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terça-feira, 15 de maio de 2012

FILME "LUTERO" - Pe. THEOBALD BEER E O MANIQUEÍSMO DE LUTERO




“Lutero? Delírio Maniqueísta” (Felipe Melanchthon)

Um elemento novo acrescentou contornos dramáticos à análise da doutrina luterana: o estudo do padre alemão Theobald Beer sobre fontes originais – e até então desconhecidas – de Lutero, publicadas em meados da década de 60 sob o título "Der Fröhliche Wechsel und Streit".

As fontes são “anotações autógrafas de Lutero, escritas entre 1509 e 1516 às margens de obras de Agostinho, Pedro Lombardo e outros, e as “Disputas” do período 1535-1545.” (Beer: 54)
O Padre mostrou que Lutero era desde o começo da revolta um gnóstico e maniqueísta, portanto radicalmente contra Santo Agostinho! E mostrou também um Lutero extremamente influenciado pela obra do pseudo-Hermes Trismegisto, o Livro dos 24 Filósofos, traduzido pela Academia Platônica de Florença.


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Imagem acima: Templo do Fogo de Naqsh-e-Rostam, resto arqueológico da religião zoroastrista no Irã. Quando o gnosticismo primitivo já perdia a sua influência no mundo greco-romano, surgiu na Babilônia e na Pérsia, no século III, uma nova vertente, o maniqueísmo. O seu fundador foi o profeta  persa Mani (ou Manés) e as suas ideias sincretizavam elementos do Zoroastrismo, do Hinduísmo, do  Budismo, do Judaísmo e do Cristianismo.






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Para o maniqueísmo, combatido por Santo Agostinho - que pertencera à seita antes da conversão - existem duas divindades em luta, uma boa e outra má. São dois princípios opostos e complementares em luta constante, sendo que o mundo refletiria esse dualismo em todas as coisas. Lutero exprimia-se continuamente de maneira dualista, ora opondo, ora confundindo Cristo e Deus, Deus e o diabo, e mesmo a dupla natureza de Cristo: “deve-se conceder uma hora de divindade do diabo e eu devo atribuir a diabolicidade a Deus” dizia o rebelde alemão! (Beer: 55) 



Também, segundo Lutero, “Cristo não tomou sobre si só uma condição humana geral, mas submeteu-se ao diabo e concorda com o diabo de alguma forma. Ele não assumiu só as culpas, como afirma a fé católica, mas também a disposição ao pecado.” (Beer: 55) 


Agora ficam claras as frases blasfemas de Lutero contra Cristo: na cristologia luterana Nosso Senhor de fato tinha de pecar; para que Cristo pagasse o pecado deveria cometer todos os pecados! Eis a reforma que dizia reconduzir a Igreja à pureza primitiva! 

Dado que Cristo é uma dualidade para Lutero, Ele não pode ser a terceira pessoa da Santíssima Trindade, que encarnando tornou-se uma só pessoa: “Cristo não pode ser “pessoa”, deve ser um “compositum”, pois nele devem coexistir a divindade e a maldição, ou seja, a diabolicidade.” (Beer: 55).

O Padre Beer mostra como essa visão é absurda e condenada desde o Concílio de Éfeso. O próprio Melanchthon irá rejeitar essa e outras proposições escandalosas de Lutero, acusando-o no final da vida de delírio maniqueísta. Lutero dirá, escandalosamente, baseado nesse seu
maniqueísmo, que Cristo “(...) É rocha, pedra angular”. Mas acrescenta: pedra significa peccatum, “ita Christus vere est peccatum” (Assim Cristo é verdadeiramente pecado). Não se trata de uma “pessoa”, mas de duas funções, cuja primeira é proteger-nos da ira divina e a segunda é dar-nos um exemplo.” (Beer: 56) 

Para exemplificar a influência do hermetismo, o Padre Beer mostra que Lutero acreditava que a natureza humana de Cristo era apenas um acidente, assim como o branco está na parede! A
SANTO AGOSTINHO: Os bens
temporais a serviço dos
bens eternos
substância ser eferiria apenas à Sua divindade: “[Cristo] Fala como substância e acidente: a substância é a divindade e o acidente é a humanidade. Muito bem, nesse ponto o modo de pensar e de falar de Lutero vem da tese VI do Pseudo-Hermes: “Deus est cuius comparatione substantia est accidens, accidens nihil” (Deus é aquilo em relação ao qual asubstância é acidente e o acidente é nada). Uma coisa é certa: as suas concepções da Trindade e da divindade e humanidade de Cristo não são as afirmações da Igreja, expressas em todos os Concílios. O próprio Melanchthon se recusou não só a divulgar essas idéias mas até defendeu os decretos conciliares.” Conclui então Padre Beer que em Lutero não há nada de cristianismo, pois ele rejeitou toda a doutrina cristã sobre Cristo e sobre a Trindade. Lutero, numa das anotações recuperadas pelo Padre Beer, mostra-se também claramente em oposição a Santo Agostinho, e em ponto fundamental: “Lutero despreza Santo Agostinho. Nas Confissões, Agostinho ataca o dualismo dos maniqueus e critica a sua concepção de duas divindades em luta. À margem desse trecho, Lutero comentou: “É falso. É daqui que vêm todos os erros de Agostinho”. Portanto, ataca Agostinho onde ele se opõe aos maniqueus. Por isso, Melanchthon o acusou de maniqueísmo depois da morte, porque em Lutero voltamos dois deuses, os dois Cristos.(...)”(Beer: 58) 

Para a grande maioria dos biógrafos luteranos, isso cai como uma bomba: a filiação de Lutero a Agostinho é ponto de honra para os protestantes, que se recusam a ver quanta distância existe entre o santo Bispo de Hipona e o herege de Wittemberg.

Com as anotações descobertas pelo Padre, é Lutero mesmo quem confessa seu anti-agostinianismo! 

Maniqueu que era, Lutero via dualismo em tudo. Além das naturezas opostas em Cristo, há oposição entre Cristo e Deus. Padre Beer nos revela: “Para Lutero (...) Deus é mau em si, é preciso atribuir a diabolicidade a Deus. São Paulo escreveu que em Jesus Cristo habita a plenitude da divindade”, e Lutero comentou: “é bom que tenhamos um homemassim,
porque Deus é em si mesmo mau e cruel.” (Beer: 59) 

Eis o homem. Eis o herói popular. Eis o grande teólogo que só queria reformar a Igreja! Pena que o livro do Padre Beer tenha sido sistematicamente rejeitado pelos patrocinadores do ecumenismo utópico. Como conseqüência, não temos senão o original alemão (por enquanto, inacessível pela dificuldade da língua...), e nenhum comentário a não ser a entrevista à "30 Giorni" donde tiramos essas citações. As descobertas desse Padre liquidam o principal argumento dos reabilitadores do monge alemão: o de que Lutero seria bom no começo, e que a culpa pela separação seria da Igreja Católica. É sobre esse frágil argumento que cem anos de preparação culminaram numa biografia comum a católicos e protestantes. A revelação de que Lutero era desde o princípio um gnóstico e um maniqueu liquida completamente esse esforço diabólico, que trabalhou durante o último século para reabilitar o rebelde alemão e permitiu – em última instância – que fosse possível fazer um filme como esse Lutero.

*** Apesar do boicote à obra de Beer, o que nos alenta é que um personagem extremamente influente leu e aprovou o livro de Beer, expressando-se nestes termos em carta ao Padre: “Considero o seu trabalho muito estimulante. A influência do neoplatonismo, da literatura pseudo-hermética e do gnosticismo, que o senhor demonstrou estar presente em Lutero, apresenta a sua polêmica contra a filosofia grega e a Escolástica em uma luz inteiramente nova. Novo e importante é também o modo como o senhor aprofundou a diferença até o ponto central da cristologia e da doutrina trinitária.”
O autor dessa carta hoje ocupa o trono de São Pedro. Exatamente: o autor da carta é Bento XVI! E Sua Santidade o Papa Bento XVI voltou a denunciar que há lobos... Que Bento XVI denuncie esse grande lobo, hoje coberto com as peles dos cordeiros devorados nesse último século de traições e de sua reabilitação vergonhosa. Como pediu Sua Santidade, rezaremos para que não fuja dos lobos: Oremus pro Pontifice nostro Benedicto. Dominus conservet eum, et vivificet eum, et beatum faciat eum in terra, et non tradat eum inanimam inimicorum ejus. Amen

Pois sabemos que Deus não ignora a história: "Quando os próprios fundamentos se abalam, que pode fazer ainda o justo? O Senhor habita em seu templo, o Senhor tem seu trono no céu. Sua vista está atenta, seus olhares observam os filhos dos homens." (Salmo X, 3-4) 

In Jesu et Mariae

Marcos Libório

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