domingo, 23 de abril de 2017

INQUISIÇÃO - ESPECIALISTA RECOMENDA QUE OS CATÓLICOS NÃO SE SINTAM ENVERGONHADOS DE SUA HISTÓRIA

Inquisição: Isto recomenda especialista não crente a católicos envergonhados de sua história


Dra. Maria Elvira Roca / Crédito: Diocese de Málaga


MÁLAGA, 07 Abr. 17 / 04:30 pm (ACI).- A docente, filóloga e doutora em literatura Maria Elvira Roca Barea gerou um intenso debate após a publicação de um livro no qual explica as “lendas negras” instaladas em alguns períodos da história, como a Inquisição Espanhola.
Em uma entrevista à Diocese de Málaga, a autora de “Imperiofobia e leyenda negra” (“Imperiofobia e lenda negra”), que não professa nenhum credo, recomendou aos católicos não terem um sentimento de culpa pela Inquisição que, embora tenha existido, foi uma “pequena instituição que nunca teve a capacidade de influenciar decisivamente na vida dos países católicos e da Espanha”.
“O mecanismo da lenda negra funciona sempre não com uma mentira absoluta, o que se diz costuma ser verdade. O que acontece é que se magnifica e se cala todas as outras coisas”, ressaltou a ex-professora da Universidade de Harvard e pesquisadora do Conselho Superior de Pesquisas Científicas da Espanha.
A autora acrescentou que esse sentimento de culpa que permanece até hoje surgiu no século XVIII após o período do Iluminismo, quando “os intelectuais espanhóis começaram a assumir como verdadeira essa versão da história que diz que a Espanha teve culpa por todas as guerras de religião”.
Na verdade, precisou, alguns grupos geraram nas pessoas a crença de que foi “a intolerância religiosa dos católicos, com a Espanha na liderança, que causou essas guerras e que justifica todas as atrocidades que aconteceram na Europa nos séculos XVI e XVII, etc.”.
Roca Barea acrescentou que, a partir deste momento, novos intelectuais converteram aquela visão na versão oficial da história espanhola, que é “assumida por eles como verdade”.
Os erros sobre a Inquisição Espanhola
Entretanto, a especialista indicou que naquele tempo a intolerância no tema da religião foi “o modo de pensar de todos”, por isso, dizer que nesse sentido os espanhóis foram intolerantes por causa da Inquisição “é a falsidade de todas as falsidades”.
“O que devemos ver é de que modo era controlada essa intolerância religiosa em cada local e, desde o princípio, foi muito mais civilizada e mais compreensiva no lado católico e logo na Espanha”, acrescentou.
A especialista citou como exemplo a Inglaterra ou os principados luteranos protestantes no norte da Europa, onde as perseguições foram “horríveis”.
“Aparte – continuou – todo o fenômeno de caça às bruxas, absolutamente demente, que causou milhares de mortes. Isso não aconteceu no mundo católico e nem na Espanha porque existia a Inquisição, que evitou aquelas barbaridades”.
Roca Barea disse que a Inquisição católica foi “uma instituição muito organizada, muito mais regulamentada do que qualquer outra em seu tempo e na qual a religião continuava sendo tema de religião e não do Estado”.
“Tratava-se de delitos que ainda hoje são tais, como por exemplo, os que eram conhecidos como delitos contra a honestidade: o lenocínio, a pedofilia, o tráfico de pessoas, a falsificação de moedas e documentos... Tinha um campo muito amplo de trabalho”.
Rocha Barea revelou que “todas e cada uma das sentenças de morte” que foram assinadas na Espanha foram “muito bem documentadas” nos estudos como os do professor Contreras ou o de dinamarquês Henningsen.
“A Inquisição julgou cerca de 44.000 casos entre 1560 e 1700, causando a morte de aproximadamente 1340 pessoas. E essa é toda a história. Calvino colocou 500 pessoas na fogueira em apenas 20 anos por heresia”, detalhou.
Igreja Católica deve se defender
Por outro lado, a autora manifestou os católicos não “podem ter” esta atitude de “perder a batalha cultural”.
“Deve reagir, porque não é prejudicial apenas para os católicos, crentes ou não crentes, mas para o mundo que a Igreja Católica gerou”, acrescentou.
A especialista disse que “a religião católica foi responsável por conquistas muito importantes, coisas muito boas que fez pelo mundo e pela sociedade”. “Por que não ensina esse lado de si mesma que é lindo e que mereceria ser mais conhecido?”.
“Embora eu não seja crente, levo os meus filhos na catequese e tenho as minhas discussões com o sacerdote do bairro. Digo-lhe: ‘Vamos acabar sendo os agnósticos e ateus de boa vontade os que limparemos o nome da Igreja, porque vocês tem uma passividade absolutamente incompreensível’”, enfatizou Roca Barea.
Finalmente, a especialista também criticou aqueles que pensam que agir contra o catolicismo é sinônimo de “modernidade”, porque não percebem que estão “matando” a si mesmos, “sendo crentes ou não crentes”.
“Porque você está renegando o seu passado e os seus antepassados e essas são as bases que nos sustentam. E sem eles, desabamos. E se nós desabamos, outros ficarão em cima”, concluiu.

FONTE: ACIDIGITAL

sexta-feira, 14 de abril de 2017

ELES NOS INTRODUZIRÃO EM SUAS MORADAS QUE SÃO OS "TABERNÁCULOS ETERNOS"

/// Mauricio Jose Pereira - ... Perguntas para meditação:Por que o Catolicismo se apega tanto ao texto de Mt 16:18, a ponto de rejeitar a gramática grega e o contexto bIBLICO... Perguntas para meditação:Será que Pedro teve a primazia entre os apóstolos? Ou ele foi igual aos demais apóstolos? O que a Escritura Ensina a respeito... Como pode o Papa ter poder pleno e universal sobre a Igreja de Cristo, uma vez que ele não é o dono dela?... Se a Igreja Católica é infalível, porque as indulgências do século XVI foram consideradas um pecado da Igreja? Será que a Igreja Católica realmente é infalível? Será que os apóstolos eram infalíveis? Ou será que eles precisam aprender sempre...
OBSERVAÇÃO - A resposta sem nexo do Maurício se deve à menção errada que fiz que foi Lc 10,16 em vez de 16,9. Poderia apenas corrigir reeditando a mensagem (no Facebook), mas, EM TODAS AS QUESTÕES DEVEMOS SER LEAIS, MORMENTE QUANDO ESTAMOS EVANGELIZANDO.







Questões que nada têm a ver com Lc 16,9. Foi você mesmo que disse: "Outros motivos dizem respeito ao fato de que não precisamos de seus auxílios" ao que respondi: "Ver Lucas 16,9 embora eu ache que não vá entender o que ali está escrito":

"Eu vos digo: fazei-vos amigos com a riqueza injusta, para que, no dia em que ela vos faltar, eles vos recebam nos tabernáculos eternos." (Lc 16,9)

Ainda tenho a pachorra de perguntar para você, embora saiba de antemão que irá contornar. Não obstante, acho que os demais evangélicos ou católicos poderão responder:

- Que você entende por TABERNÁCULOS ETERNOS? Quem serão esses nossos amigos que nos introduzirão nessas suas moradas? Como é que eles se tornarão nossos amigos? Porventura, não eram eles aqueles devedores de "nosso patrão" aos quais, nós, como administradores dos bens que nos foram confiados, beneficiamos dando-lhes grandes descontos? (leia a parábola do "administrador infiel" que se encontra em Lc 16, 1-9) Se você leitor souber responder, por favor, prestigie-me com sua estimada resposta.

quinta-feira, 13 de abril de 2017

MILAGRES EM "NOSSO" MEIO É FEITO NA PESSOA GLORIOSA DE JESUS


Oswaldo De Paula Garcia /// CHAMAM-SE DE SANTOS a todos os que foram chamados a ser santos (Romanos 1, 7).
E, PARA ALGUÉM SER DECLARADO SANTO PELA IGREJA QUE SE FAZ NECESSÁRIO? QUE SERÁ PRECISO APÓS SUA MORTE?

Encontrei a seguinte resposta: "É necessário a comprovação de um milagre post mortem para a beatificação e, depois, de outro milagre para a canonização. O Milagre é um evento extraordinário, que não tem explicação científica, onde se atribui a intercessão daquele ao qual se postula a beatificação ou canonização".

Os Evangélicos têm algum santo que fez algum milagre após sua morte? E antes?

Os católicos tiveram muitos santos antes de Cristo com muitíssimos milagres pelos quais eram distinguidos pelos céus como legítimos enviados.
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Há milagres entre os Evangélicos que podem suportar uma análise rigorosa de peritos de renome?

/// Mauricio Jose Pereira  - Para começar os milagres em nosso meio é feito na pessoa gloriosa de JESUS, santos, são todos quantos o receberam aos que crêem no seu nome,deu-lhe o poder de serem feitos filhos de DEUS. 2 Jo 1;12.
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R E S P O S T A:

DEUS NÃO OPERA MILAGRES EM MEIOS HERETICAMENTE CONTAMINADOS, CASO CONTRÁRIO, ESTARIA AUTENTICANDO O ERRO E A MENTIRA, COMO SE FOSSEM VERDADES E ISSO É CONTRÁRIO À PERFEIÇÃO DE SUA NATUREZA DIVINA.

Nos meios rebelados protestantes, ditos evangélicos, nunca houve e jamais poderá haver um único milagre VERDADEIRO como acontece aos milhares nos meios católicos.
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Resultado de imagem para milagres verdadeirosOs falsos milagres não suportam uma análise rigorosa científica sem que acabe sempre demonstrando tratar-se de reles fenômeno natural inteiramente explicável tais como enganos, efeitos hipnóticos ou simplesmente truques para enganar pessoas incultas e crédulas. 

Os milagres verdadeiros arrostam todo tipo de exames por mais severos que sejam e estes acontecem, aos milhares, na Santa Igreja Católica, a única que foi instituída por Nosso Senhor Jesus Cristo, o Verbo de Deus Encarnado.

Por mais de 20 anos desafio os evangélicos a mostrar um único milagre acontecido em seus e que tenha sido examinado com todo o rigor da ciência e, até hoje, aguardo sem nenhuma resposta da parte deles.

IMAGEM: O MILAGRE DA DISTENSÃO DE UM BRAÇO ENCOLHIDO OPERADO POR UMA FALSO PASTOR :





quarta-feira, 12 de abril de 2017

ASSEMBLEIA DE DEUS ADERE ÀS IMAGENS





Assembleia de Deus adere às “imagens” na festa dos 100 anos


A Igreja Assembleia de Deus, umas das mais tradicionais do meio evangélico, está celebrando seu centenário de fundação. Em 2014 foi a vez de comemorar os 100 anos de presença no Ceará.




Maria de Nazaré, precursora da Assembleia de Deus no Ceará. Maria de Nazaré, precursora da Assembleia de Deus no Ceará.

O ápice das festividades se deu em uma grande festa celebrada na Arena Castelão neste sábado, dia 6, para um público de mais de 60 mil pessoas. O Governador do Estado Cid Ferreira Gomes esteve presente e deu uma palavra de felicitação à denominação. 
Ao contar a história para os presentes, jovens da igreja passearam pela Arena com imagens  dos precursores da igreja no Ceará. O banner gigante de Maria de Nazaré, uma das primeiras missionárias da Assembleia de Deus, foi entronizado junto às reproduções fotográficas  de outros líderes aclamados como heróis na fala do narrador.




Antigos líderes da Assembleia de Deus foram  lembrados como herói da fé.Antigos líderes da Assembleia de Deus foram lembrados como herói da fé.

Ao final da apresentação das imagens os voluntários que introduziram as fotos em uma espécie de livro de história gigante ajoelharam-se e silenciaram. O público ovacionou com “Glória a Deus” e um hino da Harpa Cristã. 
Comentário 
O inusitado é que a igreja até então condenava o uso de imagens por parte dos católicos. Segundo esta ala evangélica  a reprodução de qualquer imagem em igreja  é reprovada pela Bíblia, o que costumam chamar de idolatria. A partir do que costumam julgar os católicos estaria a Igreja Assembleia de Deus aderindo à idolatria ou terão de concordar que a irmã mais velha na fé não é idólatra, mas apenas tem os santos como servos fieis de Deus que em vida consumiram suas vidas pelo Evangelho?




Jovens da Assembleia de Deus ajoelham-se e silenciam após exposição de imagem de antigos líderes da Igreja. Jovens da Assembleia de Deus ajoelham-se e silenciam após exposição de imagem de antigos líderes da Igreja.

                 Mais imagens  da Festa
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ASSEMBLEIA DE DEUS - MOMENTO MÁXIMO DE ADORAÇÃO DE IMAGENS 
E OBJETOS - NOVA IGUAÇU
FONTE - O POVO - ONLINE

segunda-feira, 10 de abril de 2017

sábado, 1 de abril de 2017

PROTESTANTISMO: DA SEGUNDA UNIÃO AO AMOR LIVRE PELO DIVÓRCIO E A POLIGAMIA

Da ‘segunda união’ ao ‘amor livre’ pelo divórcio e a poligamia


Hnrique VIII, com a terceira mulher Jane Seymour
de quem divorciou logo a seguir, (Hans Holbein).
Também aqui um exemplo do alto devia inaugurar ruidosamente na cristandade o divórcio sancionado pelas autoridades religiosas da Reforma.

Depois de 19 anos de união conjugal com Catarina de Aragão obcecado por uma paixão ilegítima, pediu Henrique VIII a dissolução do matrimônio sob pretexto de nulidade. 

Negou-lha a Igreja, que à complacência de frontes coroadas nunca sacrificou um princípio moral. 

Henrique rompe com a Sé Apostólica; a Tomás Moore, que, com serena hombridade, lhe repetia o non licet do Batista, manda, novo Herodes, decepar a cabeça; arvora-se em reformador e une-se com Ana Boleyn, que manda decapitar quatro meses depois. 

No dia da execução, o rei vestiu-se de branco e na manhã seguinte esposa Joana Seymour. Falecida Seymour a breve trecho, une-se a Ana de Cleves, para despedi-la logo, porque lhe não agradava. 

Agrada-lhe, porém, Catarina Howard, mas por pouco; seis meses apenas volvidos, manda cortar-lhe a cabeça por adultério. Finalmente casou com Catarina Paar, que sobreviveu ao tirano, e duas semanas depois da sua morte, já havia contraído novas núpcias. 

Fonte: Cfr. Dixon (protestante), History of the church of England from the aboliton of the roman jurisdiction, I, 384; II, 327; III, 9.

E mister retroceder aos anos de decrepitude do paganismo e às monstruosidades impudicas e sanguinárias de Calígula ou de Tibério, para encontrar espetáculo semelhante. E foi neste charco de lodo e sangue que se embalou o berço da Reforma na Inglaterra!

Jan van Leiden, líder da seita extremista 'anabatista'
instalou em Münster um regime teocrático comunista e com poligamia.
O divórcio é uma poligamia sucessiva. Quem o autorizou, por que havia de recuar diante da poligamia simultânea? 

Por que não havia de pregar para o homem “os costumes fanerógamos”, que mais tarde reclamará Fourier? Foi quanto fez o protestantismo. 

Os anabatistas logo de princípio professaram e praticaram, sem pejo, a mais desavergonhada poligamia. João de Leida, um dos seus chefes, contava nada menos que 14 mulheres. 

Direis: extremos de uma facção que se atirou logo à nimiedade dos mais escandalosos excessos de que se não deve responsabilizar toda a Reforma. Não, engano. 

O ponto foi estudado, discutido, à luz das Escrituras já se vê, e sancionado pelos grandes mestres da seita.
Num comentário sobre o Gênese, afirma Lutero que “não é proibido ao homem ter mais de uma mulher”. Havendo Carlostadt autorizado uma bigamia, o chefe, consultado, respondia a 13 de janeiro de 1524:

“Confesso chãmente não poder proibir que alguém tenha muitas mulheres. À Escritura não repugna; não quisera, porém, ser o primeiro a introduzir este exemplo entre cristãos”.

Fonte: De Wette, II, 459.
Em 1527:

“Não é proibido que um homem possa ter mais de uma mulher; eu ainda hoje não o poderia impedir, mas não o quero aconselhar”.

Weimar, XXIV, 305.
O mesmo repete em 1528, Weimar, XXVI, 523 e em 1539, De Wette, VI, 243. No De Captivitate Babyloniae (Weimar, VI, 558) aconselha dessasombradamente a poligamia e a poliandria.

Um episódio tirou-o logo desta hesitação e ofereceu-lhe a oportunidade de uma aplicação solene de sua edificante teoria.

Felipe, landgrave de Hesse, não estava satisfeito com uma só esposa; queria outra de sobressalente para as freqüentes viagens fora dos seus domínios. 

Uma segunda consorte volante, além de muitas outras vantagens, representava a economia de enorme dispêndio no deslocamento da corte. 

Mas, evangélico de consciência delicada, queria estar em paz com Deus e a sua igreja. Recorre, para isto, aos representantes autorizados do novo cristianismo. 

Felipe, landgrave de Hesse: Lutero lhe autorizou ter várias mulheres.
Felipe, landgrave de Hesse: Lutero lhe autorizou ter várias mulheres.
Na instrução dada a Bucero, o príncipe luterano declarava “que não queria por mais tempo ficar nos laços do demônio, mas que, para se libertar deles, não podia nem queria tomar outra via senão a que indicava (a da bigamia), e, por isso, pedia a Lutero, a Melanchthon e ao próprio Bucero que lhe dessem uma declaração por escrito, autorizando a segui-la”. 

Assim, acrescentava ele, “se poderia viver mais alegremente, morrer pela causa do Evangelho, e empreender-lhe a defesa” contra os adversários. 

Uma vez obtida a almejada licença, “far-lhes-ia tudo o que razoavelmente lhes pedissem como os bens dos mosteiros ou outras coisas semelhantes”. Em caso de recusa, ameaçava-lhes politicamente de recorrer ao imperador.

O landgrave sabia tocar todas as teclas sensíveis aos reformadores: o receio de um apelo ao imperador (era Carlos V), a perspectiva de novos bens eclesiásticos, a promessa de pôr as armas ao serviço do evangelho contra os papistas. 

Quem, por um pontinho insignificante de moral cristã, havia de resistir à bateria de tantas seduções?

Reuniu-se o conselho, folheou-se a Escritura... e tudo se pôde legitimar. “Em consciência tranqüila podia o landgrave esposar segunda mulher, se a isto estivesse decididamente resolvido, contanto que o caso se conservasse secreto”. 

O crime, praticado às ocultas, deixava de o ser. De fato, o segundo matrimônio foi celebrado em forma. 

O príncipe declarou tomar segunda esposa “não por leviandade ou curiosidade”, senão por “necessidades inevitáveis do corpo e da consciência, que sua alteza havia explicado a muitos doutos, prudentes, cristãos e devotos pregadores, os quais lhe haviam aconselhado de assim tranqüilizar a alma e pôr em paz o espírito”, escrupuloso e delicado. 

Com efeito, o precioso documento de autorização havia sido assinado por Lutero, Melanchthon, Bucero e cinco outros evangélicos teólogos de Wittemberga. 

Fonte: Quem não dispuser de outros livros à mão poderá consultar os documentos autênticos deste edificantíssimo episódio em Bossuet, Histoire de variations, em anexo ao l. VI, ou melhor ainda em Janssen, Geschichte des deutschen Volkes,III (17-18), pp. 450-454, onde vêm indicadas as fontes.




Extinguindo a santidade do matrimônio com a pastoral ‘misericordiosa’ de Lutero


Martinho Lutero arvorou o estandarte da incontinência e atraiu os que são consumidos pelas paixões animais.
Martinho Lutero arvorou o estandarte da incontinência
e atraiu os que são consumidos pelas paixões animais.
Custa a crer, mas a realidade histórica entra-nos pelos olhos com a força convincente de uma evidência irrecusável.

O exemplo do landgrave não ficou sem imitadores nas cortes protestantes. Jorge IV (m. 1694), príncipe eleitor da Saxônia, vivendo a primeira mulher, casou-se publicamente com uma concubina, alegando a autoridade da Escritura e os exemplos de concessão semelhante outorgada “pela nossa igreja”. 

Frederico Guilherme II, que já tinha dado a mão direita à rainha, deu a esquerda a Júlia de Voss. 

O Rev. Zoellner pregador da corte a 25 de maio de 1787 abençoou o novo matrimônio na capela do castelo de Charlottemburgo. Eberardo Luís (m. 1739), duque de Würtemberg, Carlos Luís (m. 1680), príncipe eleitor palatino, Frederico IV (m. 1730) rei da Dinamarca, com público matrimônio, duplicaram solenemente as respectivas esposas.

A abolição do celibato, a permissão do divórcio, a sanção oficial da poligamia, pregadas, praticadas, inculcadas, autorizadas pelos chefes reformistas, fácil é de ver que repercussão corruptora teriam nas multidões iluminadas pela luz do novo e consolador evangelho. 

A dissolução extravasou como uma cheia imunda e ameaçou afundar a sociedade numa inundação de lama. Aos documentos.
Em 1552 escrevia Staupitz a Lutero que a sua doutrina só era abraçada pelos que “lupanaria colunt”Fonte: De Wette, II, 215.

“Sob este reino do Evangelho, dizia Wizel, vêem-se homens e mulheres que no mesmo dia da morte do próprio consorte já se ocupam em lhe dar sucessor.

“Há quem creia de boa fé ser consoante ao espírito do evangelho não ficar um instante sem mulher e tema pecar conservando-se alguns meses em estado de viuvez”.

Fonte: Wizel, Von den todten und ihrem Begraebnisse,Leipzig, 1536, G. a B.
“Desde que Lutero, é Czecanovius quem fala, arvorou o estandarte da incontinência, todos os que comem, bebem e sentem o aguilhão das paixões animais, correram sem pejo a alistar-se sob a nova bandeira. 

Os jovens não cessam de entregar-se abertamente à dissolução... e as jovens desonradas sabem, como os jovens, entrincheirar-se nos seus vícios com as leis de Lutero”.

Extinguindo a santidade do matrimônio com a pastoral ‘misericordiosa’ de Lutero o inferno entrou na família.
Extinguindo a santidade do matrimônio com a pastoral ‘misericordiosa’ de Lutero
o inferno entrou na família.
Fonte: Sylvester Czecanovius, De corruptis moribus utriusque partis, pontificorum videlicet et evangelicorum, s. l. et a. F. 3. ss.
A imoralidade subiu a tal ponto que no dizer de Ossiandro (1537):

“coisa monstruosa! a inocência e a honra das mulheres correm justamente maiores perigos entre os que mais interesse têm em conservá-las, entre os próprios parentes”.
Fonte: Osiander, V. d. verbotenen Heirathen,A. 2.
Aos lamentos individuais vêm associar-se as medidas de ordem pública.
Em Norimberga vemos que nos anos de 1524, 1525 e 1527 o conselho não pôde dar vazão aos processos de bigamia que se amontoavam de um dia para outro; por este motivo, dirige-se aos doutos para saber que providências cumpria adotar a fim de obviar as graves consequências da nova doutrina sobre o matrimônio.

Fonte: Cfr. Nürnberg Rathsbücher,1524, Fasc. III, fol. 6; 1525, Fasc. XI, f. 9, II, 16; 1527; Fasc. XIV, f. 2, 5.
Em Würtemberg, no ano de 1534, promulga-se uma ordenação contra as pessoas brutais que, conculcando os sentimentos do pudor mais rudimentar entre povos civilizados, não se pejavam de contrair matrimônios com consanguíneos do 3º e 2º grau (entre irmãos e irmãs: Lutero declarara lícitas semelhantes uniões). 
Na lei sobre o matrimônio publicada em 1586, na mesma cidade, queixava-se o legislador “que a dissolução se tomava tão comum que apenas se considerava como pecado”.

Fonte: Sattler, Würtemberg, Gesch, III, Beil, p. 140; V. 102.
No principado de Ansprach, uma memória dirigida em 1530 ao margrave Jorge pede-lhe:

“a fundação nos seus estados de um tribunal matrimonial para dar despacho ao grande número de petições de separação e processos de adultério, para os quais já não eram bastantes os juízes ordinários”.

Dois anos depois André Altamer suplicava de novo ao príncipe

“quisesse levar em séria consideração a frequência, de dia para dia, mais notável, dos adultérios, a fim de que se possam determinar os meios de repressão de tão grande mal e ao mesmo tempo pôr obstáculos ao divórcio e ao concubinato que, a se descurarem, acabarão por invadir toda a sociedade”.

FonteReligionsakta, t. XI. Ver a miscelânea em apêndice.
Trocava-se de mulher como se troca de roupa branca ou de cavalo
Trocava-se de mulher como se troca de roupa branca ou de cavalo
Na Saxônia, na Prússia, no Brunswick e no Hannover idênticas providências públicas contra a corrupção introduzida pela Reforma.

Fora da Alemanha, o puro evangelho produziu os mesmos efeitos desastrosos.
Na Dinamarca, Frederico II, em 1576, toma sérias medidas contra as transgressões do 6º mandamento.

“Assim o fazemos, rezava o decreto, em consideração das inumeráveis queixas que nos chegaram da medonha libertinagem que reina presentemente em nossos estados entre jovens e senhoras casadas. ...”

Na Suécia, uma ordenação de 1554 chama a atenção dos magistrados contra o mesmo vício,

“visto como os habitantes das fronteiras que fazem frequentes viagens entre a Suécia e a Dinamarca não costumam ligar grande importância aos vínculos contraídos, tomam e deixam sucessivamente várias mulheres como quem muda de roupa branca ou de cavalos”.

Na Noruega, dirigida a Frederico IV em 1714, os “bispos” confessam que:

“com exceção de poucos filhos de Deus, entre nós e os pagãos, nossos ascendentes só há uma diferença: é que nós temos o nome de cristãos”.

Fonte: Cit. por Doellinger, Kirche und Kirchen, München, 1861, p. 362.
Na Inglaterra, o próprio Henrique VIII declara ao parlamento que as consequências imediatas da Reforma foram

“a caridade esmorecida, a lei de Deus desprezada, a avareza, a opressão, o homicídio, a venalidade da justiça, a corrupção do clero, o adultério, a libertinagem, a inveja nos grandes, a insolência e a revolta do povo”. 

Fonte: Cit Aug. Nicolas, Du protestantisme et de toutes les hérésies dans leur rapport avec le socialisme, L. III, c. 4 (na trad. italiana, Milano, 1857, p. 238).




O ‘reino do Evangelho’ vira ‘império da embriaguez e de todos os vícios’


Lutero: “Quando eu era jovem, a embriaguez era uma grande ignomínia ... (agora) a Alemanha é um país pobre,ferido pelo diabo do copo e de todo submergido neste vício” Ilustração: 'O vinho da festa de São Martinho'. Pieter Bruegel (1525-1530 — 1569), detalhe.
Lutero: “Quando eu era jovem, a embriaguez era grande ignomínia
... (agora) a Alemanha é um país pobre, ferido pelo diabo do copo
e de todo submergido neste vício”
Ilustração: 'O vinho da festa de São Martinho'.
Pieter Bruegel (1525-1530 — 1569), detalhe.
Companheiras inseparáveis da impureza são a embriaguez e a crápula; uma não cresce sem que se desenvolvam as outras. 
“Os nossos bons velhos, diz o reformador Diogo André, não admitiam os bêbados em nenhuma função pública; o mundo os detestava; as crianças perseguíam-nos nos campos com gritos e apupos como a seres abjetos e opróbrio da espécie humana.

“Ora, se estes eram os sentimentos dos nossos pais, num tempo em que o mundo vivia ainda nas trevas da idolatria papística, como nos poderemos justificar diante de Deus, nós que retouçamos na crápula entre os esplendores da luz evangélica?

“Perguntará talvez alguém como explicar que poucos anos tenham bastado a soltar as rédeas a vicio tão execrando e que os nossos maiores tinham em tanto horror.

“Ao que responderei que só por malefício do demônio se poderá explicar tão grande mal”.

Fonte: Jacobus Andreas, Erinnerung nach dem Lauf der Planeten gestellt, Tübingen, 1568, p. 440.
A Festa de Baco, Diego Velázquez  (c.1628-9)
Veit Dietrich: “de todos os lados se clama que os homens
são hoje piores que antes da propagação do evangelho...
não se via outrora esse exército de sórdidos avarentos e onzeneiros”.
A Festa de Baco, Diego Velázquez  (c.1628-9)
Com André concorda o próprio Lutero. 
“Quando eu era jovem, a embriaguez era uma grande ignomínia na nobreza... mas presentemente ela é mais frequente entre os nobres que entre os camponeses.

“Seu horror e vergonha contaminou também a juventude que aprende dos velhos... Por isso, a Alemanha é um país pobre, castigado e ferido pelo diabo do copo e de todo submergido neste vício”.

Fonte: Erl., VIII, 293 ss.
Leia-se todo este lugar. Por esse tempo chegou a formar-se na Alemanha uma ordem de beberrões, provavelmente em substituição das antigas ordens monásticas.

Primeira condição para ser nela admitido era a capacidade de beber bem. O resto seguia-se naturalmente...

Nos charcos da dissolução não há seiva para o espírito de sacrifício e sem sacrifício definha e morre a mais bela das virtudes, a caridade cristã. 

Em seu lugar crescem e desenvolvem-se todos os vícios que gravitam em torno do egoísmo: avareza, usura, rapacidade, ambição, opressão de fracos e pobres. é o triste espetáculo que ainda nos oferece a Reforma. 
“De todos os lados se clama que os homens são hoje piores que antes da propagação do evangelho. Com efeito não se via outrora esse exército de sórdidos avarentos e onzeneiros que são a vergonha do nosso tempo...

“Os que outrora eram acusados de usurários eram santos em confronto destes ignóbeis judeus que, se bem se contem entre as pessoas honestas, engordam hoje com a substância dos pobres...

A tentação de Santo Antônio.  Hyeronimus Bosch (ca. 1450-1516), detalhe.
A tentação de Santo Antônio.
Hyeronimus Bosch (ca. 1450-1516), detalhe.
“De que poderá isto provir? O mundo acusa a boa semente, a santa palavra e é natural.

“Os papistas, nossos adversários, não são tão cegos que não vejam o escândalo, a avareza, o egoísmo, a cobiça, a usura, o orgulho, o luxo, a intemperança, a blasfêmia, a libertinagem, a mentira, etc., que se acobertam com o Evangelho. 

“Dizem que todas estas abominações são seus frutos. Se a doutrina fosse boa, argumentam eles, os costumes seriam como ela. Não há dúvida que tudo isso causa grande prejuízo ao nosso evangelho”.

Fonte: Veit Dietrich, Kinderpostille, Nürnberg, 1546, f. 34, 62, 76..
Excelente, precioso evangelho!
“Lançai um olhar sobre as transações cotidianas assim entre pastores: como entre a gente do mundo. Que vedes senão egoísmo, avareza, rapacidade?

“Hoje, reina o dinheiro. Combatem-se, dilaceram-se, arruínam-se mutuamente os homens só por havê-lo...

“Refinaram com tanta sutileza os meios de ganhar e gozar que se chegou a perder o sentimento da vergonha e do opróbrio... 

“Não há mais consciência, não há mais remorso desde que os homens se persuadiram que as obras não valem e que só a fé basta para a salvação”. 

Fonte: Frank's Chronik, I, F. 262, a. b. Ed. 1565.
Infelizmente é-me necessário ter mão nas citações, que se poderiam ainda multiplicar sem outra dificuldade que a da escolha. 




Desaparição do amor e do respeito ao pobre


Não posso, porém, deixar de chamar a atenção dos leitores para as modificações introduzidas pela Reforma nas relações de caridade entre ricos e pobres.

A introdução do protestantismo vibrou um golpe de morte contra o espírito da fraternidade cristã. 

Desapareceram o amor e o respeito ao pobre. 

Aboliram-se, aos poucos, os santos costumes que tanto contribuíam para estreitar os laços de simpatia entre os que a Providência desigualou na fortuna. 

É impossível não ver nesta ruptura com as tradições da genuína caridade cristã a primeira origem das rivalidades e ódios de classes que, aumentando com a revolução francesa, vieram em nossos dias a desencadear-se como verdadeiro cataclismo social, que ameaça a estabilidade da civilização moderna.

Fiéis ao nosso programa, demos a palavra a testemunhas contemporâneas. 
“No passado havia cristãos que amavam os pobres ao extremo de chamá-los seus senhores, seus filhos; lavavam-lhes os pés; davam-lhes de comer, serviam-nos à mesa como nosso Senhor Jesus Cristo.

“Hoje, se lhes proíbe a entrada nas cidades; expulsam-nos e fecham-lhes a porta no rosto como se foram réprobos e inimigos públicos...

“Que purificação da Igreja! Que Reforma! Que elementos de união e de concórdia!”.

Fonte: Wizel, Relectio luterismi, II, f. 91-246.
Falando do pauperismo na Inglaterra, tivemos ensejo de notar como entre os protestantes se perpetuou semelhante maneira de tratar a pobreza desvalida.
“Era uso antigo na Saxônia, diz-nos outro reformador, quando se convidava algum estranho, de trazer uma grande bandeja, chamada a bandeja de Deus, na qual de todos os pratos se punha uma porção para os pobres.

“Este caridoso uso infelizmente já vai muito em decadência nas nossas famílias. Era também costume nos domingos e dias de festa oferecer jantar a algum pobre pensionário do hospital ou a outro indigente.

“Hoje só em poucas famílias se conserva esta boa usança”.

Fonte: Chemnitz, Postille, p. 517. Sermão para a XVII Dom. depois da SS. Trindade.
Façamos ponto aqui e concluamos. Evidentemente, a Reforma traz no seu nome o mais pungente dos epigramas. A história no-la mostra, como um grande aborto moral.

Em baixo deste quadro de cores tão carregadas escrevei as inocentes palavras do Sr. Carlos Pereira: 

“A Reforma pôs um dique a esses desregramentos... o puritanismo protestante salvou o mundo da completa dissolução dos costumes”. 

Bibliografia.


BalmesEl protestantismo comparado con el catolicismo,c 23-32;

Baudrillart, L'Eglise calholique, la Renaissance et le Protestantisme, Paris, 1908 ;

H. Denifle, Luther und Luthertum in der ersten quellenmaessig dargestellt, Mainz, 1904, t. 1 passim ;

Doellinger, Die Reformation, ihre innere Entwicklung und ihre Wirhungem im Umfange des lutherischen Bekenntnissen,Regensburg, 1846-1848, t. II, pp. 427-452 ; t. III;

GrisarLuther, Freiburg i. B., 1911, c. 21, pp. 538-63 ;

JanssenGeschichte des deustschen Volkes t. VIII, Freiburg i. B., 1894 pp. 359-493;

Auguste NicolasDu protestantisme et de toutes les hérésies dans leur rapport avec le socialisme, l. II, cc. 4-5; l. 111, c 4 ;

Henry O' ConnorThe only reliable evidence concerning Martin Luther, London, Burns & Oates, 1884, pp. 50-57.

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