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domingo, 29 de setembro de 2013

FOI DEUS QUE FUNDOU SUA IGREJA?

I - A MENTIRA



EVANGÉLICO: - "Um dos recursos favoritos dos apologistas romanos é fazer a seguinte pergunta: «Quem fundou a sua Igreja?». Depois apresentam uma lista de Igrejas X, fundadas no ano Y, pelo fundador Z, para concluir que a Igreja Católica foi a única Igreja fundada por Jesus Cristo, na Palestina, no ano 33. E invocam textos como Mateus 16:18-19 e Actos 2.



Eis um exemplo de uma dessas listas:







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        Ano - Denominação - Origem - Fundado
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- 1945 Igreja Católica Apostólica Brasileira (ICAB) Brasil Carlos D.Costa
- 1955 Cruzada o Brasil para Cristo Brasil Manoel de Mello
- 1962 Igreja Deus é Amor Brasil David Miranda
- 1977 Igreja Universal do Reino de Deus Brasil Edir Macedo"



Réplica de: OSWALDO


II  - ONDE SE ENCONTRA


III - A VERDADE

EVANGÉLICO - "Respondamos a esta estultícia:Jesus Cristo certamente fundou uma única Igreja, mas:
1. Não foi a Igreja de Roma, que hoje usurpa a prerrogativa de ser em exclusividade a Igreja de Cristo".

RESPOSTA - Acertou em cheio quando disse que Cristo fundou uma só Igreja. Faço entretanto uma observação: se a Igreja Católica não tem a exclusividade de ser a única, então admite que existe, pelo menos, uma outra que também é única. Mas, "única" não significa apenas UMA? Nessa lógica malacafenta do autor, pode-se, então, admitir que o Deus ÚNICO, já não é tão único assim, porque podem existir outros deuses igualmente únicos!
2. Historicamente a Igreja de Cristo manifestou-se concretamente em congregações locais, cuja comunhão não dependia de uma hierarquia humana centralizada (papado) mas da fidelidade à doutrina de Cristo e dos Apóstolos tal como esta se expressa nas Escrituras.
RESPOSTA - É uma afirmação bizarra, rigorosamente antibíblica e sem nenhum fundamento, pois não se faz acompanhar das competentes provas históricas como farei para demonstrar o contrário:
PROVA HISTÓRICA - Veja o que escreveu um cristão primitivo ainda no século II de nossa era: 

"Mas visto que seria coisa bastante longa elencar, numa obra como esta, as sucessões de todas as igrejas, limitar-nos-emos à maior e mais antiga e conhecida por todos, à igreja fundada e constituída em Roma pelos dois gloriosíssimos apóstolos, Pedro e Paulo, e, indicando a sua tradição recebida dos apóstolos e a fé anunciada aos homens, que chegou até nós pelos sucessões dos bispos... COM ESTA COMUNIDADE, DE FATO, DADA Á SUA AUTORIDADE SUPERIOR, É NECESSÁRIO QUE ESTEJA DE ACORDO TODA TODA COMUNIDADE, ISTO É, OS FIÉIS DO MUNDO INTEIRO; nela sempre foi conservada a tradição dos apóstolos. [...] [Pedro e Paulo] confiaram a Lino o ministério do episcopado. [...] A Lino sucedeu Anacleto. A seguir, Clemente; Clemente vira os apóstolos, conversara com eles e ainda tinha ouvido sua pregação. [...] A Clemente sucedeu Evaristo, e a Evaristo, [sucedeu] Alexandre. Depois, em sexto lugar após os apóstolos, veio Xisto... " (Ireneu de Lião, 180 d.C., Contra as Heresias III,3,2-3). Ver esta lista:






Vejamos mais esta lista, organizada em ordem cronológica e incompleta, já que seria impossível listar as 300 mil igrejas cristãs hoje existentes segundo o pastor norteamericano Wayne Cordeiro, sem contar também as milhões de micro-seitas constituídas por um só fiel (evangélicos sem igreja):



AnoDenominaçãoOrigemFundador
~33Fundação da Igreja CatólicaPalestinaJesus
~55Igreja Católica se fixa em Roma, com Pedro e Paulo
1054Igreja OrtodoxaConstantinoplaMiguel Cerulário
1521Igreja LuteranaAlemanhaMartinho Lutero
1523AnabatistasAlemanhaZwickau
1523Batistas MenonitasHolandaMenno Simons
1531Igreja AnglicanaInglaterraHenrique VIII
1536Igreja PresbiterianaSuiçaJoão Calvino
1592Igreja CongregacionalistaInglaterraJohn Greenwood e outros
1612Igreja Batista Arminiana ou GeralInglaterraJohn Smith
~1630Sociedade dos Amigos (Quakers)InglaterraGeorge Fox
1641Igreja Batista Regular ou ParticularInglaterraRichard Blount
1739Igreja MetodistaInglaterraJohn Wesley
1816Igreja AdventistaEUAWillian Miller
1830MórmonsEUAJoseph Smith
1865Exército da SalvaçãoInglaterraWillian Booth
1878Testemunhas de JeováEUACharles T.Russel
1901Igreja PentecostalEUACharles Parham
1903Igreja Presbiteriana IndependenteBrasilOthoniel C. Mota
1909Congregação Cristã no BrasilBrasilLuís Francescon
1910Igreja Assembléia de DeusEUA/BrasilD.Berg/G.Vingren
1918Igreja do Evangelho QuadrangularEUAAimée McPherson
1945Igreja Católica Apostólica Brasileira (ICAB)BrasilCarlos D.Costa
1955Cruzada o Brasil para CristoBrasilManoel de Mello
1962Igreja Deus é AmorBrasilDavid Miranda
1977Igreja Universal do Reino de DeusBrasilEdir Macedo


PROVA BÍBLICA - Mencionar todas as provas bíblicas em favor do primado e investidura de Pedro neste pequeno artigo, seria bastante tedioso e, como isso já foi feito com grande eruditismo  pelo padre Leonel Franca, tomo a liberdade de remeter o caríssimo leitor ao índice de seu livro "A Igreja, a Reforma e a Civilização", indicando-lhe porém que, para este caso, basta ler apenas os capítulos I e II que tratam do assunto:




3. A Igreja de Roma nunca teve autoridade universal; certamente não a teve sobre as Igrejas do Oriente, apesar das suas pretensões que levaram ao cisma no século XI. E no Ocidente pôde manter uma unidade só em estreito contubérnio com o poder secular, a sangue e fogo, por uns poucos séculos mais, até à Reforma Protestante do século XVI.

RESPOSTA - O bom relacionamento com o poder secular jamais figurou como condição indispensável da única e verdadeira Igreja de Cristo. Já com o protestantismo, que foi imposto de cima para baixo, não se pode dizer o mesmo. 


(As palavras seguintes deste item não são minhas;  foram copiadas, formatadas e acrescidas de notas)

"Toda a grande máquina de guerra montada contra Roma, apesar de tão bem manejada pelos seus construtores, ainda assim não explicaria, só de per si, a rápida difusão da heresia, se o poder civil não lhe viesse bem cedo trazer o inestimável reforço da espada


Com a promessa dos bens eclesiásticos e com oportunas concessões morais" (Ver "3. Bigamia de Filipe de Hesse" em: autorização de bigamias e práticas de poligamias), "com a perspectiva da mais completa independência, LUTERO e os seus acólitos souberam aliciar reis e príncipes, que puseram logo as suas armas a serviço da propaganda "evangélica":

- na Inglaterra, 


com a introdução do protestantismo prevaleceu a doutrina que o rei era "vigário de Deus na terra, o Papa do seu reino, o expositor nato da verdade religiosa e o canal da graça". Ainda em tempos modernos Lord CLARENDON, historiador e estadista, afirmava que a supremacia espiritual dos reis da Inglaterra era "a melhor metade de sua soberania"; 

- na Escócia, 


com o calvinismo entrou a mais absoluta tirania das consciências. O poder civil começou a oprimi-las despoticamente em favor das novas doutrinas. Quem celebrava a missa pela segunda vez era punido com pena de morte; 


- na Dinamarca 


foi a introdução do protestantismo obra de CRISTIANO II, por suas crueldades cognominado o Nero do Norte. CRISTIANO III continuou a mesma política, encarcerou os bispos, confiscou-lhes os bens, expulsou os religiosos em nome da liberdade evangélica e proclamou-se chefe supremo da Igreja dinamarquesa; 


- na Suécia, 


GUSTAVO WASA bateu o mesmo caminho. Dois bispos católicos, JACKSON e KNUT foram decapitados; os outros constrangidos a fugir, o patrimônio eclesiástico, recolhido ao fisco real; o culto católico, por toda a parte proscrito. Exacerbado pelos atos de prepotência e libertinagem que no seu entusiasmo pelo liberdade evangélica praticavam os soldados alemães, o povo mais de uma vez recorreu às armas para defender a religião de seus pais. Gustavo afogou no sangue estas reivindicações das consciências oprimidas; 


- na Suíça e na Holanda


foi o senado na Suiça e na Holanda foram os estados gerais, que decretaram o protestantismo, religião oficial


- na Alemanha 


não foi menos violenta a opressão da força bruta. Aí vulgarizaram os inovadores o princípio: quem domina no território, domina na religião (cujus regio illius et religio). À autoridade do Papa é substituída pela tirania dos soberanos sobre as consciências. Eis o que afirmava Lutero:  "A fim de prevenir funestas sedições e outras desordens, o príncipe não deve tolerar no seu território nenhuma seita ou divisão" (Cfr. JANSSEN, Gescjocjte des deutschen volkes, t. III, 57-70.).

Enfim, o
nde não encontrou o apoio da espada, a Reforma não vingou. Em nenhuma região do mundo o protestantismo se estabeleceu pelo livre exame. Ultimamente ele se impõe nas classes menos alfabetizadas pela mentira e calúnia e pelos milagres falsificados que não suportam uma análise mais acurada.


Em todas as discussões serenas e livres entre católicos e protestantes, estes foram sempre manifestamente batidos. Basta lembrar as célebres controvérsias entre S. FRANCISCO DE SALES x TEODORO BEZA; O CARDEAL DU PERRON x DUPLESSY; MORNAY, BOSSUET x CLÁUDIO JURRIEU".



4.
 A Igreja de Roma não é católica em sentido exclusivo; no melhor caso é uma parte da Igreja universal.
5. A Igreja de Roma não é Apostólica, porque distorceu a doutrina dos Apóstolos e tirou e acrescentou a ela à sua vontade.
6. A Igreja de Roma é isso: romana, e ponto.


RESPOSTA - Somente porque o sr. articulista quer e disse? Falar por falar até papagaio! E tem o topete de chamar de "estultície" esta lista de datas, nome de seitas, locais e fundadores, cuja verdade histórica é admitida por todos inclusive por ele mesmo!;

7.
 É verdade que as portas do Hades não prevalecerão contra a Igreja, e que Cristo está com ela até o fim dos tempos. Em cada período, por mais obscuro que fosse, Deus preservou, como no Israel do velho pacto, um remanescente de crentes fiéis. E assim será até que o Senhor volte. Mas é intolerável a arrogância romana de ser ela a única representante cabal de tal remanescente.

RESPOSTA - A lorota do "remanescente de crentes fiéis" que permaneceu incógnito e apagado no decorrer dos séculos denota uma só coisa: A MENTIRA PROTESTANTE. Se Cristo disse que deveríamos ser a luz do mundo e o sal da terra, onde foi que se meteu esta cambada absolutamente inútil? Enquanto ela se acovardava, os católicos levavam a luz de Cristo às mais distantes partes do mundo, convertendo romanos e bárbaros, levando a fé e a cultura a todos os povos com suas inúmeras escolas paroquiais e universidades. Nem se deve esquecer do sobre-humano trabalho dos jesuítas no Brasil e nos países deste continente pela fé, pela cultura e em defesa dos povos indígenas.

E o "remanescente"? 


Enquanto os católicos arrostavam martírios, todo tipo de perigo e dificuldade para ENSINAR às nações tudo o que Cristo lhes havia prescrito, esse mequetrefe inútil "remanescente" se escondia borrando-se de medo! 
8. A evidência histórica mostra que a igreja de Roma, como outras, no seu percurso através dos séculos por vezes defendeu a ortodoxia e por vezes a abandonou. O problema é que se nega a reconhecer o seu desvio doutrinal e a ser disciplinada pelas Escrituras.

RESPOSTA - E agora o autor se arrisca a defender a ortodoxia das centenas de milhares de seitas e as mais de uma dezena de milhões de micro-seitas oriundas da rebelião protestante, verdadeiras fábricas de ateus! Todas ensinam a mesma coisa? Não! Pelo contrário, cada seita anuncia um Evangelho diferente das demais, com doutrinas total e radicalmente opostas entre si. Vejamos algumas delas: 

- algumas igrejas afirmam que a Santíssima Trindade é uma fórmula pagã (unitaristas); 

- algumas igrejas dizem que JESUS é a única pessoa de DEUS (unicistas); 
- algumas igrejas dizem que não existem sacramentos, mas ordenanças; 
- algumas igrejas acreditam que CRISTO reinará num milênio antes do juízo final; 
- algumas igrejas afirmam que o Inferno não existe como realidade; 
- algumas igrejas creem que o Inferno não é eterno; 
- algumas igrejas defendem que o Batismo no Espírito Santo é conhecido unicamente pelo dom de línguas; 
- algumas igrejas dizem que o batismo não é necessário para salvação, mas puro símbolo; 
- algumas igrejas creem numa terceira revelação, num terceiro testamento; 
- algumas igrejas afirmam que os grandes milagres pararam nos tempos pós-apostólicos; 
- algumas igrejas não dão valor a alguns livros do Novo Testamento; 
- algumas igrejas não aceitam como válido o batismo de crianças; 
- algumas igrejas guardam o sábado como dia santo. etc, etc, etc... 

9. As diversas comunidades protestantes têm certamente um princípio histórico que pode ser traçado (coisa que não pode dizer-se de Roma, já que ninguém senão Deus sabe quem iniciou a Igreja ali), mas todas elas têm em comum a pertença à Igreja autenticamente católica, fundada por Cristo. Nós reconhecemos a história, mas não exaltamos indevidamente os servos que Deus usou em cada período histórico.

RESPOSTA - Não resta dúvida nenhuma sobre a história da rebelião protestante acontecida há cinco séculos atrás e melhor ainda quanto às muitíssimas subdivisões do próprio protestantismo que foram aparecendo de lá para cá sendo que a sua quase totalidade não têm sequer um século de existência. Quanto à comunidade católica de Roma também não existem dúvidas quanto às pessoas que a estabeleceram ali. Volte à minha resposta à questão n.º 2 e encontrará um documento histórico escrito em 180 d.C. pelo bispo católico Irineu de Lyon, Gália, que diz textualmente:

"... à maior e mais antiga e conhecida por todos, à igreja fundada e constituída em Roma pelos dois gloriosíssimos apóstolos, PEDRO e PAULO... "  (Ireneu de Lião, 180 d.C., "Contra as Heresias" III,3,2-3).

As centenas de milhares de seitas protestantes nada têm a ver com a "Igreja autenticamente católica" porque contra ela se rebelaram separando-se do corpo que é o próprio Cristo. A partir daí tornaram-se ramos secos que só servem para ser juntados e lançados ao fogo (Jo 15,6). São os anticristo de que falou São João:

"Ouvistes dizer que o ANTICRISTO deve vir; e já vieram muitos ANTICRISTOS: daí reconhecemos que é chegada a última hora. ELES SAÍRAM DE ENTRE NÓS, mas não eram dos nossos" (I Jo 2,18) 
10. Neste sentido, é ofensivo e inaceitável que em tais listas sejamos incluídos no mesmo saco de grupos como os mórmons ou as testemunhas de Jeová.

RESPOSTA - Para ser condenado basta não crer apenas uma verdade ensinada pela única e verdadeira Igreja instituída por Cristo, a santa Igreja Católica. Veja o que escreve São Marcos:

"... Ide por todo o mundo e pregai o Evangelho a toda criatura. Quem crer e for batizado será salvo, mas QUEM NÃO CRER SERÁ CONDENADO" (Mc 16,15-16)




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sábado, 28 de setembro de 2013

EM VEZ DE FRANCISCO, A BESTA DO APOCALIPSE

O próximo Papa será a Besta do Apocalipse?



Hermes C. Fernandes


Desde o anúncio que Bento XVI renunciará seu pontificado no dia 28 deste mês, as redes sociais têm sido invadidas por estudos escatológicos que afirmam que o próximo Papa será ninguém menos que a Besta do Apocalipse. Ora, já vivi o bastante para não dar qualquer crédito a este tipo de especulação profética. 

Muita coisa já foi dita e escrita acerca das bestas do Apocalipse, criando-se todo um folclore acerca do assunto. Basta que surja algum novo personagem proeminente no cenário político ou religioso mundial, para que seja considerado forte candidato ao posto. Homens como Hitler, Mussolini, John Kennedy, Ronald Reagan, Gorbachev, são alguns deles. Nem o Papa João Paulo II foi poupado. Há quem acredite que depois da renúncia do atual Papa, seu predecessor ressuscitará e retornará ao cargo. 

O inegável é que não falta imaginação. Mas será que tais especulações merecem algum crédito? Teriam apoio bíblico? 

Vamos procurar, à luz das Escrituras, identificar essas bestas, e saber qual o seu papel  na execução dos propósitos de Deus.

A Besta que emerge do Mar

A primeira Besta vista por João surge do mar. Dentro da simbologia apocalíptica, o mar representa os gentios, como podemos conferir em Ap.17:15: “As águas que viste (...) são povos, multidões, nações e línguas.” O termo “besta” vem do grego “therion”, e significa um grande e feroz animal que, simbolicamente, representa um poderoso reino. Daniel fala de quatro bestas, que representariam os quatro grandes impérios que dominariam o mundo. Já em Apocalipse, encontramos apenas duas bestas, a que emerge do mar, e a que aparece sobre da terra. A primeira besta do Apocalipse equivale à quarta besta do Livro de Daniel, isto é, o poderoso Império Romano. É interessante que, de acordo com as descrições de João, esta besta possui características inerentes a cada uma das quatro bestas do Livro de Daniel.

1. Dez Chifres - Representam os reis das dez províncias romanas, responsáveis por manter a união da Roma Imperial.



2. Semelhante ao Leopardo - Representa a velocidade com que o reino grego alcançou suas conquistas.

3. Pés como de urso - Representa a força, estabilidade e consolidação, características encontradas no Império Persa.

4. Boca como de leão - Representa a ferocidade ameaçadora da monarquia babilônica.

Como se não bastasse reunir as principais características dos impérios que o antecederam, João afirma que “o dragão deu-lhe o seu poder, o seu trono e grande autoridade” (Ap.13:2b). Foi no tempo de Nero que Roma insurgiu-se contra a Igreja pela primeira vez. É interessante frisar que durante um tempo de seu reinado, Nero parecia um homem sensato, coerente, seguidor fiel dos ensinos de Sêneca. Repentinamente, Nero ficou irreconhecível, transformando-se num homem cruel, capaz de mandar executar a própria mãe. Era como se houvesse sido possuído pelo próprio Satanás. No documento cristão primitivo conhecido como Ascensão de Isaías, lemos que Belial [1] “descerá do seu firmamento sob a forma de um homem, de um rei ímpio, assassino de sua própria mãe”. [2] Roma agora, seria a agência oficial de Satanás em sua pretensão de dominar a terra, ao mesmo tempo que seria o instrumento da Justiça Divina sobre o povo rebelde que recusara a oferta de salvação na pessoa do Messias.

João vê “uma de suas cabeças como golpeada de morte, mas a sua chaga mortal foi curada”(v.3a). A besta tinha 7 cabeças, que segundo a explicação dada a João, seriam sete reis, sendo que, cinco já haviam caído, um existia, e outro ainda não era chegado. Confira a relação dos sete, e identifique o imperador em questão.


1- Augusto


2- Tibério (14-37 d.C.)
3- Calígula (37-41)
4- Cláudio (41-54)
5- Nero (54-68)
6- Vespasiano (69-79)
7- Tito (79-81)

A “cabeça golpeada de morte”, certamente é uma alusão a Nero, que por não suportar a pressão sofrida por parte do Senado, que o considerava inimigo público, preferiu suicidar-se, ferindo-se na garganta com uma espada. Com a morte de Nero, o Império Romano ficou em frangalhos. Muitos cristãos que sobreviveram à perseguição neroniana, e que agora eram oficialmente proscritos, devem ter entendido os horrores que sobrevieram a Roma como um ato de juízo divino. Tudo indicava que Roma estava com os seus dias contados. Eclodiam revoltadas em várias províncias. As tropas do Reno tentaram estabelecer seu comandante, Vergínio Rufo, como o novo imperador. Foi aí que descobriu-se que “um imperador podia ser feito fora de Roma”[3]  A Guarda Pretoriana posicionou-se a favor de Galba, que ironicamente, acabou assassinado pelos próprios pretorianos que o exaltaram. Oto, que era governador na Espanha, cortejando as simpatias das tropas locais, foi declarado imperador. Mas as legiões do Reno nomearam Vitélio, e marcharam sobre a Itália. Em meio a este tumulto, as províncias orientais proclamaram Vespasiano como o legítimo imperador de Roma. Antes que se findasse o ano de 69, as tropas de Vitélio foram derrotadas, e Vespasiano tornou-se o único imperador de Roma. Enfim, o conturbado Império, como a Fênix, parecia renascer das cinzas. Por isso, Vespasiano é considerado o sexto imperador, vindo logo após Nero. A Besta se recuperara da chaga mortal que a atingira na cabeça. Por isso, “toda a terra se maravilhou, seguindo a besta”(v.3b). Roma voltara a ser o que era antes.

Vespasiano deu origem a uma segunda dinastia em Roma, a Flaviana ( a primeira começou com Augusto César e terminou com Nero ). Ele foi sucedido por Tito, o mesmo que comandou a destruição de Jerusalém, que por sua vez foi sucedido por Domiciano, seu irmão.

Ainda sobre o conturbado hiato entre as duas dinastias, representadas por Nero e Vespasiano, centenas de anos antes, Daniel anteviu tais acontecimentos. Leia atentamente o seu relato:
"Então tive o desejo de conhecer a verdade a respeito do quarto animal, que era diferente de todos os outros, muito terrível, cujos dentes eram de ferro, e as unhas de bronze - animal que devorava, e fazia em pedaços, e pisava aos pés o que sobrava. Também tive desejo de conhecer a verdade a respeito dos dez chifres que tinha na cabeça, e do outro que subia, diante do qual caíram três, isto é, daquele chifre que tinha olhos, e uma boca que falava com vanglória, e parecia ser mais robusto do que os seus companheiros (...) Disse-me ele: O quarto animal será o quarto reino na terra, o qual será diferente de todos os reinos e devorará toda a terra, e a pisará aos pés, e a fará em pedaços. Quanto aos dez chifres, daquele mesmo reino se levantarão dez reis. Depois deles se levantará outro, o qual será diferente dos primeiros, e abaterá três reis.” DANIEL 7:19-20, 23-24.
Para que Vespasiano se firmasse como o único Imperador de Roma, três outros precisariam ser abatidos, Galba, Oto e Vitélio. Vespasiano trouxe de volta a harmonia ao Império. As províncias se unificaram novamente, e a Pax Romana revigorou-se.

Tanto Daniel quanto João dizem que a Besta recebeu “uma boca para proferir arrogâncias e blasfêmias, e deu-se-lhe autoridade para continuar por quarenta e dois meses. E abriu a sua boca em blasfêmias contra Deus, para blasfemar do seu nome, e do seu tabernáculo e dos que habitam no céu. Também foi-lhe permitido fazer guerra aos santos, e vencê-los. E deu-se-lhe poder sobre toda tribo, língua e nação”(Ap.13:5a,6-7 compare com Dn.7:8b, 20-22,25). [4]

A perseguição aos cristãos iniciada por Nero, só foi retomada por Domiciano, o segundo filho de Vespasiano. Cada um dos atributos apresentados acima são inerentes a ele.  Entre muitas coisas excentricidades, Domiciano insistia com a ideia absurda de que era “deus”, e por isso, deveria ser adorado. Aliás, foi esse o estopim que deflagrou uma perseguição sem precedentes à Igreja Cristã. João nos informa em seu relato, que “todos os que habitam sobre a terra a adorarão, esses cujos nomes não estão escritos no livro da vida do Cordeiro que foi morto desde a fundação do mundo. Se alguém tem ouvidos, ouça. Se alguém deve ir para o cativeiro, para o cativeiro irá. Se alguém deve ser morto à espada, necessário é que à espada seja morto. Nisto repousa a perseverança e a fidelidade dos santos”(vs.8-10). A partir daí, os algozes já não seriam os judeus, propriamente, mas a Roma Imperial.

A Besta que subiu da Terra

Para identificarmos a segunda besta, precisamos identificar sua origem. Enquanto a primeira emerge do mar (nações gentílicas), a segunda sobre da terra, que é uma alusão clara a Israel. Trata-se de uma estrutura de poder originária da nação judaica. Esta besta se apresenta com dois chifres “semelhantes aos de um cordeiro”, o que denota uma estrutura de apelo religioso. Se os dez chifres da primeira besta representam dez reis, é plausível inferir que os dois chifres da segunda besta representem duas autoridades religiosas, ou mais provavelmente, duas facções religiosas. Se for assim, podemos identificá-los com os dois principais e mais influentes grupos religiosos da época: os escribas [6] e os fariseus [6].

João diz que aquela besta se apresentava como um cordeiro, “mas falava como dragão”(v.11). Isso se encaixa bem na descrição que Jesus deu de alguns líderes religiosos judeus de Sua época. Jesus, o verdadeiro Cordeiro de Deus, afirmou que eles não entendiam a Sua linguagem. “Vós pertenceis ao vosso pai, o diabo”, declarou Ele, “e quereis executar o desejo dele. Ele foi homicida desde o princípio, e não se firmou na verdade, pois não há verdade nele. Quando ele profere mentira, fala do que lhe é próprio, pois é mentiroso e pai da mentira”(Jo.8:44). Por trás da aparência de cordeiro, havia uma natureza diabólica. Pele de cordeiro, voz de dragão! Foi Jesus quem os denunciou, dizendo: “Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! Limpais o exterior do copo e do prato, mas o interior está cheio de rapina e de intemperança (...) Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! Sois semelhantes aos sepulcros caiados, que por fora realmente parecem formosos, mas por dentro estão cheios de ossos de mortos, e de toda imundícia. Assim também vós exteriormente pareceis justos aos homens, mas interiormente estais cheios de hipocrisia e de iniquidade (...) Serpentes, raça de víboras! Como escapareis da condenação do inferno?”(Mt.23:25,27-28,33). Jesus chega a chamá-los de “filhos do inferno”(Mt.23:15).

Está mais do que claro que a segunda besta nada mais é do que o judaísmo apóstata, com os seus dois principais partidos religiosos, os escribas e os fariseus. Sua hipocrisia era tamanha, que eles se diziam defensores dos interesses romanos. Por isso é dito que a segunda besta “exercia toda a autoridade da primeira besta na sua presença, e fazia que a terra e os que nela habitavam adorassem a primeira besta, cuja chaga mortal fora curada”(13:12). Exemplos disso podem ser encontrados em diversos episódios, onde os judeus afirmavam total lealdade ao poder imperial. Quando Pilatos tentava soltar Jesus, os judeus em uníssono gritavam: “Se soltares a este, não és amigo de César. Qualquer que se faz rei se opõe a César”(Jo.19:12b). No dia da preparação da Páscoa, Pilatos tentou pela última vez dissuadir os judeus. Trazendo Jesus perante eles, disse: “Eis o vosso Rei. Mas eles gritaram: Fora! Fora! Crucifica-o! Perguntou-lhes Pilatos: Hei de crucificar o vosso Rei? Responderam os principais sacerdotes: Não temos rei, senão César. Finalmente Pilatos o entregou para ser crucificado”(vs.14b-16). Quão caro lhes custou tal hipocrisia! [7]



Uma interpretação alternativa plausível seria identificar os dois chifres daquela besta como sendo“os falsos cristos” e os “falsos profetas” (Mt.24:24). A diferença entre eles é que, geralmente, os falsos cristos se opunham ao domínio romano, prometendo liberdade do jugo imperial aos judeus, apresentando-se assim como os verdadeiros “messias” (2 Pe.2:19). Pedro os chamou de “falsos mestres”(2 Pe.2:1). Já os “falsos profetas”, geralmente, eram aliados de Roma, e tinham como pretensão promover o culto ao imperador. Não podemos ignorar que alguns poderiam receber qualquer uma dessas alcunhas.


Não importa se os dois chifres representavam os escribas e fariseus, ou os falsos cristos e falsos profetas, ou os dois grupos ao mesmo tempo. O fato é que a segunda besta nada mais é do que a representação do judaísmo apóstata, responsável direto pela crucificação do Senhor Jesus.

Infelizmente esta interpretação conhecida como 'preterista parcial' não é tão conhecida pela igreja brasileira. Nomes reverenciados pelos cristãos protestantes criam que boa parte das profecias contidas no Apocalipse já havia se cumprido, entre as quais, as que se referem às bestas. Homens como C.H. Spurgeon, John Owen, Jonathan Edwards, e, atualmente, R.C.Sproul, Gary North, e tantos outros subscrevem tal interpretação. Aqui no Brasil tem prevalecido a escola de interpretação dispensacionalista, surgida a pouco mais de 200 anos com John Darby, e difundida através dos comentários de rodapé da Bíblia de Scofield. 

Baseado nisso, posso afirmar que não há com que nos preocupar com relação ao próximo Papa. Pelo menos, não no que tange a tal especulação.

Em vez disso, deveríamos nos preocupar com sua proposta. Se será linha dura como Bento XVI e João Paulo II, ou se será mais aberto ao diálogo. Se manterá a agenda conservadora ou proporá uma mais progressista em resposta às demandas da pós-modernidade. Se reverá seu reposicionamento quanto à ordenação feminina, ao aborto, à homossexualidade, aos métodos contra-conceptivos, ou seguirá firme seu atual posicionamento. Sem dúvida, há valores que devem ser mantidos, ao passo que há outros que necessitam revisão. Particularmente, torço para que se eleja um papa latino-americano, quiçá um brasileiro, que esteja mais alinhado com as aspirações dos nossos povos e que, ao mesmo tempo, não tenha medo de promover um retorno às Escrituras e o rompimento com dogmas que não sejam por elas amparadas. 

Para quem se interessar mais sobre nossa linha de interpretação escatológica, recomendo a leitura dos seguintes sites:



[1] Belial - Um dos nomes pelos quais Satanás é apresentado na Bíblia e na cultura judaica.
[2] Ascensão de Isaías 4:2
[3] CHAMPLIN, R.N., Enciclopédia da Bíblia, Teologia e Filosofia, vol.3, pág.291.
[4] Embora acreditemos que os 42 meses devem ser interpretados, a priori, como sendo figurativos, é interessante frisar que a perseguição empreendida por Nero aos cristãos teve a duração de exatos 42 meses.
[5] Escriba - Um erudito ou autoridade na Lei. Os escribas eram ligados ao partido sacerdotal. Mais tarde, passaram a ser chamados de “rabinos”. Havia escribas sacudeus e fariseus.
[6] Fariseus - Partido religioso judaico extremamente legalista, que diferia dos saduceus quanto à crença na imortalidade da alma, na existência dos anjos, e na aceitação de todo cânon judaico (os saduceus só aceitavam o Pentateuco).
[7] Confira ainda Atos 17:7, onde os judeus acusaram Paulo e Silas de procederem contra os decretos de César, por dizerem que havia outro rei, Jesus.






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“O demônio sempre procurou privar o mundo da Missa, por meio dos hereges..."



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