sábado, 16 de abril de 2016

O FIM DA BOLSA FAMÍLIA... SERÁ?

'É mentira rasteira', rebate Temer sobre fim do Bolsa Família

 - Atualizado: 16 Abril 2016 | 11h 42

Vice-presidente se pronunciou neste sábado pelo Twitter

A um dia da votação do impeachment, o vice-presidente Michel Temer usou uma rede social nesta manhã de sábado para desmentir que irá acabar com programas sociais, como o Bolsa Família, caso ele assuma o governo. Pouco antes do horário do almoço de hoje, ele retornou ao Palácio do Jaburu, em Brasília, onde terá uma reunião de trabalho.
"Leio hoje (sábado) nos jornais as acusações de que acabarei com o Bolsa Família. Falso. Mentira rasteira. Manterei todos programas sociais", escreveu em sua conta pessoal no Twitter, por volta das 7h30.
Em vídeo divulgado nas redes sociais na madrugada deste sábado, Dilma Rousseff afirmou que Temer vai revogar os programas sociais, símbolos das gestões petistas, se chegar ao poder.
'Manterei todos programas sociais', garante Temer se assumir o lugar de Dilma
'Manterei todos programas sociais', garante Temer se assumir o lugar de Dilma
"Vejam quem está liderando esse processo e o que propõem para o futuro do Brasil. Os golpistas já disseram que se conseguirem usurpar o poder será necessário impor sacrifícios à população brasileira. Querem revogar direitos e cortar programas sociais, como o Bolsa Família e o Minha Casa Minha Vida. Ameaçam até a educação", afirmou.
A presidente faria um pronunciamento em cadeia nacional de rádio e TV na sexta-feira. No entanto, o governo decidiu suspender a transmissão e divulgar o vídeo apenas nas redes sociais por medo de interpelações jurídicas.
Temer decidiu voltar a Brasília sexta à noite, alterando seu plano inicial de passar o fim de semana em São Paulo. O vice-presidente marcou uma reunião de trabalho às 12 horas, no Palácio do Jaburu. Apesar de seus aliados demonstrarem confiança na vitória do impeachment, ainda há o receio de que o governo possa evitar os 342 votos em favor do impeachment.
A notícia de que três deputados do PP voltaram atrás na decisão de apoiar o impeachment acionou o alerta no grupo de Temer. Ainda assim, o ex-ministro Eliseu Padilha, que integra o núcleo duro do vice, classificou como "piada" a suposta reação. Também numa conta de rede social, Padilha ressaltou o pedido de demissão do presidente do PSD, Gilberto Kassab, do Ministério das Cidades.
Repercussão. Deputados do PT que participam da sessão de debate no processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff na Câmara reagiram neste sábado às publicações do vice Michel Temer em que nega a intenção de acabar com os programas sociais, o que chama de "mentira rasteira". Em discurso no plenário, o deputado Paulo Pimenta (RS) afirmou que Temer falou como presidente, antes mesmo da votação sobre a admissibilidade do processo. 
"Temer, o Breve, anunciou medidas como se presidente da República fosse", afirmou Pimenta, em tom irônico. "O vice-presidente superou seu intuito conspirador", discursou o petista. 
O deputado gaúcho se disse satisfeito com o clima de "vira, virou" que fez o governo garantir novos votos contra o impeachment, mas ressalvou que "a oposição nunca teve os votos necessários para aprovar sua proposta de golpe." 
Em entrevista, Wadih Damous (RJ), reiterou a acusação de que em um possível governo Temer haveria pressão para dificultar as investigações da Operação Lava Jato. "Todos sabem que Temer disse que conseguiria brecar a Operação Lava Jato. Não sei como, porque o Minisitério Público é autônomo e a Polícia Federal não pode atuar contra a investigação", afirmou. Damous afimou que "a ação de Temer sempre foi para brecar os programas sociais". 
O deputado carioca reforçou a tese de que a oposição não tem garantidos os 342 votos necessários para aprovar o impeachment da presidente. Segundo Damous, os deputados indecisos, desde sexta-feira, tendem a votar contra o impeachment ou optar pela abstenção, o que favorece o governo, pois tira possíveis votos a favor do afastamento da pesidente. O governo não tem que garantir votação mínima contra o impeachment, enquanto a oposição precisa de pelo menos dois terços dos 513 deputados. 
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