quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

MAIS INTOLERÂNCIA RELIGIOSA E FALTA DE RESPEITO ÀS CRENÇAS ALHEIAS


No dia em que deveria ter se apresentado ao 1º Juizado Especial Criminal (Jecrim) para responder pelo crime de ultraje a culto religioso — por ter invadido e depredado um centro de umbanda no Catete, em junho do ano passado — Afonso Henrique Alves Lobato, de 25 anos, foi preso por desacato e resistência. Seguidor da Igreja Geração Jesus Cristo, o rapaz chegou ao Jecrim no último dia 5 de março trajando camiseta. Ao ser alertado por um PM de que não poderia ingressar no juizado vestido daquela forma, Afonso teria continuado a entrar no local. Ele foi preso, algemado e levado para a 10ª DP (Botafogo).

A confusão consta do registro 1529 da delegacia. Mas o tumulto não adiantou nada: Afonso e as outras três pessoas que invadiram o templo foram condenados apenas a pagar cestas básicas.







As declarações de Afonso contra pais de santo, policiais e a imprensa feitas num vídeo postado na internet podem lhe custar caro. Henrique Sátiro, conhecido como pai Henrique de Oxossi, pretende processar o evangélico por ele ter dito que "todo pai de santo é homossexual":

Não vou ficar deixando esse fanáticos falarem o que bem entendem da minha religião sem fazer nada. Ele afrontou toda a comunidade religiosa e suas instituições.

Processos à vista

Pelo menos outros cinco religiosos já procuraram a Comissão de Combate à Intolerância Religiosa e querem saber como proceder para processar Afonso.



A delegada Helen Sardenberg, da Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática (DRCI), deve abrir hoje inquérito contra Afonso Henrique para apurar se no vídeo houve a prática dos crimes de intolerância religiosa, injúria qualificada e incitação ao crime. A investigação será aberta por determinação do delegado Henrique Pessoa, do Departamento de Polícia da Capital (DPC).




A Polícia Civil vai instaurar inquérito contra Afonso Henrique Alves Lobato, de 25 anos, para investigar a prática dos crimes de intolerância religiosa, injúria qualificada e incitação ao crime. Seguidor da igreja Geração Jesus Cristo, ele postou em março deste ano, no YouTube (página de vídeos gratuitos na internet), um vídeo em que faz afirmações como “centro espírita é lugar de invocação do diabo”; “todo pai de santo é homossexual”; “a Bíblia diz que (...) a adoração por imagens e esculturas é abominação, então eu repudio aquelas imagens também”.

Afonso foi preso em 2 de junho do ano passado, com outros três seguidores da mesma igreja, após invadir e depredar o Centro Espírita Cruz Oxalá, no Catete. Na ocasião, cerca de 50 imagens de santos foram quebradas.


(foi retirado do ar)

COMENTÁRIOS

Enviado por Sergio Meirelles -
18.6.2009
1h15m

Assista ao vídeo

O pastor Tupirani da Hora Lores, de 43 anos, líder da Igreja Geração de Jesus Cristo, no Morro do Pinto, aprovou a ideia de Afonso Henrique Alves Lobato, um dos seus seguidores, que postou na internet um vídeo ofensivo contra as religiões afros, os pais-de-santo e a polícia. Nesta quarta-feira, em sua igreja, o pastor disse que não reconhece a lei dos homens e que a única lei que obedece é a Bíblia. Mas, o líder religioso se contradiz quando defende o direito à liberdade de expressão prevista na nossa Constituição.

Apoio a decisão dele (Afonso Henrique). A liberdade de expressão é um direito de todos. Não sou a favor das leis feitas no Congresso. Lei é a Bíblia. Ela eu defendo com unhas e dentes — enfatizou o pastor.

Tupirani sabia desde março, quando o vídeo foi colocado na internet, que Afonso Henrique iria fazer um ataque às polícias e às religiões afros. Na ocasião, o pastor apenas alertou Afonso Henrique das consequências que poderiam surgir com a divulgação do vídeo:

Eu perguntei ao Afonso Henrique: É isso que você vai colocar na internet? Está preparado para assumir as consequências? 

Apesar de se dizer contra aos ataques a outras religiões, o pastor Tupirani alegou que não tem como impedir as atitudes dos fiéis que frequentam a Igreja Geração de Jesus Cristo.

Os membros da minha igreja não têm que seguir o que eu penso. Todos eles são responsáveis por seus atos — defendeu-se.

O pastor acha pouco provável que a Justiça conseguirá provar que Afonso Henrique, em seu vídeo, cometeu crime de intolerância religiosa:

Se ele for chamado para depor por causa desse vídeo, a polícia terá que ouvir também outras milhares de pessoas que colocam outros tipos de vídeos na internet. Estamos preparados para dar apoio jurídico a ele.



Enviado por Marcelo Gomes -
18.6.2009
| 1h14m


A Polícia Civil vai instaurar inquérito contra Afonso Henrique Alves Lobato, de 25 anos, para investigar a prática dos crimes de intolerância religiosa, injúria qualificada e incitação ao crime. Seguidor da igreja Geração Jesus Cristo, ele postou em março deste ano, no YouTube (página de vídeos gratuitos na internet), um vídeo em que faz afirmações como “centro espírita é lugar de invocação do diabo”; “todo pai de santo é homossexual”; “a Bíblia diz que (...) a adoração por imagens e esculturas é abominação, então eu repudio aquelas imagens também”.

Afonso foi preso em 2 de junho do ano passado, com outros três seguidores da mesma igreja, após invadir e depredar o Centro Espírita Cruz Oxalá, no Catete. Na ocasião, cerca de 50 imagens de santos foram quebradas. Os quatro foram levados por policiais do 2º BPM (Botafogo) à 9ª DP (Catete) e autuados por impedimento a culto. Como o crime tem menor potencial ofensivo, o caso foi para o Juizado Especial Criminal, que os condenou ao pagamento de cestas básicas.

Por determinação do delegado Henrique Pessoa, do Departamento de Polícia da Capital (DPC), o inquérito vai ser aberto na Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática (DRCI).

Desta vez, será aberto um inquérito pelo crime de intolerância religiosa, previsto na Lei Caó. A pena varia de dois a cinco anos de detenção. Vamos tentar pedir a prisão desse rapaz. No vídeo, ele demonstra que não tem qualquer respeito à lei e às autoridades constituídas. Pessoas assim são de extrema periculosidade — afirmou Pessoa.

O delegado foi comunicado da existência do vídeo pela Comissão de Combate à Intolerância Religiosa.

Esse tipo de atitude é um risco à democracia, que garante a liberdade de religião — disse Ivanir dos Santos, membro da comissão.

Por meio do pastor da sua igreja, Afonso disse que tudo o que ele tinha a dizer sobre o caso está no vídeo.


Quase um ano após o ataque ao Centro Espírita Cruz de Oxalá, no Catete, um dos condenados pelo crime, Afonso Henrique Alves Lobato, postou no YouTube um vídeo de nove minutos em que dá sua versão para a depredação do templo, ataca os espíritas e umbandistas, desdenha da ação da polícia e da Justiça e acusa a imprensa de servir ao Diabo.

No vídeo, Afonso Henrique — que respondeu pelo crime de ultraje a culto e foi condenado a pagar cestas básicas e prestar serviços comunitários — assume ter destruído, junto com outros integrantes da Igreja Geração de Jesus Cristo, a qual pertence, as imagens do centro espírita, mas diz que os fatos foram distorcidos. "Como todos sabem, um centro espírita é um lugar de invocação ao Diabo, um lugar onde as pessoas vão estar adorando o Satanás, onde vão estar levando suas oferendas, cigarro, cachaça, farofa, essas coisas podres, essas palhaçadas, que esses servos do Diabo insistem em fazer, então nós começamos a estar expondo a verdade", diz ele, que diz o que viu dentro do templo: "Eles abriram a porta pra mim, então eu subi e subindo o que eu vi lá: um monte de imagens e esculturas, vi um pai-de-santo, um homossexual, claro porque todos os pai-de-santos são homossexuais, vi pessoas lá oprimidas se preparando para aquele culto do Diabo e nisso comecei a perguntar pra eles: "Cadê o Diabo? Cadê o Tranca-Rua? Cadê a Maria Mulambo? Cadê esses demônios que vocês estão oferecendo aqui, essas imundices? Onde estão eles para que a gente possa pisar na cabeça deles e provar que Jesus Cristo é maior, é soberano?".

Logo a seguir, Afonso Henrique ataca a polícia e a Justiça: "Então nós fomos até a delegacia e chegando na delegacia é aquela palhaçada de sempre, aqueles policiais militares, não sabem nem as leis que eles dizem servir, aqueles policiais civis completamente ignorantes também, pensam que são autoridade, mas não são autoridade, para a Igreja eles não são autoridade ", diz ele, continuando: "eles falaram que nós iríamos comparecer no juizado em tal data e nisso, os policiais militares, corruptos como sempre, caras de pau, já chamaram a imprensa com quem eles são mancomunados, tanto a imprensa quanto os policiais militares servem ao mesmo deus, que é o Diabo".

Afonso Henrique também envolve a imprensa numa suposta adoração ao Diabo: "No dia seguinte, a Rede Globo (veio) fazendo uma grande confusão em cima daquilo ali, distorcendo completamente, dizendo que nós agredimos pessoas, publicando na capa do EXTRA, na capa do jornal "O Globo", uma série de repórteres lá da emissora deles, dizendo que nós praticamos esse crime, colocando isso como uma coisa horrenda. Na verdade o que aconteceu é que a Globo também é uma emissora completamente dominada pelo Diabo, onde há uma série de espíritas, dezenas de macumbeiros lá dentro".



Com música e dança, líderes religiosos protestaram esta tarde contra a invasão do templo cigano Tsara Antal Kóczé em Jacarepaguá. O ministro da Igualdade Racial, Edson Santos, e integrantes da Comissão de Combate à Intolerância Religiosa participaram da manifestação.

O santuário dedicado a Santa Sara Kali, na Freguesia, foi invadido quinta-feira e teve imagens quebradas. Elas foram repostas com doações de comerciantes do Mercadão de Madureira.

Ivanir dos Santos, interlocutor da comissão, acredita que o caso deve ser punido de forma exemplar:

Todos os líderes estão indignados. Desta vez, pelo menos o delegado conseguiu enquadrar o caso na Lei Caó que prevê pena de cinco anos de prisão. Um ato como esse é muito ruim para a democracia — disse Ivanir.



Coordenador de campo da pesquisa que mapeou as casas de religião de matriz africana no Rio, o cientista social Adailton Moreira Costa vai apresentar o trabalho no Terreiro Ile Omiojuaro, Casa de Mãe Beata de Iyemoja, neste domingo às 15h. A apresentação é aberta ao público. A casa-de-santo fica na Rua Francisco Antonio Nascimento 42, Miguel Couto, Nova Iguaçu. “Através desta pesquisa será possível apresentar dados concretos sobre quantidade e localização das casas, a fim de não mais limitar as informações acerca das religiões de tradição afro-brasileira àquelas divulgadas pelos órgãos públicos, que bem sabemos, são baseadas em dados estatísticos que não expressam a realidade, visto que as religiões de matriz africana não constam do rol de religiões dos formulários censitários, sendo enquadrada no campo “outros”, o que certamente contribui para a nossa invisibilidade sócio-política”, explicou o cientista, em carta distribuída a lideranças religiosas.



Veja o vídeo

Lideranças religiosas de diversas crenças estão organizando uma manifestação neste domingo, às 10h, na Estrada do Gabinal 1799, Jacarepaguá, contra a depredação do templo religioso Tsara Antal Kóczé, santuário cigano dedicado a Santa Sara Kali.






O dirigente da casa, Pai Joelmir de Oxóssi, de 46 anos, 26 deles dedicados à religião, descobriu que sua casa tinha sido invadida quinta-feira, quando chegou ao local para preparar as flores para o ritual que se realiza toda semana no templo. No altar, viu a imagem de Nossa Senhora Aparecida, uma relíquia de família em porcelana de mais de 40 anos, destruída e pisoteada. Segundo Joelmir, a santa é padroeira da comunidade cigana no Brasil. Todos os ciganos do altar foram derrubados, muitos quebrados. E a imagem de Santa Sara Kali estava partida ao meio e com parte do rosto arrancada. Descendente de uma família cigana, o religioso - que já atua na umbanda - abriu o centro dedicado a Santa Sara há um mês.

Como nada de valor foi roubado, Pai Joelmir ligou para membros da Comissão de Combate à Intolerância Religiosa. O caso foi registrado dentro da Lei Caó, que prevê pena de até cinco anos de prisão na 32ª DP (Jacarepaguá). Vizinhos contam ter ouvido barulho durante a noite e que estranharam, já que as reuniões da casa são silenciosas. Por ser um templo de inspiração na cultura cigana, não são usados atabaques e os tratamentos espirituais são realizados com imantação, cristais entre outras técnicas.



- Quando cheguei, senti um odor forte. Urinaram no altar sagrado, pisotearam Nossa Senhora Aparecida. É um absurdo a propaganda de seguidores de algumas igrejas que dizem que as imagens são diabólicas e devem ser destruídas. O vandalismo é fruto disso. A imagem é uma representação, como uma foto. Alguém destrói a foto da própria mãe? - indaga Pai Renato de Obaluayé, que doará uma nova imagem à casa.

- Nós somos resistentes. Nossa cultura atravessou obstáculos muito maiores do que esse - afirma Mãe Mirian de Oyá, que também foi ao templo para manifestar solidariedade.

postado por 1
quarta-feira, 24 de junho de 2009
reações: 






pgleandro disse... Sou Evangélico, Mas estou perplexo com este ato, pois em primeiro lugar temos que respeitar todas as religiões. se não concordamos com tal crença nada justifica uma invasão. Para mim este Individuo que se diz Evangélico não passa de um bandido que tem que ser condenado sim, cada o testemunho de Cristão, pois devemos amar no próximo como a ti mesmo... fiquem na paz.

Leandro Rodrigues 



Restou-me uma pergunta: - E a indenização? Não destruíram um patrimônio particular?

Temo que este país, se continuar o avanço das seitas evangélicas, não será diferente dos países muçulmanos onde os cristãos são perseguidos e mortos sem qualquer direito.



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