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segunda-feira, 14 de maio de 2012

FILME "LUTERO" - 22. PSEUDO-CASAMENTO: AMOR E DEDICAÇÃO?





Ora, uma festa de casamento normalmente é alegre, pois foi através da união entre homem e mulher que Deus constituiu as famílias, base da sociedade. Aproveitando-se disso os luteranos usaram a ocasião para amenizar o escândalo de um casamento entre um ex-padre com uma ex-freira. Porém, a realidade foi bem outra. Em seu estilo debochado, Lutero irá dizer sobre seu casamento: “Eu tornei-me tão baixo e desprezível por este casamento (...) que espero que os anjos rirão de mim e todos os demônios chorarão.” (Grisar: 294)



Surpreendentemente, Lutero escreveu a Spalatin para justificar seu casamento nos seguintes termos: “Eu fechei a boca daqueles que difamavam a mim e a Catarina de Bora.” (Grisar: 295) 



Já que alguns Lutero reconhece que quis calar a boca de alguns, que dizer da fama de Catarina? Já o fato de ser ex-freira, fugida de um convento para viver junto com os pseudo-reformadores em Wittemberg seria escandaloso o suficiente. Mas Grisar acrescenta que ela “foi muito ativa no prosseguimento de sua escolha. Ela desdenhou outras alianças que estavam abertas a ela. Sua mente mirava alvos mais elevados. Ou Lutero ou Amsdorf, ela disse, seria seu marido. Ela percebeu como influenciar Lutero com as artimanhas femininas. (...)” (Grisar: 294) 


Sabemos como Melanchthon criticou o casamento inesperado de Lutero em termos duríssimos, na carta a Camerário. E essa carta, depois censurada, só veio integralmente à luz em 1876. Mais uma mentira... pela causa da igreja luterana! Nessa carta, Melanchthon se queixava nesses termos: “Será para ti uma surpresa saber que em tempos tão calamitosos e no infortúnio de tanta gente de bem, Lutero parece desinteressar-se das misérias públicas, mergulhar nos prazeres, rebaixar sua dignidade, justamente no momento em que a Alemanha mais precisa de sua ciência e autoridade. Eis como, a meu ver, a cousa se passou: Lutero era um homem extremamente leviano e as freiras [por ele soltadas do convento] que lhe armavam laços com grande astúcia acabaram por envisgá-lo... Espero que a nova existência o tornará mais sério e o fará renunciar às chocarrices que tantas vezes nele censuramos.” (Melanchthon, Brief na Camerarius uber Luthers Heirat vom 16 Junii 1525, apud Franca, CP: 131-132)

O curioso é que a carta falsificada por Camerário constava ainda do Corpus Reformatorum (1834), edição oficial das obras luteranas, e que era ainda muito usado na época de Grisar, em 1925! E por mais escandaloso que possa parecer, o mosteiro de agostinianos de Wittemberg transformou-se no lar do casal Lutero! Objetos piedosos foram adaptados ao uso profano dos traidores da fé e dos votos. (Grisar: 297-298) 

E se Lutero já era vulgar quando tratava de teologia, imaginem quando escrevia sobre o matrimônio! Pois é, Lutero escreveu um tratado sobre o tema, onde admite o divórcio e o re-casamento em certas circunstâncias, bem como sugere que o marido possa ter relações extraconjugais (sic!): “Lutero diz que se a esposa recusa a servir o debitum (ato conjugal) sem razão, o marido pode usar uma linguagem ameaçadora para obrigá-la: “Se você se recusa, há uma outra dispostase a esposa se recusar , então deixe vir a serva.” (Grisar: 258-259)

A escandalosa expressão parece ser um ditado popular na época, “significando a relação conjugal fora do casamento.” (Grisar: 259) O duque George da Saxônia protestou violentamente contra esses absurdos de Lutero, mas a Alemanha parecia estar cega. Não foi coincidência a degradação moral que se seguiu à Reforma. E a imagem de um lar verdadeiramente cristão não é exatamente aplicável a Lutero, como se vê no seguinte diálogo entre ele e Catarina: “Lutero a importunava (a Catarina): - Não tardará o momento que um homem poderá casar-se com várias mulheres . – Pensamento do diabo! - E com justa razão, Kate, pois u´a mulher não pode ter mais do que um filho por ano, ao passo que um homem pode arranjar vários. – São Paulo disse: “Que cada um tenha sua própria esposa.” – Sim, “sua própria esposa”; mas não disse “uma só esposa.” Catarina explodiu: "- Antes de suportar isso eu os plantaria todos, você e os filhos, e voltaria para o convento. Martim Lutero ria gostosamente. (sic!) (Propos de table, n. 1461)” (Brentano: 205) 

Eis o lar cristão que Lutero legava aos pobres alemães...

Apesar do “casamento feliz” que luteranos insistem em ver em Lutero, ele estranhamente irá se apartar de Catarina e dos filhos no final da vida (com exceção de dois filhos, ao que parece).

Quando na cidade de Zeitz, ele “envia carta a sua esposa, declarando que nunca mais voltará e pedindo que ela retorne ao Estado de sua família em Zulsdorf restituindo o Mosteiro (de Wittemberg) ao Eleitor.” (Grisar: 495)

E de fato, Lutero irá falecer em Eisleben, longe da família.

Índice - Filme Lutero
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