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sexta-feira, 28 de março de 2014

PASTORES PROTESTANTES TORNAM-SE CATÓLICOS

Eu parti um pedaço do picolé em minha mão e coloquei-o cuidadosamente na boca da minha agonizante esposa Renee deitada sem sossego na cama do hospital, padecendo de um caso avançado de câncer no cólon (intestino) o qual fora descoberto pouco mais de um mês antes. Ela comeu muitos outros pedaços de picolé enquanto eu os quebrava para ela, até dizer que não podia comer mais, então eu a deixei descansar.

Quando o padre de nossa paróquia chegou, ele e eu iniciamos uma conferência desde o quarto até a sala para nos falarmos. As notícias sobre as condições de minha esposa não eram boas. Os que cuidavam de Renee haviam definido que três coisas poderiam matá-la nos seguintes termos: uma delas instantaneamente, uma por volta de uma semana e outro em poucas semanas. O médico disse que ela ainda tinha uma chance de reagir à quimioterapia e poderia considerar que ela ainda vivesse uns poucos meses, até mesmo seis ou mais, mas que um ano seria miraculoso. À luz do estado de emergência de Renee, nós falávamos sobre a aceleração de minha entrada na Igreja Católica. Parecia não haver muito tempo.

Eu nasci em 1965, na cidade de Corpus Christi, Texas (EUA), e cresci em Fayetteville, Arkansas. Meus pais me levavam a uma igreja cristã até quando eu tinha cinco ou seis anos, mas então pararam de ir. Após isso eu cresci fora de qualquer igreja. Isso não significa que eu não tivesse interesse em religião — Eu tinha. Com treze ou catorze anos comecei a ler a Bíblia, mas somente aquelas partes que eu pensava serem sobre o "fim dos tempos". Como resultado do que eu lera na Bíblia, eu fiquei assustado, tendo terríveis visões da ira e do julgamento de Deus sem equilibrá-los com a mensagem de sua maravilhosa graça e misericórdia. Isso contribuiu para me levar à próxima fase do meu desenvolvimento religioso: o movimento da Nova Era. A razão pela qual eu fui em tal direção era que a filosofia da Nova Era assegurava que não havia inferno. Os seus seguidores acreditam que reencarnamos por muitas vidas até atingirmos a perfeição. Isso fazia dessa crença algo seguro no meu entendimento religioso pessoal que nesse tempo era de um intenso desprezo por cristãos, os quais eu aprendera a detestar no high school (ensino médio). A simples visão de uma pessoa com hábitos cristãos me irritava. Isso acabou depois que eu descobri um pregador que se comportava semelhantemente a um não-cristão de maneira que eu era capaz de escutá-lo.

Ele era extraordinário. Dr. Gene Scott era um pregador televisivo de fim de noite e guru do fim dos tempos, morador do Sul da Califórnia. Eu o descobri na minha televisão tarde da noite após o trabalho e fiquei fascinado. Ele se parecia menos com o típico pregador batista do sul do que qualquer outro que eu já tivesse visto. Ele falava sobre Deus, mas usava jaquetas de couro e chapéus de cowboy. Tinha longos cabelos e barba branca, fumava cigarros e não tinha o menor constrangimento em xingar à toa. Ele não era nem um pouco parecido com o típico televangelista. Após escutá-lo por cerca de seis meses, eu telefonei e entrei para sua igreja — a primeira de que eu fui membro.

Minha fascinação por Gene Scott durou algum tempo, mas quando a sua organização caiu em tempos difíceis e seu programa foi quase completamente tirado do ar no lugar onde eu morava, eu decidi encontrar uma outra afiliação religiosa. Por fim eu entrei na conservadora Igreja Presbiteriana na América (Presbyterian Church in America – PCA). Após me tornar um devoto de Gene Scott, eu passei a ler vorazmente livros sobre teologia. Meu maior desejo era me dedicar exclusivamente ao ministério cristão, ou como pastor ou como professor de seminário, mas algo interveio: meu casamento.

RENEE

Conheci a minha futura esposa, Renee Humphrey, em uma festa logo após me tornar cristão. Embora ela fosse uma católica que tinha muitas crenças da Nova Era, nós começamos a namorar. Se eu a tivesse conhecido um ano depois, seria muito mais fortemente evangélico e não o teria feito. Ela me apanhou muito cedo, então eu fui adiante.

Renee era uma garota pequena, com cabelos e olhos escuros. Era também uma leitora voraz, mas a sua paixão era por história e literatura, em vez de teologia e filosofia que me fascinavam. Ainda que ela fosse autodidata nessas áreas, ela conhecia muito mais História do que pessoas com grau universitário nessa disciplina. Às vezes era difícil acompanhar filmes ao seu lado. Ela apontava para a tela e dizia, "esse modelo de vestido não tinha sido lançado até trinta anos depois dessa história".

Renee também tinha um lado melancólico, boa parte devido ao sofrimento com sua saúde. Desde o high school ela vinha sendo atormentada com esses problemas. Quando eles começaram a surgir ela recebeu o que entendia ser incompetentes cuidados médicos, que lhe provocaram uma forte fobia de médicos e agulhas, uma fobia que freqüentemente a impedia de buscar o tratamento adequado. O seu principal problema era uma úlcera em seu cólon, que lhe causava constante irritação no intestino. Tal condição enfraquecia os músculos que suportavam sua espinha dorsal, fazendo que sua vértebra espetasse seus nervos, ocasionando pontadas, lançando dores que desciam por suas pernas. Mesmo quando ela não estava tendo dores nas pernas, sempre mancava. Quando seus nervos pioravam, ela geralmente não podia andar. Uma das primeiras coisas que compramos após nosso casamento foi uma bengala de alumínio, do tipo usado por idosos, que Renee necessitou aos vinte e três anos de idade.

Antes de podermos nos casar, havia duas questões que eu tinha de ajustar com Renee: suas crenças sobre a Nova Era e seu catolicismo. Por ela ser uma ávida leitora, dei-lhe um livro cristão acerca do reencarnacionismo que a convencera de que a doutrina era falsa. "Ótimo!" Eu pensei. "Um problema encerrado e outro por encerrar".

Senti-me bem por afastá-la da Nova Era, agora tudo o que eu tinha de fazer era convencê-la a não ser católica. Isso era algo que eu sabia que tinha de fazer. Não havia como eu aceitar me casar com uma católica enquanto planejava ser um pastor protestante ou professor de seminário. Ainda que eu pudesse encontrar alguém que aceitasse me ordenar apesar do fato de ter uma esposa católica, sentia que não poderia em sã consciência aceitar a ordenação. Eu percebia que os Ministros do Novo Testamento deviam ser unidos religiosamente com suas famílias. Por exemplo, Tito 1,6 diz que os filhos dos presbíteros deveriam crescer na fé cristã.

Devido ao sucesso obtido ao emprestar a Renee o livro que criticava a reencarnação, decidi tentar tal estratégia de novo e emprestei-lhe um livro que tentava colocar o Vaticano em maus lençóis. Após a leitura ela parou de se identificar como católica e passou a se dizer anglicana. Embora eu não tivesse alcançado sua completa alienação do catolicismo, já estava ficando bom para mim. Eu a queria na mesma denominação, mas podia aceitá-la como anglicana, pelo menos então. Supunha que o anglicanismo seria apenas uma fase intermediária antes de ela entrar na corrente evangélica. Eu estava errado.

Durante o período anglicano de Renee, nós nos casamos, e logo em seguida ela estava de volta ao catolicismo. Agora que estávamos casados e a pressão de me perder havia encerrado, ela poderia voltar a ser católica novamente. Isso sabotava os meus planos. Eu tinha de abandonar as esperanças de uma carreira como ministro, a única coisa que eu queria fazer da vida, e tinha de abandonar minha auto-imagem de professor da Palavra de Deus. Isso trazia problemas, por outro lado, para o nosso  feliz casamento.

As coisas pioraram quando Renee descobriu o que eu sempre soube mas nunca mencionara: o nosso casamento não era válido aos olhos da Igreja Católica. Por conseguinte Renee estava impedida de receber os sacramentos. Essa revelação causou-lhe muito sofrimento e colocou ainda mais tensão entre nós dois. Ela não estava disposta a me deixar e eu não estava disposto a me casar na Igreja Católica. A situação também se complicava com o fato de ela não ter carteira de motorista e eu me recusar a levá-la à missa. Isso significava que ela quase nunca ia.

Mas as coisas começaram a mudar.Desde que me tornei cristão, eu lia intensivamente sobre teologia, mas comecei a fazer descobertas na Bíblia que me perturbavam. Por exemplo, a flagrante "catolicidade" de certos versículos saltava-me aos olhos. Eu estava atormentado pela declaração de Cristo sobre os apóstolos terem o poder de ligar e desligar (Mt 16,18 e 18,18) e sobre o poder de perdoar os pecados (Jo 20,21-23). Eu não sabia o que fazer com tais passagens, então, simplesmente as punha de lado, planejando lidar com as mesmas depois.



Finalmente, quando chegou o tempo de tratar dessas passagens, tive de concluir que Jesus intencionava exatamente o que dissera: Seus ministros realmente têm o poder de perdoar e de reter pecados. Tive de admitir para mim que os católicos estavam certos sobre o sacramento da confissão, e o Presbiterianismo estava simplesmente em desacordo com a Escritura nesse ponto.

Uma das coisas que me ajudaram a chegar a essa conclusão, foi um texto escrito por Leon Holmes. Leon freqüentava a mesma igreja protestante que eu, mas algum tempo depois de eu entrar nela, Leon e sua família mudaram-se. Por fim eles se tornaram católicos e se estabeleceram na cidade de Little Rock. Leon escreveu sobre Maria e enviou para os amigos em Fayetteville; eu fui um dos que o leram. Embora à época eu pensasse que poderia refutar a maior parte daquilo que ele afirmava, havia uma passagem no texto que me fez retroceder.

Leon escreveu, "a maior parte das características da Igreja Católica que são criticadas por nossos irmãos evangélicos estão fundamentadas em seguir literalmente as Escrituras". Essa afirmação chocava meus sentimentos protestantes. "O que ele queria dizer? Católicos seguem a Bíblia ao pé da letra nos pontos em que são criticados pelos protestantes?" Eu perguntava, pasmado com o pensamento "como é possível que ele diga isso? Todo mundo sabe que são os protestantes, não os católicos que seguem seguindo a Bíblia ao pé da letra!".

Leon apoiava essa afirmação chocante ao citar os seguintes versículos: "Jesus pois lhes disse: 'Na verdade, na verdade vos digo que, se não comerdes da carne do Filho do homem, e não beberdes o seu sangue, não tereis vida em vós mesmos'" (Jo 6,53), "Isto é o meu corpo…"(Lc 22,19); "Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus" (Jo 3,5); "Ou não sabeis que todos quantos fomos batizados em Jesus Cristo fomos batizados na sua morte?" (Rom 6,3); "… agora vos salva, o batismo…" (1Pd 3,21); "Àqueles a quem perdoardes os pecados lhe serão perdoados; e àqueles a quem os retiverdes lhe serão retidos" (Jo 20,23); "Pois também te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja…" (Mt 16, 18).
Eu pensava que podia lidar com a maioria desses versículos, mas eu não tinha idéia de como refutar a interpretação católica de 1Pd 3,21 e Jo 20,23. O mais surpreendente era a simples sugestão de que a teologia católica se apoiava na interpretação literal da Bíblia. Esse pensamento ficava comigo e continuava me incomodando. No fim, ele desempenhou um importante papel na minha conversão ao catolicismo.

Eu também comecei a ter problemas com as duas doutrinas fundamentais do protestantismo: sola fide, a afirmação que somos salvos apenas pela fé, e sola scriptura, que diz que os cristãos devem usar apenas a Bíblia em matéria de doutrina e costumes.

A primeira começou a ficar problemática para mim quando eu comecei a notar certas passagens bíblicas que contradiziam essa doutrina. Em Romanos 2,7, por exemplo, o Apóstolo Paulo conta aos seus leitores que Deus dará a recompensa da vida eterna àqueles que "com perseverança em fazer bem, procuram a glória, honra e incorrupção". Em Gálatas 6,6-10, Paulo diz que aqueles que "semeiam no Espírito" ao "fazer o bem a todos" irão pelo Espírito colher a vida eterna. Era especialmente interessante que eu estava encontrando tais versos nas cartas aos romanos e aos gálatas, as mesmas epístolas que os protestantes dizem basear a doutrina de justificação somente pela fé.

Esses versos não significam que alcancemos nossa salvação por boas obras apenas, uma doutrina que muitos protestantes erroneamente atribuem à Igreja Católica, mas esses versículos realmente significam que a fórmula "somente pela fé" não é uma descrição precisa daquilo que a Bíblia nos ensina sobre salvação. Estas e outras passagens revelam que, como um resultado da graça divina, nós somos capazes de fazer atos de amor que agradem a Deus, os quais Ele livremente escolhe recompensar. Uma dessas recompensas, na verdade a primeira delas, é a dádiva da vida eterna (cf. Romanos 2,6-7).

Ainda havia a questão de como explicar passagens como Rom 3,28, onde Paulo diz que o homem é justificado pela fé separada das obras da lei, mas isso não me perturbava mais desde quando percebi nos meus primeiros dias de leitura bíblica que Paulo estava falando sobre a lei mosaica em Romanos e Gálatas, por isso ele gasta muito tempo batendo na tecla de que não é necessário ser circuncidado para ser salvo — a circuncisão sendo um dos rituais da lei mosaica. O que Paulo está dizendo é absolutamente verdadeiro: nós somos justificados pela fé sem as obras da lei mosaica.

Isso seria mais óbvio para os leitores se na tradução fosse usada a palavra hebraica para lei, torá, que é ao mesmo tempo o nome dos cinco primeiros livros da Bíblia que contêm a lei de Moisés. Paulo disse, "concluímos pois que o homem é justificado pela fé sem as obras do torá" (Rom 3,28). Podemos provar isso ao olharmos o versículo imediatamente seguinte: "É porventura Deus somente dos judeus? E não o é também dos gentios? Também dos gentios, certamente" (Rom 3,29).
Se Paulo não estivesse se referindo às "obras do torá", então a questão e sua resposta seriam sem sentido. Pela frase "obras da lei" Paulo se refere a algo que os judeus tinham mas que os gentios não tinham: a lei mosaica. Ele chega ao ponto no versículo seguinte: "Visto que Deus é um só, que justifica pela fé a circuncisão (dos judeus) e por meio da fé a incircuncisão (dos gentios)" (Rom 3,30). Assim, as "obras da lei" que Paulo menciona no versículo 28 são as que caracterizam os judeus, não os gentios, a principal obra sendo a circuncisão (cf. 3,29-30).

Isso significa que as leis judaicas de circuncisão, ritual de purificação, questões sobre os alimentos, e o calendário das festas judaicas são, agora que estamos sob o Novo Testamento de Cristo, completamente irrelevantes para a nossa salvação. Manter a cerimônia da Lei de Moisés não é necessário para os cristãos. O que importa é manter a "Lei de Cristo" (Gál. 6,2) que é resumida por "fé agindo através do amor" (também traduzida como "fé feita efetiva através do amor" [Gál. 5,6]).

Uma passagem que ressalta a maneira sacramental pela qual Deus nos dá Sua Graça é 1Pd 3,20-21, onde somos informados que "Deus esperava nos dias de Noé, enquanto se preparava a arca; na qual poucas (isto é, oito) almas se salvaram pela água; que também, como uma verdadeira figura, agora vos salva, o batismo, não do despojamento da imundícia da carne, mas da indagação de uma boa consciência para com Deus pela ressurreição de Jesus Cristo".

O significado da declaração de Pedro "o batismo agora vos salva", é óbvio pelo contexto da passagem. Ele está se referindo ao sacramento do batismo com água, porque ele diz que oito pessoas foram salvas através da água. O batismo não nos salva ao remover a sujeira dos nossos corpos. Os meros efeitos físicos da água despejada no batismo são irrelevantes. O que conta é a ação do Espírito Santo embora o batismo, pelo qual nós "pedimos… uma boa consciência em relação a Deus", (isto é, fazemos uma promessa batismal de arrependimento) e somos salvos "pela ressurreição de Jesus Cristo".
Eu comecei a descobrir esse princípio sacramental por toda a Bíblia. Tanto no Antigo quanto no Novo Testamento há situações onde Deus usa meios físicos para levar a graça. Um exemplo impressionante é o caso da mulher com hemorragia:
"Ouvindo falar de Jesus, veio por detrás, entre a multidão, e tocou no seu vestido. Porque dizia: Se tão somente tocar nos seus vestidos, sararei. E logo se lhe secou a fonte do seu sangue; e sentiu no seu corpo estar já curada daquele mal. E logo Jesus, conhecendo que a virtude de si mesmo saíra, voltou-se para a multidão e disse: Quem tocou nos meus vestidos? E disseram-lhe os seus discípulos: Vês que a multidão te aperta, e dizes: Quem me tocou? E ele olhava para ver a que isto fizera. Então a mulher, que sabia o que lhe tinha acontecido, temendo e tremendo, aproximou-se e prostrou-se diante dele, e disse-lhe toda a verdade. E ele lhe disse: Filha, a tua fé te salvou; vai em paz, e sê curada deste teu mal." (Mc 5,27-34).
Essa passagem contém todos os elementos do princípio sacramental: a fé da mulher, o meio físico (tocar a roupa de Jesus), e o poder sobrenatural que saía de Jesus. Quando a mulher chegou perto dele, com fé, tocou sua peça de roupa, o poder de Deus emanou e ela foi curada. Assim é que os sacramentos operam; Deus usa signos físicos (água, óleo, pão, vinho, a imposição das mãos) como veículos para a sua graça, que recebemos pela fé.
São Tomás de Aquino apontava que, como não somos seres espirituais apenas, mas criaturas físicas também, é adequado para Deus nos dar seu dom espiritual da graça através de meios físicos. Eu descobriria depois que até mesmo Martinho Lutero reconhecera isso. Em seu breve catecismo ele estatuiu que o batismo "opera o perdão dos pecados, liberta da morte e do demônio, e concede a salvação eterna a todos que acreditam". Infelizmente ele ignorava as evidências bíblicas para cinco dos sete sacramentos (mantendo apenas o batismo e a Ceia do Senhor), e a maioria dos protestantes perdeu até mesmo a visão de Lutero acerca dos sacramentos como meios de graça, afastando-se do ensinamento bíblico: "…agora vos salva, o batismo…".

Às vezes Deus dá sua Graça separada do batismo (cf. At 10,44-48), mas ele ordenou o batismo para ser o meio padrão através do qual nós primeiro vamos a Ele e nos tornamos membros de sua Igreja. Pedro falou à multidão no dia de Pentecostes, "Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo, para perdão dos pecados; e recebereis o dom do Espírito Santo" (At 2,38). Foi dito a Paulo sobre o seu batismo, "E agora por que te deténs? Levanta-te, e batiza-te, e lava os teus pecados, invocando o nome do Senhor." (At 22,16)

A doutrina protestante sola scriptura também começou a ser problema para mim quando eu imaginava como é que nós podemos saber com certeza quais livros comporiam a Bíblia. Certos livros do Novo Testamento, como os evangelhos sinópticos, nós podemos mostrar que são relatos históricos da vida de Jesus, mas havia vários livros do Novo Testamento (ex: Hebreus, Tiago, 2ª Epístola de Pedro, 2ª e 3ª de João, Judas e Apocalipse) cuja autoria e posição canônica foram debatidas na Igreja primitiva. Ao fim, a Igreja decidiu em favor deles e assim foram incluídos no cânone dos livros inspirados, mas eu vi que eu, uma pessoa distante dois mil anos dos escritos, não tinha possibilidade de provar que esses trabalhos fossem genuinamente apostólicos. Eu simplesmente tinha que aceitar a palavra da Igreja Católica sobre o assunto.

Isso significava que para aceitar a doutrina fundamentalista — a doutrina sobre a Escritura — eu tinha de acreditar na Igreja, já que não havia como mostrar pela própria Bíblia quais deveriam ser exatamente os livros que deveriam compô-la. Mas eu percebi que ao olhar para a Igreja como uma testemunha autêntica e confiável do cânone bíblico, eu estava violando o princípio da sola scriptura. A teoria "somente pela Bíblia" mostrou-se auto-refutável, posto que não pode nos mostrar quais livros deveriam e quais não deveriam ser bíblicos!

Além do mais, meus estudos sobre a história da Igreja mostraram que o cânone bíblico não estava definitivamente estabelecido até por volta de trezentos anos depois da morte do último apóstolo. Se eu estava afirmando que a Igreja fez seu serviço e escolheu exatamente os livros certos para a Bíblia, isso significa que a Igreja tomou uma decisão infalível três séculos após o período apostólico, uma realização que fazia acreditar que a Igreja podia, mesmo mais tarde, tomar decisões infalíveis, e que essa faculdade persiste até os dias de hoje.
Um ano ou dois após eu ler o texto de Leon sobre Maria, eu li um livro de um autor católico que dedicava bastante atenção sobre o capítulo 16 do Evangelho de Mateus, na parte sobre o papa. Nessa passagem Cristo diz, "tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja". Até esse tempo eu sempre pensara que a pedra sobre a qual a Igreja fora construída fosse a revelação de que Jesus é o Cristo, e eu podia defender muito bem esse posicionamento. Quando meus olhos esquadrinharam a passagem, notei pela primeira vez uma característica estrutural no texto que exigia que Pedro fosse a pedra.
Em Mt 16,17-19 Jesus faz três declarações a Pedro: (a) "Bem-aventurado és tu Simão Barjonas", (b) "Tu és Pedro", e (c) "Eu te darei as chaves do reino dos céus". A primeira declaração é obviamente uma bênção, algo que aumenta e eleva Pedro. Cristo o declara abençoado porque ele recebeu uma revelação especial de Deus.
A terceira declaração é também uma bênção: Cristo declara que dará a Pedro as chaves do reino dos céus. Isso é obviamente uma beatitude, algo que aumenta e eleva Pedro. E se a primeira e a terceira declaração são bênçãos, a intermediária nesse contexto deve ser o mesmo.
Havia um problema, porque para defender a visão de que Pedro não fosse a pedra sobre a qual a Igreja é construída, eu tinha que apelar para uma diferença de pouca importância no texto grego entre a palavra usada para Pedro (Petros) e a palavra usada para pedra (petra).
De acordo com a interpretação anti-católica padrão, Petros significa "uma pedra pequena" enquanto petra significa "uma grande massa de pedra", e a afirmação "tu és Pedro [Petros]", deveria ser entendida como algo que enfatizasse a insignificância de Pedro.
Os evangélicos imaginam que Cristo tenha intencionado dizer, "tu és uma pedra pequena, Pedro, mas eu erguerei minha Igreja nessa grande massa de pedra que é a revelação da minha identidade".
Um problema com essa interpretação, um problema que muitos protestantes eruditos na Bíblia admitirão1 , é que enquanto Petros e petra realmente tinham esse significado em algumas poesias gregas mais antigas, a distinção já não existia no século I, quando o Evangelho de Mateus fora escrito. Nesse período as duas palavras tinham o mesmo significado: uma pedra.
Outro problema é que quando se dirigia a Pedro, Jesus não falava em grego, mas em aramaico, uma língua prima do hebraico. Em aramaico não há diferença entre as duas palavras que em grego são traduzidas para Petros e petra. Ambas são kepha; é por isso que Paulo geralmente se refere a Pedro como Cefas2 (cf. 1Cor 15,5, Gál 2,9). O que Cristo realmente disse foi, "tu és Kepha e sobre essa kepha eu erguerei a minha Igreja".
Mas ainda que as palavras Petros e petra tivessem significados diferentes, a leitura protestante de duas "pedras" diferentes não seria adequada ao contexto. A segunda declaração a Pedro seria algo que o diminuiria, mostrando a sua insignificância, como resultado, Jesus estaria dizendo, "Bem-aventurado és tu, Simão Barjonas! Tu és uma pedrinha insignificante. Aqui estão as chaves do reino dos céus!" Algo como uma seqüência incongruente de declarações que seria não apenas esquisita, mas inexplicável (muitos comentaristas protestantes reconhecem isso e fazem de tudo para prejudicar o sentido óbvio dessa passagem, por mais implausíveis que sejam as suas explicações).
Eu também notei que as três declarações do Senhor a Pedro tinham duas partes, e a segunda explicava a primeira. O motivo pelo qual Pedro era "bem-aventurado" era porque "to não revelou a carne e o sangue, mas meu Pai que está nos céus" (v. 17). O significado da mudança de nome, "tu és Pedro" (pedra), é explicado pela promessa, "sobre esta pedra edificarei a minha Igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela" (v. 18). O objetivo das chaves é explicado por, "e tudo o que ligares na terra será ligado nos céus, e tudo o que desligares na terra será desligado nos céus" (v. 19). Uma leitura cuidadosa dessas três declarações, com atenção ao contexto imediato e à interrelação, claramente mostra que Pedro era a pedra sobre a qual Jesus falava.
Essas e outras considerações mostravam-me que as interpretações anti-católicas padrões desse texto não se mantinham após cuidadoso exame bíblico. Elas eram forçadas a descontextualizar a declaração intermediária.
Eu mudei a minha opinião, concluindo que Pedro era de fato a pedra sobre a qual Jesus construiria a sua Igreja. Isto é, eu acredito, o que um leitor imparcial observando a estrutura literária e gramatical do texto concluiria.

Se Pedro era de fato a pedra sobre a qual Jesus falava, isso significa que ele era o apóstolo líder (o texto grego revela que Pedro sozinho fora escolhido para essa honra, e a ele sozinho foi dada a autoridade especial simbolizada pelas chaves do reino dos céus, embora os outros discípulos compartilhassem de modo geral a autoridade de Pedro em ligar e desligar [cf. Mt 18,18] ). Se ele era o apóstolo líder, então logo que Cristo ascendeu aos céus, Pedro seria a cabeça terrena da Igreja, subordinado à liderança celestial de Cristo.

E se Pedro era a cabeça terrena da Igreja, ele se adequava à mais básica definição da função do papa. Como resultado, eu tive de concluir que os católicos estavam certos em dizer que Pedro fora o primeiro papa. Se Cristo tinha a intenção de que devessem haver outros papas, era uma questão que eu ainda tinha que resolver, mas eu já tinha visto o suficiente para saber que deveria reinvestigar a teologia católica.

Se os católicos podiam estar certos nessa questão, eles podiam estar certos em outras também. Isso inquietou-me por saber que eles estavam certos sobre o sacramento da confissão.

MINHA MUDANÇA

Eu sabia que tinha muitas reinvestigações teológicas a fazer, então no ano seguinte eu comecei a ler a doutrina católica intensivamente. Durante esse período eu abrandei minha postura com relação ao catolicismo. Eu comecei a levar minha esposa à missa e também fiquei disposto a me casar na Igreja. Em 1º de dezembro de 1991, ela e eu fomos casados pelo Pe. Mark Wood, da paróquia de Renee. A cerimônia foi extremamente simples (nós tivemos duas testemunhas, a irmã e o sobrinho de minha esposa), e durou apenas cinco minutos. O casamento mais curto em que estive foi exatamente o meu, mas ainda assim foi de grande significado para nós dois.
Pelo que Renee sabia, minha posição quanto ao catolicismo abrandara, mas eu ainda me opunha à Igreja em campos teológicos. Eu decidi não lhe falar nada sobre o fato de que eu estava realmente pensando em me converter. Depois de tudo o que já tínhamos atravessado, eu não poderia aumentar-lhe as esperanças e depois desapontá-la se descobrisse alguma falha grave nos ensinamentos católicos. Em janeiro de 1992 eu compartilhei a Renee o segredo contando-lhe que poderia vir a entrar na Igreja Católica. Isso a fez feliz, embora ironicamente eu aparentasse mais entusiasmo com isso do que ela.
Com a aproximação da quaresma, eu comecei a planejar minha entrada na Igreja durante a Vigília Pascal. Não deu certo, mas no processo de me aprontar eu notifiquei meus amigos protestantes da direção que eu estava tomando. Eles receberam bem a notícia; afinal, o trabalho de base diminuíra desde que a família de Leon e muitos outros da minha igreja haviam se tornado católicos.
Uma coisa que me preocupava era que pelo fato de a minha esposa ser católica, as pessoas viessem a pensar que eu estava me convertendo para agradá-la. Essa não era a causa. Em um âmbito humano, se a minha interação com ela sobre o catolicismo tivesse feito algo, isso seria me tornar ressentido com a Igreja. O apologista católico Scott Hahn disse-me uma vez que ele se surpreendera por eu não abandonar totalmente a teologia depois de sofrer o desapontamento de ter de desistir da minha carreira por causa do catolicismo de Renee. Felizmente meus amigos protestantes conheciam-me suficientemente bem para saber que a minha conversão não era em consideração ao meu casamento.
Então aconteceu algo que mudaria a minha vida para sempre. No final de junho de 1992, logo após seu vigésimo sétimo aniversário, Renee caiu doente. Primeiramente nós pensávamos que fosse uma crise de úlcera, já que os sintomas eram os mesmos: perda de apetite, dores intestinais periódicas e fraqueza generalizada. Embora fosse, isso desencadearia em seu corpo um reflexo que lhe traria muitas dores musculares nas costas e dores de cabeça.
VIA DOLOROSA
Praticamente desde o começo das dores intestinais Renee ficou acamada, incapaz de comer e muito fraca para se mexer. Quando as dores nas costas e na cabeça começaram, tudo o que ela podia fazer era permanecer deitada e gemer. Eu lembro dos dias em que eu me deitava ao seu lado, ela chorava de dor enquanto eu sussurrava palavras para ajudá-la a desabafar a sua frustração e angústia com o que lhe acontecia.

Nós tivemos problemas para conseguir médicos que tratassem de suas dores. O seu terapeuta ajudou um pouco, enquanto a tratava com massagens. Então um dia enquanto Renee era massageada por sentir dores nas costas, ele descobriu um grande caroço na base do seu pescoço, logo acima da clavícula esquerda. Nós nunca tínhamos reparado isso antes e imaginamos que ele tivesse surgido muito rapidamente.

No dia seguinte nós levamos Renee ao primeiro de uma série de médicos, o qual passou os exames de raios x, tomografias computadorizadas, ultra-sons, biópsias e colonoscopia. Eles não acharam apenas um caroço no seu corpo; havia dúzias em todo lugar — em seus nódulos linfáticos, pulmões, fígado e cólon. Um tumor no intestino era do tamanho de uma bola de beisebol. Isso significava que ela estava com um caso avançado de câncer de cólon que com certeza a mataria.


O cirurgião que nos deu essa notícia não tinha muita habilidade no lidar com os pacientes. Como Renee não podia andar, eu aluguei uma cadeira de rodas e a levei ao escritório do médico, onde ela estava deprimida, incapaz de se sentar corretamente devido ao cansaço. Quando o médico finalmente chegou, ele gastou apenas poucos minutos conosco. Renee foi forçada a se sentar na vertical enquanto o médico verificava o curativo no seu ombro onde fora arrancado um pedaço de tecido para a biópsia. Enfraquecida por não comer e não dormir, Renee gritava enquanto o médico desprendia o esparadrapo do curativo. Eu recordo os seus longos cabelos castanhos, normalmente a sua característica mais bonita, sem brilho e molhados pelas suas lágrimas. Enquanto examinava a ferida, o médico bruscamente nos informava, "eu sinto que temos um processo cancerígeno acontecendo aqui".

Após esse breve e deselegante encontro com o cirurgião, Renee novamente caiu na cadeira tentando recuperar a calma e absorver o choque do diagnóstico. Aturdido eu a empurrei na cadeira de rodas atravessando o pátio para o primeiro de muitos encontros com o seu oncologista. Embora tivéssemos de esperar muito até que ele chegasse, nós estávamos aliviados por encontrar alguém que tivesse mais delicadeza com seus pacientes. Antes que ele entrasse no quarto para ver Renee, eu saí e conversamos reservadamente sugerindo-lhe que não discutisse sobre o tempo de vida que restava a ela. Ela ainda não estava pronta para esse assunto. O médico disse que não tinha problema já que ele à época já fazia uma vaga idéia da sua expectativa de vida. Nessa conversa eu lembro particularmente de eu ter mencionado o sucesso da cirurgia que removera um tumor benigno do tamanho de uma laranja dos intestinos do Papa João Paulo II, descoberto na mesma semana. Renee não teve a mesma sorte do papa.
Nós a colocamos no hospital para uma semana de quimioterapia, então a trouxemos de volta para casa por dois dias antes de levá-la novamente ao hospital. Isso foi necessário porque um medicamento que eles usavam na quimioterapia causou-lhe um coágulo em um de seus braços. Quando Renee voltou ao hospital, as enfermeiras ficaram preocupadas com a possibilidade de ela pegar pneumonia porque a quimioterapia da semana anterior estava matando seus leucócitos (células de defesa), dos quais ela precisava para combater a doença.
Era difícil ficar sem saber quanto tempo ainda restava para Renee. De acordo com o médico, ela poderia morrer instantaneamente devido a um coágulo, ou em uma semana de pneumonia, ou em algumas semanas de câncer. Eu percebia que as coisas iam rápido demais, então eu busquei a paróquia e deixei uma mensagem para o padre, que veio ao hospital à noite. Nós falamos sobre o estado de Renee e sobre a minha entrada na Igreja.
Cerca de uma semana antes, eu já havia lhe falado que eu estava praticamente pronto para entrar na Igreja. Eu estava mais ou menos pronto intelectualmente por algum tempo, mas quando foi descoberto que Renee tinha câncer de cólon no estado terminal, eu comecei a sentir que Deus estava me dizendo que eu estava atrasando muito e já era tempo de me engajar. O fato de minha esposa estar morrendo, não determinou a minha entrada na Igreja Católica, mas ajudou a responder a questão de quando seria a entrada: logo. Eu gostaria muito de dar a ela o presente de estarmos unidos na mesma Igreja e na mesma fé antes de sua morte.
Era uma noite de sexta-feira quando o padre e eu nos falávamos, e planejávamos a minha entrada na Igreja no domingo. Mas no sábado pela manhã, o estado de Renee tornara-se crítico, e me disseram que ela poderia parar de respirar a qualquer momento. Um médico já havia sido convocado, e esperava-se que ele colocasse Renee na UTI.
Eu chamei o Pe. Wood e contei-lhe que nós tínhamos de antecipar a nossa agenda. Eu precisava entrar na Igreja imediatamente. Não era possível esperar até o dia seguinte. Ele disse que estaria lá imediatamente. Mas antes de ele chegar, o médico veio e informou-me que havia examinado o raio x do tórax de Renee e que a pneumonia temida pelas enfermeiras não era o problema. Seus problemas respiratórios eram causados por vários tumores pequenos em seus pulmões.
Embora o prognóstico a longo prazo não fosse melhor, ela não estava no risco imediato que imaginávamos. O médico estimava que ela provavelmente teria ainda umas poucas semanas de vida. Essas eram notícias encorajadoras. Eu estava preocupado que ela viesse a morrer imediatamente nos próximos dias. Pelo menos assim eu sabia que iríamos ter um pouco mais de tempo para nos preparar para inevitável partida.
Logo depois, Renee recebeu a sua primeira dose de morfina. Então o padre chegou. Reservadamente eu me confessei com ele. Então no quarto de Renee no hospital, devido à situação de emergência, abreviando o ritual, ele me recebeu como membro da Igreja. Ele me deu um batismo condicional, e então confirmou-me. Após dar a extrema-unção a Renee, ele nos deu a eucaristia, que trouxera consigo. Minha esposa e eu comungamos juntos pela primeira e última vez, compartilhando pedaços da mesma hóstia. Embora Renee fosse capaz de receber a comunhão no dia seguinte, eu não estava presente. Essa foi a única vez que nós compartilhamos o Senhor Jesus dessa maneira.

Devido à injeção de morfina que Renee havia recebido logo antes da chegada do Pe. Wood, ela estava muito sonolenta durante a minha recepção na Igreja. Mas ela sabia o que se passava e tentava participar da melhor maneira possível, como na hora em que ela comungou. Quando a minha recepção na Igreja Católica foi completada, eu a abracei e disse-lhe que era membro da Igreja. Havia um sorriso bonito e de paz na sua face — um sorriso que durou um bom tempo.

Uma noite Renee deu-me a maior honra de toda a minha vida. Eu estava na sala de espera do hospital quando a sua mãe saiu e falou-me que Renee pedia a minha presença. Eu entrei no seu quarto e descobri que ela estava acordada, embora grogue, queria que eu a preparasse para tomar outra dose de morfina. Isso era algo que sua mãe ou qualquer outra pessoa podia fazer. Tudo o que deveria ser feito era apertar o botão de chamada para a enfermeira vir. Mas mesmo no seu estado semi-inconsciente, Renee contava comigo para ajudá-la. Muitos em seu estado teriam entrado em um estado "infantil", agarrando-se às suas mães para socorrê-las, mas Renee se agarrou a mim. Embora grogue e com dores, o pensamento que ficava em sua mente era: "James está aqui. James cuidará de mim. Ele verá o que eu preciso". Quando percebi isso, meu coração doeu novamente com a dor de a estar perdendo.

Após alguns dias do tratamento com morfina, eu comecei a me preocupar com o fato de Renee dormir demais. Ela ficava acordada apenas o suficiente para pedir outra dose de morfina e então voltava a dormir. Eu temia que ela dormisse o resto da vida e que eu não tivesse a chance de lhe falar seriamente antes de sua morte. Eu rezei desesperadamente a Deus para que ele lhe desse apenas vinte minutos de lucidez para eu falar a ela algumas coisas antes de sua morte.

Deus nos deu esses vinte minutos, e entre duas sonecas de morfina eu fui capaz de ter com Renee a conversa de que eu precisava. Eu contei-lhe carinhosamente sobre o quanto a amava e quanto qualquer um a amaria também. Disse que quando ela passasse para o outro lado, iria olhar para minha mente e ver como eu realmente a amava. Eu comecei a chorar. Ao seu pedido, eu encostei minha cabeça ao seu lado e ela desajeitadamente colocou seu braço em volta de minha nuca, confortando-me da melhor maneira que podia. Em seguida eu me senti bem melhor, e sentia que Renee e eu estávamos tão preparados para a sua partida quanto poderíamos estar.

Na manhã seguinte eu falei com Scott Hahn no telefone por volta das dez e meia. Nós dois nos falávamos muito ao telefone durante meu período de conversão. Ele iria rezar em frente ao Santíssimo Sacramento às onze horas, então eu lhe pedi para rezar para que Renee reagisse espiritualmente às coisas que eu lhe falava, que ela morresse rapidamente, e os médicos não a ressuscitassem. Scott foi rezar em frente ao Ssmo. Sacramento às onze horas e Renee veio a falecer por volta de onze e dez. Como eu perceberia depois, Scott estava de frente a Jesus rezando pelas coisas que aconteciam naquele mesmo instante — uma coincidência divina que foi de enorme conforto para mim. No fim, Renee me olhava diretamente nos olhos. Eu lhe disse que tudo ficaria bem, que ela confiasse em Deus, que eu a amava. Então beijei seus lábios. Com isso Renee e eu nos separamos.

Eu acredito que Deus nos colocou juntos para darmos dádivas recíprocas. Eu dei a ela a dádiva da liberdade do movimento de Nova Era, e no fim, eu a ajudei a dar a ela a dádiva da vida eterna. Renee ajudou a me dar a dádiva de ser católico, porque como conseqüência do nosso casamento, eu estudei arduamente a teologia católica, com mais afinco do que de outra maneira faria. Embora eu estivesse estudando com o objetivo de tirá-la da Igreja, esse mesmo estudo levou-me a reconhecer que a fé católica é a fé da Bíblia.

Renee ainda me dá dádivas. Uma das coisas que eu fiz na minha conversa com ela antes de sua morte foi dar-lhe uma lista de coisas pelas quais rezar quando ela estivesse do outro lado. Agora que ela foi ficar com Cristo, mesmo que ela ainda não esteja completamente unida a Ele, ela pode rezar por mim de maneira mais poderosa do que ela poderia quando estava na terra.

Eu estou confortado por Renee rezar por mim, uma intercessão que eu posso contar em tempos de necessidades, que ainda agora pede que Deus me mostre como eu posso servi-lo melhor na sua Santa Igreja Católica durante o resto da minha vida.


1Por exemplo, D. A. Carson admite isso em seu comentário sobre Mateus em The Expositor's Bible Commentary, Frank Gaebelein, gen. ed. (Grand Rapids: Zondervan, 1984 ed.), vol. 8, 367-368.


2Cefas é a transliteração grega do aramaico kephas (às vezes kepha ou kepa). Os evangelhos contêm várias palavras e frases hebraicas e aramaicas que foram transliteradas para o grego em benefício dos leitores não-judeus. Veja por exemplo, o uso feito por João dos termos hebraicos e aramaicos messias e cefas em Jo 1,41-42. Essa passagem esclarece a aparente diferença de significado entre Petros e petra em Mt 16,18. Em Jo 1,41, o evangelista diz que o novo nome de Simão Barjonas seria Kephas (uma pedra enorme) "que quer dizer Pedro" (Petros). 

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