segunda-feira, 5 de setembro de 2011

NEM IDEIA DE UM PRIMADO ROMANO NOS SÉCULOS I, II E III

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I - A MENTIRA E ONDE SE ENCONTRA











II - A VERDADE


AFIRMAÇÕES E RESPECTIVAS 
RESPOSTAS

1. Onde Está a Tradição do Primado Nos Primeiros Três Séculos? Nos primeiros três séculos não existe nem a ideia de um Primado romano.

RESPOSTA - Nem ideia?  Será que o bispo Ireneu de Lyon, por volta de 2.º século não tinha nenhuma? Leiam uma passagem do que consta em sua grande obra contra os gnósticos:

 
"... Com esta Comunidade [referindo-se à sede episcopal de Roma], de fato, dada a sua autoridade SUPERIOR, é necessário que ESTEJA DE ACORDO toda comunidade, isto é, os fiéis do mundo inteiro; nela sempre foi conservada a tradição dos apóstolos. [...] [Pedro e Paulo] confiaram a Lino o ministério do episcopado. [...] A Lino sucedeu Anacleto. A seguir, Clemente; Clemente vira os apóstolos, conversara com eles e ainda tinha ouvido sua pregação. [...] A Clemente sucedeu Evaristo, e a Evaristo, [sucedeu] Alexandre. Depois, em sexto lugar após os apóstolos, veio Xisto... " (Ireneu de Lião, 180 d.C., Contra as Heresias III,3,2-3). 

Se um escritor, por volta de 180 d.C., escreve que os fiéis de todo o mundo deve estar de acordo com esta autoridade (do bispo de Roma), porventura ele não tem ideia do primado de Roma?


2. Mais uma vez lembro que esta não é uma história do cristianismo e, sim, tão somente dos homens que ocuparam o cargo de bispos em Roma.

R. Nem uma, nem outra coisa! Trata-se apenas de uma historieta inventada sem qualquer embasamento documental. Os argumentos consistem em desqualificar os primeiros escritores cristãos sem, no entanto, apresentar nenhum documento positivo como procedem historiadores verdadeiros e imparciais

3. Existe uma dificuldade muito grande em escrever este tipo de história que estou tentando redigir porque o historiador católico se esforça para justificar e defender a posição do bispo de Roma, interpretando e até forçando o sentido de situações históricas e de documentos que chegaram até nós, não na sua forma original mas através de citações.

 
R. Ahaaaaa!!!!! Concordo apenas no que se refere à dificuldade em se provar a história fictícia tal a que o autor está tentando escrever

Diz que o "historiador Católico" (qual esse historiador?) se esforça para defender o papado... 

Hehehe! Pelo contrário!

Quem está forçando a barra aqui é o autor adventista. Somente uma mente pervertida  poderá fazer tal afirmação. Tirem a prova relendo o texto de Ireneu transcrito acima e percebam se é preciso forçar algum sentido para se acreditar que ele não declarou que os Bispos de Roma devem ser obedecidos pelos fiéis do mundo inteiro. 

4. Veja, por exemplo, o verbete "Papado" na Enciclopédia Mirador, edição 1980, página 8530: "São Clemente I escreveu carta aos Coríntios em 95 ou em 96; esta é uma das primeiras provas do primado romano". Ora, isso só pode ser verdade para quem escreveu o artigo; para outros que gostam de analisar e investigar, esta é uma grande mentira, pois trata-se de uma verdade preconcebida.

R. Vejamos o que foi que São Clemente I escreveu ao Coríntios: (81-96 d.C.) - CLEMENTE DE ROMA  - INTERVÉM NO INCIDENTE DA IGREJA DE CORINTO - "Vós que lançastes os fundamentos da revolta, submetei-vos aos presbíteros e deixai-vos corrigir com arrependimento... é melhor para vós ser encontrados pequenos e dentro do rebanho de Cristo, do que ter aparência de grandeza e ser rejeitados de sua esperança" (Carta de Clemente aos Coríntios em torno de 81 a 96 d.C., cap.57... 59).

Tem mais:
 
CLEMENTE DE ROMA - São Clemente que foi o terceiro sucessor de São Pedro, depois de São Lino e de Santo Anacleto na Sé de Roma, em sua “Epístola aos coríntios” (Ep. 59), no ano 95 ou 96, portanto, ainda no I século da era cristã, e só trinta anos após martírio de São Pedro suplica para que se recebam aos bispos que tinham sido expulsos injustamente dizendo: “Se algum homem desobedecer às palavras que Deus pronunciou através de nós, saibam que esse tal terá cometido uma grave transgressão, e se terá posto em grave perigo”. E São Clemente incita então os coríntios a “obedecer às coisas escritas por nós através do Espírito Santo” (São Clemente, Ep.59). 

Até mesmo um inimigo do Papado - Lightfoot - foi obrigado a confessar que esta carta de São Clemente foi “o primeiro passo para estabelecer a dominação papal” (Clemente, 1, 70). 

O divertido é que, depois dessa  suposta "pretensão" do Mártir São Clemente em ser o chefe da Igreja (século I) e de Santo Ireneu ter declarado que os fiéis do mundo inteiro deveriam estar de acordo com Roma (século II), lá vem um adventista declarar como  suma verdade: "Nos primeiros três séculos não existe nem a ideia de um Primado romano"!!!! Logo um adventista que aceita como verdade, as mentiras de seus falsos profetas William Miller e Ellen Gould White. O primeiro falso profeta marcou o fim do mundo para 10/12/1843 e depois para 22/10/1844. Tudo deu errado!!! Então a falso profetisa Ellen marcou outras datas nas quais, sucessivamente, nada aconteceu: 1847, 1850, 1852, 1854, 1855, 1866, 1867, 1877.

5. Por causa disso, temos centenas de conclusões apressadas que distorcem os fatos e dificultam a pesquisa. Para provar a existência do Primado romano nos primeiros três séculos, citam-se três bispos: Clemente romano, Irineu e Cipriano. Clemente foi bispo em Roma de f (?), 88 a 97 d.C. e tornou-se famoso por uma carta que escreveu aos cristãos de Corinto ("Carta de Clemente romano"; Editora Vozes; Petrópolis; 1971). Quem nos fala desta carta é Eusébio em "História Eclesiástica" (IV; 23,11). Eusébio, que morreu em 340, isto é, pouco mais de 200 anos depois, nos diz que o bispo de Corinto leu essa carta aos fiéis e depois guardou-a como preciosidade por ter vindo de Roma... Duzentos anos depois!! Eusébio nos relata este fato... sem provar!...

R. Aí fico perguntando: que importância tem o ato de Eusébio nos transmitir o fato de que o bispo de Corinto leu a carta de São Clemente e "a guardou como preciosidade"??? Este detalhe, mesmo que fosse apenas invenção de Eusébio - suspeita que o articulista levantou sem qualquer prova - em nada altera a prova de que Roma tinha primazia sobre todas as comunidades do mundo inteiro.
  
Mas, já que estou com a primeira carta de São Clemente em mãos, não me é penoso transcrever mais uma passagem deste valioso documento: "... Recebei nossos conselhos, e não vos arrependereis. Pela vida de Deus, pela vida do Senhor Jesus Cristo e do Espírito Santo, que são a fé e a esperança dos eleitos: aquele que tiver praticado com humildade os preceitos e mandamentos dados por Deus, na simplicidade e perseverando na mansidão, esse será colocado e contado no número dos que foram salvos por Jesus Cristo, a quem pertence a glória pelos séculos dos séculos. Amém. Se alguns desobedecem ao que nós lhe dissemos da parte de Deus, saibam eles que estão incorrendo em falta e não poucos perigos. Quanto a nós, seremos inocentes desse pecado..." (Primeira carta de São Clemente aos Coríntios, 58, 59, 1-2a)

6. Irineu, bispo da Igreja de Lyon que dependia do metropólito de Roma, e morreu em 208, isto é, cerca de 100 anos depois de Clemente romano, deixou escrito em "Adversus Haereses" (III, 3) que Clemente foi o terceiro sucessor de Pedro em Roma, após Lino e Anacleto, e enviou uma carta aos cristãos de Corinto. O que há de interessante nessa carta de Clemente? De interessante há que ele faz uma comparação entre o exército romano e os grupos dos cristãos: para serem invictos como o exército romano, os cristãos devem observar uma severa disciplina eclesiástica onde deve haver uma hierarquia com chefes e subalternos. Com efeito, escreve Clemente, "os apóstolos estabeleceram bispos e diáconos e deram instruções para que, após a morte deles, outros homens comprovados sejam eleitos presbíteros da comunidade" (47,6; 54,2; 57,1).

R. Com efeito, há nesta mesma carta, capítulo 37, a comparação, concluindo que cada um, no seu posto, deveria executar as ordens prescritas pelas autoridades superiores. 

Quanto ao bispo Irineu apenas registra, já em 180 d.C., a confirmação da autoridade de Pedro e de seus legítimos sucessores, pastores plenipotenciários do rebanho de Cristo, segundo esta solene investidura: "... Jesus perguntou a Simão Pedro: Simão, filho de João, amas-me mais do que estes? Respondeu ele: Sim, Senhor, tu sabes que te amo. Disse-lhe Jesus: Apascenta os meus cordeiros. Perguntou-lhe outra vez: Simão, filho de João, amas-me? Respondeu-lhe: Sim, Senhor, tu sabes que te amo. Disse-lhe Jesus: Apascenta os meus cordeiros. Perguntou-lhe pela terceira vez: Simão, filho de João, amas-me? Pedro entristeceu-se porque lhe perguntou pela terceira vez: Amas-me?, e respondeu-lhe: Senhor, sabes tudo, tu sabes que te amo. Disse-lhe Jesus: Apascenta as minhas ovelhas... " (Jo 21, 15-17). Portanto Pedro e seus sucessores devem servir a Cristo em seu posto de mandatários, pastoreando não somente os cordeiros (fiéis), mas também as ovelhas de Cristo (bispos, presbíteros e diáconos). Eis aqui o momento da realização das promessas. O primeiro papa já designado recebe, então solenemente a investidura pontifical, a jurisdição de supremo Pastor: Simão, apascenta os meus cordeiros, apascenta as minhas ovelhas.

Eis a Igreja qual saiu das mãos de Cristo. Aos nossos irmãos rebelados perguntamos agora: que é feito destas magníficas promessas: Onde está a pedra fundamental? Onde o grande edifício: Onde as chaves: Onde o cajado do supremo Pastor? Talvez com Lutero, com Calvino, com Zwinglio, com Henrique VIII? Com quem estará Cristo até a consumação dos séculos: Com quem estava antes que nascesse o monge apóstata? Necessariamente com a Igreja. E como ou quando passou a sua assistência para os rebeldes à autoridade por ele constituída? E onde estão as provas?

A interpretação dos teólogos católicos é que esta carta é o primeiro documento comprovante da supremacia universal (o Primado) do bispo de Roma. No entanto os teólogos luteranos e outros protestantes (S. Jáki; "Les tendences nouvelles de 1'ecclesiologie"; Her-der; Roma; 1957) não vêem nenhum Primado na carta de Clemente.

R. Se os "teólogos luteranos e outros protestantes" admitissem o primado do bispo de Roma certamente seriam católicos e e não protestantes. É claro que não admitem apesar de estar tudo claramente provado. 

OBSERVAÇÃO: O artigo vai bem mais longe. Gravei o restante para responder oportunamente.


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