, que nos legou a Bíblia como a temos hoje.

 Disse o último Concílio:


“Pela Tradição torna-se conhecido à Igreja o Cânon completo dos livros sagrados e as próprias Sagradas Escrituras são nelas cada vez mais profundamente compreendidas e se fazem sem cessar, atuantes.” (DV,8).

Se negarmos o valor indispensável da Igreja Católica e de sua Sagrada Tradição, negaremos a autenticidade da própria Bíblia. Note que os seguidores de Lutero não acrescentaram nenhum livro na Bíblia, o que mostra que aceitaram o discernimento da Igreja Católica desde o primeiro século ao definir o Índice da Bíblia.

É interessante notar que o Papa São Dâmaso (366-384), no século IV, pediu a S.Jerônimo que fizesse uma revisão das muitas traduções latinas que havia da Bíblia, o que gerava certas confusões entre os cristãos. São Jerônimo revisou o texto grego do Novo Testamento e traduziu do hebraico o Antigo Testamento, dando origem ao texto latino chamado de Vulgata, usado até hoje.

Convém fazer algumas distinções quanto aos nomes

1) Cânon, do Grego Kanón = Regra, medida e catalogado

2) Canônico = Livro catalogado – o que significa que também é inspirado por Deus

3) Protacanônico = Livro catalogado próton, isto é, em primeiro lugar ou sempre catalogado

4) Deuterocanônico = Livro catalogado, deuteron ou em segunda instância, posteriormente (após sido Controvertido)

5) Apócrifo = Do grego apókryphon = Livro oculto, isto é, não lido nas Assembléias públicas de culto. Reservado a leitura particular.

Os livros Deuterocanônicos (Judite, Tobias, Sabedoria, Eclesiástico, Baruc, 1 Macabeus e 2Macabeus, os capítulos 13 e 14 e os versículos 24 a 90 do capítulo 3 de Daniel, os capítulos 11 a 16 de Éster, estão na Tradição chamada Septuaginta, que foi traduzida do Hebraico por setenta sábios em setenta dias, cada um trabalhando isoladamente e chegando todos ao mesmo texto.

No ano 100 d.C, aproximadamente, os sábios Fariseus se reuniram em Yavné (Jâmnia) na Galiléia, e começaram a trabalhar em uma re-centralização da religião, que era antes centrada no templo.

Os Fariseus procuraram estabelecer regras mais rígidas de vida, ampliando ainda mais a “cerca em torno da lei”. Nesse período, é bom lembrar que, Saduceus e Essênios já tinham desaparecidos ou assimilados a outras crenças, sobrando os Fariseus.

Entre as decisões tomadas pelos Fariseus, que não aceitaram a Cristo, fixaram um Cânon Bíblico que propositadamente impediria o Novo Testamento como palavra de Deus. Evidentemente esses critérios não eram seguidos pelos Cristãos, que não tinham mais nada a ver com os Fariseus que não aceitaram a Jesus Cristo.

Os Critérios dos Fariseus eram os Seguintes:

1) O Cânon deveria estar disponível em Hebraico, não em Aramaico ou Grego

2) Não poderia ser escrito fora da terra de Israel

3) Não depois de Esdras (458 – 428 a.C)

Comentário

1) Se a palavra de Deus fosse para ser escrita somente no Hebraico, isso já colocaria de fora todo o Novo Testamento.

2) Acontece, porém, que em Alexandria, no Egito, havia Judeus, que traduziram os livros Sagrados, do Hebraico para o Grego entre 250 e 100 a.C3).

Ao escrever o Novo Testamento, os Apóstolos e Evangelistas usaram a tradução Grega feita entre 250 e 100 a.C, pelos próprios Judeus de Alexandria.

Quando a tradução foi feita por São. Jerônimo, ela continha a íntegra dos textos confiados por Deus à sua Igreja, incluindo no AT, os sete livros que Lutero depois arrancou.

Todas as Bíblias desde então continham estes livros; uma prova disso é a Bíblia de Gutemberg e outras Bíblias mais antigas. Lutero, porém, ao fazer a sua revolta,resolveu traduzir a Bíblia para o Alemão. Ora, ao contrário de S. Jerônimo , que usou manuscritos muitos antigos, Lutero tinha à sua disposição apenas manuscritos recentes dos Judeus de Jâmnia ou Yavné, que evidentemente não continham os livros que os Fariseus arrancaram do Cânon Bíblico muito depois de Cristo.

Basta ver qualquer Edição ou exemplar manuscrito da Bíblia antes de Lutero a importância da Tradição e do Magistério, a verdadeira doutrina sobre a Graça, enfim, vários pontos da Doutrina ensinada por Cristo e pelos Apóstolos que estavam sendo negados pelos Protestantes.

Não é razoável a interpretação Protestante, visto que esta acaba dizendo que a Bíblia se prova pela Bíblia. Ora, isso é uma temeridade. A Bíblia se prova pela Igreja que a compôs !

A Igreja Católica adotou o cânon Grego.
O Novo Testamento cita os livros Deuterocanonicos?
Objeção Protestante: “São conhecidas, no Novo Testamento, 263 citações e 370 alusões ao Antigo Testamento, porém nenhuma delas se refere aos livros ‘apócrifos’”Primeiramente, devemos notar que esta afirmação é facilmente refutada por diversas obras e autores. Por exemplo, o rev. dr. Milo Gates, ex-vigário da Igreja Protestante Episcopal da Intercessão, declarou em Nova Iorque, em 1928:

“…Em segundo lugar, ninguém pode realmente compreender o Novo Testamento sem conhecer esses livros. Há mais de 111 citações e alusões aos apócrifos no Novo Testamento.

Em terceiro lugar, algumas das mais abençoadas doutrinas da Igreja provieram desses livros, e outras encontramos o seu desenvolvimento nesses livros” (New York Times, 10.dez.1928).

Segundo. Pergunto aos protestantes: onde se encontra a exigência, na Bíblia, de que um livro, para ser considerado canônico, deve ser citado pelo Novo Testamento? Ou isto é uma mera estipulação humana? Eles não têm como responder…

Terceiro. Se é verdadeira a posição protestante que defende a canonicidade dos livros citados pelos escritores do Novo Testamento, então não devemos também considerar como Escrituras Sagradas a “Assunção de Moisés” (citado em Judas 1,9) e a “Profecia de Enoque” (citado em Judas 1,14-15)? Ambos são escritos tardios, considerados “apócrifos”, mas foram citados por um escritor do Novo Testamento, São Judas. Entretanto, ninguém (nem judeu, nem cristão) jamais os consideraram como Escrituras.

Quarto. Mesmo que fosse verdadeira essa afirmativa protestante – o que eu não admito – realmente isso não prova nada! Isto porque quinze livros do Antigo Testamento do cânon hebraico não foram citados pelo Novo Testamento.

São eles:

Josué, Juízes, Rute, 2Reis, 1 e 2Crônicas, Esdras, Neemias, Ester, Eclesiastes, Cântico dos Cânticos, Lamentações de Jeremias, Obadias, Naum e Sofonias.

Portanto, se fosse necessário o Novo Testamento citar os livros do Antigo Testamento para demonstrar sua canonicidade, então teríamos neste quinze livros a menos, totalizando vinte e dois (contando, porém, os deuterocanônicos). Ademais, precisaríamos acrescentar dois novos livros ao cânon, ou sejam, a “Assunção de Moisés” e a “Profecia de Enoque”.

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