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sábado, 11 de outubro de 2014

CATÓLICO X PROTESTANTE FUNDAMENTALISTA



CATOLICISMO PROTESTANTISMO FUNDAMENTALISTA

Partes: Carlos Ramalhete (católico) X Mary Schultze (protestante fundamentalista)
Contribuição: A Hora de São Jerônimo - Debate


Minha conversão? Minha conversão foi brigada. Lutada!
Eu  não  queria  me  tornar  católico.  Tinha  uns  vinte   e
poucos e sabia – todo mundo sabia – que a Igreja Católica
era um horror… Comecei a estudar teologia católica para
provar   que  ela  estava  errada.  Tinha  que  ter  um erro,
alguma  coisa  para  desmoronar  esse  castelo  de   cartas.
Era   evidente  que  tudo  não passava de uma lorota. E saí
procurando,       procurando…       Acabei       achando       o
confessionário
.”  –  Prof.  Carlos  Ramalhete,  pioneiro  da
apológetica católica na internet brasileira.


Pergunta: Por que a Sra. aceita apenas um parte da Bíblia...se a lista de livros que compõem o Novo e o Antigo Testamento foi determinada ao mesmo tempo, aliás com o título de “Mãe de Deus” para “Nossa Senhora” e a Sra. aceita apenas uma parte do AT, e com que autoridade?

MARY SHULTZE: Não aceito apenas uma parte da Bíblia, mas a Bíblia completa, sem adição dos espúrios livros apócrifos, que sua Igreja mandou anexar ao Velho Testamento, no Concílio de Trento, a fim de dar fundamento a alguns dos seus dogmas heréticos.

O Dr. Samuel C. Gipp, Th. D., ilustre biblicista americano, nos diz algo interessante sobre os livros apócrifos. Vemos ler?


“Muitos críticos da Bíblia perfeita gostam de apontar que a King James original continha os Apócrifos, como se este fato pudesse comprometer sua integridade. Contudo, vários fatores devem ser examinados para se obter um quadro fatual do assunto.
Primeiro, nos dias em que a Bíblia foi traduzida, a leitura dos Apócrifos era aceita em razão do seu valor histórico, embora não fossem aceitos como Escritura por nenhuma igreja, exceto a Católica Romana. Os tradutores da King James, portanto, colocaram esses livros entre o Velho e o Novo Testamento, visando o benefício histórico de seus leitores. Eles não os integraram ao Velho Testamento, como o haviam feito os corruptos manuscritos alexandrinos.

Que eles rejeitaram os Apócrifos como divinamente inspirados é muito óbvio pelas sete razões por eles apresentadas, para não os incorporarem ao texto. São elas as seguintes:

Nem sequer um deles se encontra em língua hebraica, a única língua usada pelos inspirados historiadores e poetas do Velho Testamento.
Nenhum dos escritores fez qualquer afirmação de inspiração.
Esses livros jamais foram reconhecidos como Escrituras Sagradas pela Igreja Judaica e, portanto, jamais foram sancionados por nosso SENHOR.
A eles não se conferiu lugar ao lado dos livros sagrados, durante os primeiros quatro séculos da igreja cristã.
Eles contêm declarações mitológicas e declarações contraditórias não apenas às Escrituras canônicas mas a si mesmos. Por exemplo, nos dois livros de Macabeus, Antíoco Epifânio é descrito como morrendo de três mortes diferentes e em muitos lugares diferentes.
Por inculcarem doutrinas divergentes da Bíblia, como por exemplo, orações pelos mortos e a perfeição dos que não pecam.
Ensinam práticas imorais, tais como a mentira, o suicídio, o assassinato e o encantamento mágico.
Se ter os Apócrifos entre os dois Testamentos os desqualifica como autorizados, então os corruptos manuscritos Vaticinas e Sintáticos de Alexandria devem ser totalmente imprestáveis, visto como os seus autores obviamente não tinham a convicção dos tradutores da Bíblia King James e os incorporaram ao texto do Velho Testamento, dando-lhes, assim, autoridade como Escritura”.
Maria é Mãe de Deus?

O texto grego que a “santa madre” usa para “provar” que “Maria é Mãe de Deus” é o dos manuscritos alexandrinos, corrompidos pelo herege Orígenes, nos quais foi embasada a “Vulgata Latina” de Jerônimo, “padroeiro” do “site” do Sr. Ramalhete.

Façamos de conta que Maria, esposa do carpinteiro José, mãe do menino Jesus, entrou no Templo de Jerusalém, a fim de apresentar e consagrar seu filho, depois do tempo da purificação. De repente entrou Simeão, já bem velho e cansado, e ela falou:

- Simeão, este aqui é Deus, o meu Filho!

“Simeão o tomou em seus, e louvou a Deus e disse: Agora, Senhor, despedes em paz o teu servo, Segundo a tua palavra; pois já os meus olhos viram a tua salvação, A qual tu preparaste perante a face de todos os povos: Luz para iluminar as nações E para glória de teu povo, Israel” (Lucas 2:28-32).

Em seguida veio Ana, filha de Fanuel, da tribo de Aser, viúva de 84 anos, e Maria lhe disse:

- Ana, este aqui é Deus, o meu Filho!

“Ana dava graças a Deus e falava dele a todos os que esperavam a redenção de Jerusalém” (Lucas 2:36-38). (Citações da Almeida Corrigida e Revisada Fiel).

O que há de errado nesta narrativa? Simplesmente as palavras de Maria. Ela jamais teria dito: “Este aqui é Deus, o meu Filho!” Maria era uma mulher simples, pura e verdadeira, e jamais iria falar desse modo.

Deus não tem pai nem mãe. Ele nunca teve princípio nem terá fim. Ele é o Criador de todas as coisas (de Maria, também), portanto não tem progenitores. Deus é autoexistente. Quando dizemos que Maria é “mãe de Deus” chamamo-lo de mentiroso porque Ele mesmo disse: “Eu sou o primeiro e eu sou o último e além de mim não há Deus...Eu sou Deus e não há outro semelhante a mim” (Isaías 44:6; 46:9). Se Deus é o primeiro, então Ele não pode ter mãe. Se Maria fosse mãe de Deus, ela seria o próprio Deus ou pelo menos igual (semelhante) a Deus e então ela seria o primeiro.

Maria foi mãe de Jesus na carne, isto é, de sua natureza humana. Jesus é o Deus que se fez homem. Ele “esvaziou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens...” (Filipenses 2:7).

Se Maria fosse a “mãe de Deus” e não apenas do homem Jesus, ela seria também onipotente, onipresente e onisciente, o que ela obviamente não é.

A Igreja Romana (de Constantino) se autodenomina Católica. Mas se “católica” significa “universal” e ela é “romana”, como pode ser ao mesmo tempo romana e universal? Isso é contradição, como tudo que vem dessa Igreja. Ela vem mentindo há 16 séculos, desde a sua fundação pelo imperador pagão Constantino, dizendo que é católica, isto é, universal, quando de fato ela é apenas romana, como este imperador, que foi também o seu primeiro papa. Ela tomou emprestado o título de “Mãe de Deus” da deusa Diana dos Efésios e foi em Éfeso que esse dogma foi proclamado. Diana era uma deusa pagã de muitos seios, chamada mãe da fertilidade, da procriação dos deuses e homens. Seu primeiro nome foi Semíramis, mãe de Ninrode, construtor da Torre de Babel. Em cada país onde chegava o mito da deusa ela recebia um nome escolhido pelos sacerdotes do povo que a adorava. Exatamente o que tem acontecido no Romanismo. Cada país tem a sua “Nossa Senhora” particular. Ou várias... Há Marias para todos os gostos e apetites religiosos.

Os hierarcas romanos criaram uma porção de Marias ou “Nossas Senhoras” - a fim de engodar os ignorantes da Bíblia e poder faturar bilhões à custa da cegueira espiritual do povo. A criação de centenas de lendas religiosas sobre Maria, com aparições em mil lugares, resultou em fabuloso turismo religioso para locupletar os cofres de S. Gregório. Os tesouros acumulados nas diversas igrejas construídas depois das aparições é incalculável. Usando o nome de Maria, a santa mãe de Jesus, para criar suas “Senhoras” inspiradas em diversas deusas do paganismo, a Igreja de Constantino conseguiu se tornar a maior potência política, econômica e financeira do mundo. Enquanto isso, Jesus não tinha onde reclinar a cabeça! E ela ainda tem a coragem de afirmar que é a verdadeira Igreja de Jesus Cristo!

Qualquer regime político ditatorial, por pior que seja (Nazismo, Fascismo, Comunismo), é muito melhor do que o Romanismo. Porque este, travestido de respeitabilidade religiosa, vem explorando as pessoas há 16 séculos e mandando milhões para o inferno, através do falso evangelho da salvação pelas obras e da venda de indulgências. As Nossas Senhoras, o Purgatório, a Moeda de Pedro, as Missas, as Indulgências e muitas outras falcatruas religiosas têm carreado para a Igreja Romana milhões de hectares de terras. Milhões de edifícios imponentes. Milhões de obras de arte (esculturas e pinturas). Milhões de jóias em ouro maciço e pedras preciosas. Milhões de lingotes de ouro. Milhões de ações nas maiores corporações do globo. Enfim, milhões, bilhões, trilhões, quatriliões de dólares... “Quem tem ouvidos ouça o que o Espírito diz...” (Apocalipse 3).

Mary Schultze

(Informações colhidas nos livros: "The Vatican Billions”, Avro Manhattan; “A Woman Rides the Beast”, Dave Hunt; “Understanding Roman Catholicism”, Rick Jones; “Answers to My Catholic Friends”, Thomas F. Heinze; “A Deusa do Terceiro Milênio”, Mary Schultze).


RESPOSTA DE CARLOS RAMALHETE:

Pax Christi!

Infelizmente não tive ocasião de responder a esta mensagem anteriormente; estou assoberbado de trabalho. Vamos lá:

Resposta à Questão         

A resposta, desde logo, pode ser afirmada incompleta. Porque digo que é incompleta? Por não responder, não tentar sequer responder, à pergunta feita.

A resposta enviada pela Sra. Schultze (...) é composta basicamente de uma negação da canonicidade dos livros que ela não aceita da Sagrada Escritura e de uma tentativa de justificar negar à Nossa Senhora o título bíblico que Santa Isabel já lhe deu (Lc 1,43) e que a própria lógica requer que lhe seja dado, somadas a algumas acusações gratuitas e infundadas contra a Igreja.

Fica sem qualquer tentativa de resposta o ponto principal da questão: com que autoridade a Sra. Schultze, seguindo a tradição humana iniciada por Martinho Lutero, arroga-se o direito de afirmar ou negar a canonicidade de livros da Sagrada Escritura? Assim, à afirmação católica de que os livros que ela não aceita são inspirados por Deus, ela responde que:

Não são inspirados por Deus, pois a "Igreja mandou anexar [estes livros] ao Velho Testamento, no Concílio de Trento, a fim de dar fundamento a alguns dos seus dogmas heréticos."

Não são inspirados por Deus, pois "nos dias em que a Bíblia foi traduzida, a leitura dos Apócrifos era aceita em razão do seu valor histórico, embora não fossem aceitos como Escritura por nenhuma igreja, exceto a Católica Romana."

Não são inspirados por Deus, pois "[n]em sequer um deles se encontra em língua hebraica, a única língua usada pelos inspirados historiadores e poetas do Velho Testamento."

Não são inspirados por Deus, pois "[n]enhum dos escritores fez qualquer afirmação de inspiração."

Não são inspirados por Deus, pois "[e]sses livros jamais foram reconhecidos como Escrituras Sagradas pela Igreja Judaica e, portanto, jamais foram sancionados por nosso SENHOR."

Não são inspirados por Deus, pois "[a] eles não se conferiu lugar ao lado dos livros sagrados, durante os primeiros quatro séculos da igreja cristã."

Não são inspirados por Deus, pois "[e]les contêm declarações mitológicas"

Não são inspirados por Deus, pois "[e]les contêm (...) declarações contraditórias não apenas às Escrituras canônicas mas a si mesmos. Por exemplo, nos dois livros de Macabeus, Antíoco Epifânio é descrito como morrendo de três mortes diferentes e em muitos lugares diferentes."

Não são inspirados por Deus "[p]or inculcarem doutrinas divergentes da Bíblia, como por exemplo, orações pelos mortos e a perfeição dos que não pecam."

Não são inspirados por Deus, pois "[e]nsinam práticas imorais, tais como a mentira, o suicídio, o assassinato e o encantamento mágico."

Ao que respondo que:

Os livros cuja canonicidade é negada pela Sra. Mary Schultze - que assim coloca-se em posição de autoridade suprema à da Bíblia, ao ponto de definir o que é ou não canônico nesta - são Palavra de Deus verdadeira, tendo sido inúmeras vezes citados no Novo Testamento (mais que quaisquer outros livros do AT), tendo sido adotados pela Igreja desde sempre, tendo tido sua canonicidade afirmada junto com a primeira afirmação e listagem da canonicidade dos livros do Novo Testamento e tendo sido considerados Escritura Sagrada pelos judeus de língua grega, de cujo meio, pela vontade de Deus, vieram os Apóstolos.

O cânone do Antigo Testamento que hoje é aceito pelos judeus que não aceitaram Nosso Senhor e pelos protestantes é muito posterior à fundação da Igreja, datando do segundo século. Após a destruição do segundo Templo, os maiores "sábios" fariseus reuniram-se em Jâmnia para buscar uma maneira de preservar o judaísmo sem o Templo, criando o judaísmo rabínico em sua forma atual.

O maior problema para estes rabinos era justamente o espetacular crescimento do Cristianismo. Para combatê-lo, eles proibiram o culto vernacular, admitindo apenas o culto em hebraico (chegaram ao ponto de afirmar que os anjos não entendem o aramaico, vernáculo da Palestina). Foi também necessário dar um fim à balbúrdia canônica então vigente nos meios judaicos e cristãos, definindo uma lista de livros a serem considerados canônicos, e excluindo desta lista todos os livros do NT. Para este fim, foram excluídos os livros que não estavam disponíveis em hebraico (um manuscrito do original hebraico do Eclesiástico foi redescoberto apenas no século XIX) - como o NT inteiro, escrito em grego -, os livros posteriores à recensão de Esdras (como todo o NT) e os livros escritos fora de Israel - como o NT quase todo (e alguns trechos do AT, que foram então considerados escritos em Israel apesar de não o serem) .

Este cânone dos judeus, criado para impedir a difusão do Cristianismo em seu meio e assegurar a sobrevivência do judaísmo em sua forma rabínica, não foi jamais aceito pelos cristãos, até Lutero. Lutero viu nos livros que arrancou (e nos que tentou arrancar) da Bíblia pontos que iam frontalmente contra suas inovações. Assim, para poder permitir a difusão de seus recém-criados dogmas antibíblicos, ele passou a considerar estes livros como não inspirados. Ele tentou fazer o mesmo com livros do NT (como a epístola de S. Tiago), mas por não poder apresentar uma razão plausível para redefinir o cânone do NT, teve que voltar atrás. Para sua redefinição do cânone do AT ele simplesmente afirmou seguir o cânone judaico.

O ponto principal, porém, não é a razão alegada por Lutero, mas a autoridade que ele considerava ter, superior até mesmo à da própria Bíblia, para definir o que seria ou não canônico. É esta autoridade que ele se arrogava - e que, em sua descendência, é arrogada por todos os protestantes - que nego veementemente que um ser humano possa possuir. Nem Lutero, nem Madre Teresa de Calcutá, nem eu, nem a Sra. Schultze, nem seu editor, Edir Macedo, podemos definir quais livros pertencem à Bíblia. Esta definição depende de uma autoridade superior à da Bíblia. Eu reconheço a autoridade da Igreja, Coluna e Fundamento da Verdade, como sendo a autoridade capaz de fazer esta definição. Quem não reconhece a autoridade da Igreja está a fazer uma definição por autoridade própria, colocando-se acima da Bíblia e arrogando-se o papel de juiz, júri e carrasco dos Livros Sagrados.

Resposta à objeção (1): Não é verdade que a Igreja tenha mandado anexar este livros em Trento; o que foi feito em Trento foi uma definição de quais os versículos que pertenciam a cada livro, tomando-se a Vulgata como referência. Estes livros já estavam presentes em todas as Bíblias até a Revolta protestante, como pode ser facilmente comprovado indo-se à Biblioteca Nacional para ver a Bíblia de Gutemberg, impressa cerca de 50 anos antes da Revolta e um século antes do Concílio de Trento, e que contém todos os livros que uma Bíblia católica hodierna contém.

A primeira definição solene do cânone da Bíblia foi feita pelo Papa São Dâmaso em 382 d.C. (muitíssimo antes do Concílio de Trento!), reafirmada pelo Concílio de Hipona em 393 d.C. e no cânone 36 do Concílio de Cartago (397 d.C.), novamente reafirmada pelo Papa Inocêncio I em 401 d.C.), pelo Papa São Gelásio I em 495 d.C. e pelo Papa Eugênio IV, na Bula Cantate Domino, em 1441 d.C., sendo finalmente reafirmada pelo Concílio de Trento em 1546. O que o Concílio de Trento fez a mais foi apenas afirmar que estes mesmos livros, já tantas vezes definidos como canônicos, devem ser recebidos "como sagrados e canônicos (...) inteiros com todas as suas partes, tal como é costume lê-los na Igreja Católica e tal como estão contidos na antiga edição Vulgata latina". Não se trata de "mandar anexar" nada; estes livros sempre foram considerados canônicos, desde que o Papa São Dâmaso fez a primeira definição do que é e não é Escritura (definição, aliás, aceita pela Sra. Schultze no que diz respeito ao Novo Testamento). Tendo porém em vista os problemas que podem ser causados por versículos faltando pedaços, diferenças de significado entre uma tradução e outra, etc., a Igreja houve por bem definir o padrão para a aceitação de *versículos*: a Vulgata.

Resposta à objeção (2): Não só não é verdade que estes livros não fossem aceitos por outras Igrejas na época em que surgiram as primeiras traduções protestantes (as Igrejas cismáticas orientais os aceitavam como canônicos), como a questão é uma petição de princípio e gira em círculos. As "Igrejas" a que a Sra. Schultze se refere são indubitavelmente as seitas protestantes recém-fundadas, que baseavam o seu cânone bíblico no cânone inventado por Lutero por autoridade imaginária auto-concedida. Ora, se estas seitas afirmavam que a Bíblia era a única autoridade a aceitar e elas são a fonte de autoridade da Bíblia (ao ponto de poderem ser citadas em apoio à tese da Sra. Schultze), ela está colocando a "Igreja Luterana", os calvinistas, os anabatistas, etc. como possuindo autoridade superior à da Bíblia.

Resposta à objeção (3): Não é verdade que nenhum deles se encontre em hebraico; conforme já disse, o original hebraico do Eclesiástico foi encontrado na guenizá ("cemitério" de Bíblias) da Sinagoga do Cairo em 1896. Mesmo que fosse verdade esta afirmação, por este argumento seria necessário negar a canonicidade dos Evangelhos, dos Atos, das Epístolas, do Apocalipse... Afinal, nenhum destes livros inspirados é encontrado em hebraico, a não ser em tradução do original grego (e tradução bem ruinzinha, aliás; eu a tenho).

Resposta à objeção (4): Tampouco foi feita afirmação de inspiração na maior parte dos livros do Novo Testamento. O próprio São Lucas mostra que não sabia estar sendo movido pelo Espírito ao escrever seu Evangelho, conforme pode ser visto nos primeiros quatro versículos. A inspiração divina não era consciente nos autores inspirados, e não é necessário que haja nenhuma afirmação de inspiração para que um livro seja considerado inspirado, conforme vemos nos demais livros da Bíblia que não afirmam inspiração. Aliás, voltando à velha história, o Corão afirma ser inspirado, mas não o é...
Resposta à objeção (5): Tampouco é verdade que os judeus não tenham aceito estes livros como inspirados. A negação de sua canonicidade foi feita depois dos judeus terem, por sua negação do Senhor, perdido a eleição divina. Conforme vemos, dentre muitíssimos outros exemplos, São Paulo aceita sem qualquer contestação como Palavra de Deus a assunção de Enoque, narrada em Eclo 44,16 e citada pelo Apóstolo em Hb 11,5.

Resposta à objeção (6): Até a definição do cânone feita pelo Papa São Dâmaso não havia consenso acerca de quais livros seriam inspirados; no NT, por exemplo, Hb, Ap, Tg, 2Pd, Jd e as Epístolas de São João tinham sua inspiração negada por muitos, assim, como era afirmada por muitos a inspiração do Pastor de Hermas. A controvérsia só foi dirimida pela definição do cânone bíblico pela Igreja no fim do século IV.

Resposta à objeção (7): Mais uma vez, uma petição de princípio. O que é uma declaração mitológica? Alguém que não aceite a inspiração divina do Gênesis há de afirmar que o relato da Criação é "mitológico". A Sra. Schultze está afirmando que não aceita estes livros porque são mitologia. Ora, são considerados por ela mitológicos porque não os aceita! É um círculo vicioso.

Resposta à objeção (8): A suposta contradição com os livros canônicos não é mais contraditória que, por exemplo, o fato de vermos em Gn 11,12 que Arfaxad era o pai de Salé, enquanto em Lc 3,35-36 Cainã é o pai de Salé e Arfaxad é seu avô, ou que em Tg vemos que a fé sem obras de nada vale. São problemas de compreensão, não de real contradição. Quanto ao caso citado pela Sra. Schultze (a morte de Antíoco), ela é realmente narrada por três vezes, mas não há contradições: em 1Mc 6,16, vêmo-lo morrer doente em terra estrangeira (na Pérsia - a ênfase é dada à sua tristeza, por ver que seus intuitos haviam malogrado); em 2Mc 1,16, vêmo-lo morrer igualmente na Pérsia, em decorrência de ferimentos; 2 Mc 9,28, vemos (v 2) que tentou ainda fugir da Pérsia após roubar o Templo (cujo desmoronamento o feriu, conforme visto em 2Mc 1), mas a ferida não se curava e ele se entristece (conforme visto em 1Mc 6), morrendo sem ter conseguido sair da Pérsia em decorrência de seus ferimentos. A narrativa é evidentemente referente aos mesmos fatos (sua morte na Pérsia, causada por ferimentos gangrenados decorrentes de um desmoronamento, que o levaram a depressão), com ênfases diferentes. Em 1 Mc 6 a ênfase é em sua tristeza; em 2Mc 9, em sua tristeza e no sofrimento causado pelos ferimentos que não se fechavam; em 2Mc 1, na causa de seus ferimentos. Não há contradição alguma.

Resposta à objeção (9): Outra petição de princípio!!! As doutrinas que a Sra. Schultze considera "divergentes da Bíblia" são na verdade divergentes apenas das tradições humanas iniciadas por Lutero, o que o levou a arrancar da Bíblia os livros que negavam suas heresias de maneira mais explícita. Estas doutrinas só podem ser consideradas por ela "divergentes" porque ela nega a inspiração dos livros. Do mesmo modo, alguém que negasse a inspiração do Apocalipse poderia afirmar que o Apocalipse tem doutrinas "divergentes da Bíblia", como mortos orando...

Resposta à objeção (10): Este é um julgamento demasiadamente subjetivo e desprovido de afirmações mais explícitas para que possa ser devidamente rebatido. Em grandes linhas, posso afirmar com segurança que nada disso é ensinado nestes livros; provavelmente a Sra. Schultze está tomando como regra aquilo que é na verdade um caso específico, algo um pouco na linha dos protestantes americanos que seguram cobras nos cultos porque leram que as cobras não poderão matá-los... :)

Vejamos: segundo ela, os livros cuja canonicidade ela nega "[e]nsinam práticas imorais, tais como:

"a mentira" - Que tipo de mentira? Entregar sua mulher ao rei afirmando ser sua irmã, como fez Abraão?

"o suicídio" - o de Judas ou o martírio de Santo Estêvão, que poderia ser evitado fugindo como São Paulo o fez mais tarde?

"o assassinato"- "não deixarás viver uma feiticeira", ou atravessar adúlteros com um golpe de lança?
"e o encantamento mágico." - como curar feridas causadas por mordida de cobras olhando para uma imagem esculpida de cobra?...

Todas estas "práticas imorais" que citei estão em livros que ela considera canônicos.

Em seguida, a Sra. Schultze dedica-se a negar a devida honra à Mãe do Senhor. Vejamos. Segundo ela:

Nossa Senhora não é Mãe de Deus porque "[o] texto grego que a 'santa madre' usa para 'provar' que 'Maria é Mãe de Deus' é o dos manuscritos alexandrinos, corrompidos pelo herege Orígenes, nos quais foi embasada a 'Vulgata Latina' de Jerônimo".

Nossa Senhora não é Mãe de Deus porque "Deus não tem pai nem mãe. Ele nunca teve princípio nem terá fim. Ele é o Criador de todas as coisas (de Maria, também), portanto não tem progenitores."

Nossa Senhora não é Mãe de Deus porque "Ele mesmo disse: 'Eu sou o primeiro e eu sou o último e além de mim não há Deus...Eu sou Deus e não há outro semelhante a mim' (Isaías 44:6; 46:9). Se Deus é o primeiro, então Ele não pode ter mãe."

Nossa Senhora não é Mãe de Deus porque "Se Maria fosse mãe de Deus, ela seria o próprio Deus ou pelo menos igual (semelhante) a Deus e então ela seria o primeiro."

Nossa Senhora não é Mãe de Deus porque "Maria foi mãe de Jesus na carne, isto é, de sua natureza humana. Jesus é o Deus que se fez homem. Ele 'esvaziou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens...' (Filipenses 2:7)."

Nossa Senhora não é Mãe de Deus porque "Se Maria fosse a 'mãe de Deus' e não apenas do homem Jesus, ela seria também onipotente, onipresente e onisciente, o que ela obviamente não é."

Nossa Senhora não é Mãe de Deus porque "tomou emprestado o título de 'Mãe de Deus' da deusa Diana dos Efésios e foi em Éfeso que esse dogma foi proclamado."

Nossa Senhora não é Mãe de Deus porque "Os hierarcas romanos criaram uma porção de Marias ou 'Nossas Senhoras' - a fim de engodar os ignorantes da Bíblia e poder faturar bilhões à custa da cegueira espiritual do povo. A criação de centenas de lendas religiosas sobre Maria, com aparições em mil lugares, resultou em fabuloso turismo religioso para locupletar os cofres de S. Gregório."

Ao que respondo que:

Nossa Senhora, conforme a Sagrada Escritura e a própria lógica mais elementar, é sim Mãe de Deus.

Santa Isabel afirma, ao ver-se diante de nossa Senhora, que a Virgem Imaculada é "a mãe do meu Senhor". "Meu Senhor" é, evidentemente, Deus. "Mãe do meu Senhor" é portanto a exatíssima mesma coisa que "Mãe de meu Deus".

Do mesmo modo, é lógico que Nossa Senhora seja considerada a Mãe de Deus. Afinal, Jesus Cristo é Deus e ela é Sua mãe. Logo, ela é mãe de Deus.

Esta verdade de fé foi definida como resposta aos nestorianos, que afirmavam que Nosso Senhor Jesus Cristo teria não apenas duas naturezas, a humana e a divina, mas também duas pessoas: a Segunda Pessoa da Santíssima Trindade e uma pessoa humana. Ora, o que quer dizer isto? Isto significaria que Jesus não seria realmente Deus, mas sim seria um homem como que "possuído" por Deus. Haveria nele duas pessoas em esquizofrênica coabitação, uma Pessoa divina e uma pessoa humana. Segundo este raciocínio, Nossa Senhora seria apenas a mãe da pessoa humana, não da divina.

Ora, isto é, em última instância, uma negação de que Deus tenha Se feito homem. Se Deus Se fez homem, Ele não "coabitou" com um homem, Ele realmente tomou a nossa natureza. A formulação ortodoxa portanto é que Nosso Senhor tem duas naturezas, a humana e a divina, e uma só Pessoa, a Segunda Pessoa da Santíssima Trindade.

Se Nossa Senhora não é mãe de Deus, isto significa que Jesus não é Deus. A questão é simplesmente, para quem aceita esta hedionda tese, se Ele um dia tornou-Se Deus (à maneira "espírita" dos nestorianos, coabitando com Deus) - o que mesmo assim já impede a aceitação da tese segundo a qual Nossa Senhora não é Mãe de Deus, pois a mãe do presidente não deu a luz a um presidente, sim a um menino que um dia tornou-se presidente. Mesmo assim ela é a mãe do presidente... - ou se Ele jamais foi Deus (como querem os "testemunhas de jeová")...
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É mais que evidente que ela não é Mãe de Deus desde sempre, mas desde que o Verbo Se fez Carne em seu seio e assim habitou entre nós. Ela é uma criatura de Deus, escolhida e preparada por Ele para dar-Lhe Sua carne (posto que Ele não teve pais humanos, é evidente que toda a Sua Carne é segundo a dela; geneticamente falando, Ele é filho apenas dela) no tempo devido. Assim como era perfeitamente possível afirmar no tempo de Moisés que "Deus não tem corpo", era então possível afirmar que Ele não tinha Mãe. Desde que Ele tomou um corpo, porém, desde que Ele, no seio da Virgem Puríssima, assumiu a nossa natureza e passou a ter um corpo, não é mais possível afirmar nem que Ele não tenha corpo nem que Ele não tenha mãe.

A partir da Concepção do Senhor, a partir do momento em que Ele se fez carne em seu seio pelo poder do Espírito Santo, ela passou a ser a Mãe de Deus. Este título é óbvio pela lógica e comprovado pelas Escrituras, que consignaram a frase de Santa Isabel.

Resposta à objeção (1): A Igreja não "usa textos para provar" a Verdade, menos ainda textos corruptos (quanto aos textos supostamente corruptos, ver msg anterior). Esta verdade de fé, crida por todos os cristãos desde a Encarnação do Verbo, é comprovadamente Verdade de Fé pelo fato de sua definição pela Igreja. Ela não é negada, evidentemente, pelas Sagradas Escrituras, que a apóiam, assim como a lógica (ver acima). Trata-se de uma decorrência lógica da reta compreensão da Encarnação do Verbo.
Resposta à objeção (2): Deus é evidentemente incriado e Nossa Senhora é evidentemente criada. A partir do momento em que Deus se fez homem, porém, Ele passou a ter um corpo criado (e criado a partir do corpo da Virgem, e nutrido pelo sangue da Virgem durante nove meses e por seu leite durante mais de ano) e ter Mãe. Negar que a Virgem seja Mãe de Deus é negar que Jesus, seu filho, seja Deus.
Resposta à objeção (3): Deus é evidentemente o primeiro, por não ser criatura e sim Criador, mas a partir do momento em que Ele Se fez Carne passou a ser possível, por Sua inserção no tempo, dizer que temporalmente alguém era mais velho que Jesus Cristo. É evidente que a Segunda Pessoa da Santíssima Trindade é anterior a qualquer pessoa, mas o Verbo só Se fez Carne em um momento determinado da História. Para que ocorresse esta Encarnação do verbo, Ele criou, formou e tomou uma Mãe: a Virgem Imaculada. Ela evidentemente não Lhe é anterior em criação, mesmo porque Ele não foi criado; ela, porém, é Sua mãe a partir do momento em que Lhe deu Carne.
Resposta à objeção (4): Ver resposta acima. Esta objeção lembra um pouco os que dizem que quando Deus assumiu a nossa natureza nos transformou a todos em deuses... Há porém uma questão mais séria contida nesta objeção, que merece uma resposta mais completa: É verdade que nada maior pode sair de algo menor. Isto poderia fazer parecer que ela não poderia ser Mãe de Deus, por ser infinitamente menor que Deus. Há porém um ponto muito importante: Seu Pai. Nosso Senhor não é filho apenas da Virgem, sim da Virgem e de Deus Pai. Pela união de Criador e criatura Aquele por quem tudo foi criado pôde, Ele também, entrar no tempo e passar a ser também um homem, sem jamais deixar de ser Deus. De Seu Pai, que O gerou antes de todos os séculos, Ele tem a divindade; de Sua Mãe, que O concebeu no tempo pelo poder do Espírito Santo, O nutriu e O educou, Ele tem a humanidade. Verdadeiro Deus e verdadeiro homem, com Mãe humana e Pai divino.
Resposta à objeção (5): Justamente por ser Mãe de Deus que Se fez homem ela é Mãe de Deus. Há em nosso Senhor uma só Pessoa: a Segunda Pessoa da Santíssima Trindade. O fato de haver duas naturezas, humana e divina, não faz com que seja possível fazer uma separação de pessoas, uma das quais seria filha da Virgem e outra não.
Resposta à objeção (6): A objeção não faz sentido, a não ser que a Sra. Schultze considerasse, como creio que pelo menos não considera, que Jesus não fosse Deus verdadeiramente ou não fosse verdadeiramente homem. A Virgem é Mãe de Jesus, que é Deus e homem, não apenas homem. A união hipostática de Deus e homem não é uma coabitação, mas sim uma só Pesoa, verdadeiramente divina e humana. Afirmar que a Virgem deveria ter os atributos divinos para ser Mãe de Deus feito homem seria afirmar que Jesus não seria verdadeiramente homem.
Resposta à objeção (7): Esta afirmação é totalmente gratuita e desprovida de sentido. O Concílio de Éfeso estava preocupado com questões cristológicas importantíssimas, não com "fazer média" com meia-dúzia de pagãos escondidos nas montanhas. Além disso, a Diana dos Efésios não era chamada por eles "Mãe de Deus", mesmo porque eram politeístas. Ela era uma "deusa-mãe", ou seja, uma deusa da fertilidade. Sugiro ler os textos do Concílio para saber do que ele tratou.
Resposta à objeção (8): Os "ignorantes da Bíblia" que conheço são os protestantes, que fazem o que S. Pedro nos advertia para não fazer (2Pd 3,16) e vão para o Inferno... Mas vamos lá: esta objeção não apenas seria insuficiente caso fosse verdadeira (pois temos aqui mesmo no Brasil o exemplo de muitas e muitas seitas que usam da Bíblia para arrancar dinheiro dos pobres - e a pior delas é a que publica periodicamente os artigos da Sra. Schultze - e nem por isso a inspiração da Bíblia deve ser negada), como é patentemente falsa.
Os títulos de Nossa Senhora são referências a aspectos seus ou a momentos de sua vida. Nossa Senhora é, porém, uma só. Do mesmo modo, as aparições marianas dificilmente poderiam ser chamadas de "criações" de "hierarcas romanos"; pelo contrário, até. É muito difícil que a Igreja dê o seu "nada obsta" a uma aparição (e cabe mais uma vez lembrar que acredita quem quiser, com fé pessoal apenas), e isso só ocorre após o fim das supostas aparições e cuidadoso exame do conteúdo das supostas revelações. Para que se tenha uma idéia, depois de Fátima apareceram mais de 200 "aparições", todas condenadas pela Igreja. Os "aparicionistas" queixam-se o tempo todo de como a Igreja é, na opinião deles, demasiadamente rígida ao examinar estes casos...

Quanto às acusações gratuitas feitas à Igreja:
"A Igreja Romana (de Constantino) se autodenomina Católica."
"Mas se “católica” significa “universal” e ela é “romana”, como pode ser ao mesmo tempo romana e universal?"
"Ela vem mentindo há 16 séculos, desde a sua fundação pelo imperador pagão Constantino, dizendo que é católica, isto é, universal, quando de fato ela é apenas romana, como este imperador, que foi também o seu primeiro papa."
"Os tesouros acumulados nas diversas igrejas construídas depois das aparições é incalculável."
"Qualquer regime político ditatorial, por pior que seja (Nazismo, Fascismo, Comunismo), é muito melhor do que o Romanismo. Porque este, travestido de respeitabilidade religiosa, vem explorando as pessoas há 16 séculos e mandando milhões para o inferno, através do falso evangelho da salvação pelas obras e da venda de indulgências."
"As Nossas Senhoras, o Purgatório, a Moeda de Pedro, as Missas, as Indulgências e muitas outras falcatruas religiosas têm carreado para a Igreja Romana milhões de hectares de terras. Milhões de edifícios imponentes. Milhões de obras de arte (esculturas e pinturas). Milhões de jóias em ouro maciço e pedras preciosas. Milhões de lingotes de ouro. Milhões de ações nas maiores corporações do globo. Enfim, milhões, bilhões, trilhões, quatriliões de dólares..."
Estas acusações mostram que a Sra. Schultze infelizmente coloca o seu preconceito contra a Igreja acima da Verdade. Nosso Senhor Jesus Cristo fundou Sua Igreja, que é a mesma desde sua fundação. Se, como ela parece acreditar, a Igreja tivesse sido fundada quatro séculos depois de Cristo por um imperador romano, teria certamente havido protestos dos cristãos e da Igreja verdadeira. Sabemos, porém, que não os houve. Do mesmo modo, são muitíssimos os textos anteriores à data que ela arbitrariamente determina que provam ponto por ponto a existência anterior das doutrinas que ela vê como corrompidas por uma Igreja fundada quatro séculos depois de Cristo.
Além disso, ao afirmar tal descalabro, ela chama Nosso Senhor de mentiroso, pois Ele disse que Sua Igreja não seria vencida pelas Portas do Inferno. A fundação de uma falsa Igreja que seria incontestadamente vista como a Igreja Verdadeira de Nosso Senhor Jesus Cristo pela maioria dos cristãos até hoje seria a Igreja verdadeira desaparecida para ceder seu lugar às portas do Inferno.

Resposta à acusação (1): A Igreja Católica não é "de Constantino"; ela é chamada Católica desde muito antes de Constantino pensar em nascer! O uso mais antigo registrado desta expressão data de aproximadamente 107 d.C. (ou seja, há 1893 anos atrás, setenta e quatro anos após a Ressurreição do Senhor e cerca de 200 anos antes da conversão de Constantino), quando Santo Inácio de Antioquia escreveu: "Onde quer que se apresente o Bispo, ali esteja também a comunidade, assim como a presença de Cristo Jesus nos assegura a presença da Igreja Católica" (carta aos Esmirnenses 8,2).
Note-se, porém, que este é apenas o texto mais antigo que chegou até nós com esta expressão; a consciência da catolicidade (ou seja, da unidade e universalidade territorial e temporal) da Igreja é uma constante desde os Apóstolos. "Uma só Fé, um só Batismo".

Resposta à acusação (2): Por estar presente em todo o globo e ter sua sede e governo visível em Roma.
Resposta à acusação (3): Resposta à acusação 3) Quanto à absurda alegação de que a Igreja teria sido fundada por Constantino, ver acima. Constantino foi em certa medida benéfico para a Igreja, pois primeiro (em 313 d.C.) promulgou o Edito de Milão, dando aos cristãos liberdade de culto, e só mais tarde, em 380, seu sucessor o Imperador Teodósio I tornou o cristianismo religião de Estado. Por outro lado, ele foi bastante problemático por querer ter ingerência indevida em assuntos eclesiais. Esta ingerência foi bem acolhida apenas pelos cristãos orientais, dando origem a uma triste tradição de cesaropapismo que levou ao Grande Cisma do Oriente (1054 d.C.) e, em tempos modernos, à colaboração do Patriarcado cismático de Moscou com os comunistas. Outra coisa que Constantino - que aliás só foi batizado à beira da morte... - fez que mais que prova o absurdo das acusações da Sra. Schultze foi a mudança da capital do Império para o Oriente (Constantinopla, atual Istambul). O Papado, evidentemente, continuou em Roma, estando porém por esta medida mais liberto das constantes pressões e ingerências indevidas deste imperador.
Resposta à acusação (4): Pelo contrário, é bastante calculável e calculado. Se a Sra. Schultze dispor-se a viajar até Aparecida poderá pedir uma prestação de contas, feita a cada mês. Na verdade sobra muito pouco dinheiro, pois a imensíssima maioria das doações é usada em obras de caridade.
Resposta à acusação (5): A Igreja não prega "a salvação pelas obras", como afirma a Sra. Schultze, sim a necessidade de obras para a salvação, de acordo com o ensinado pelos Apóstolos ("a fé sem obras é morta"). Do mesmo modo a Igreja nunca "vendeu indulgências"; pelo contrário, aliás. Para se lucrar uma indulgência (que não é "vendida", mas pode ser concedida a uma ação já normalmente meritória, em alguns casos de natureza financeira, como ajudar a construção de uma igreja ou uma obra de caridade) é necessário muito mais que o que um protestante afirma ser necessário para ser salvo: deve-se fazer uma confissão completa, ter completo arrependimento dos pecados cometidos, comungar, orar nas intenções do Santo Papa e fazer a ação indulgenciada com a intenção de lucrar a indulgência. A respeito desta Doutrina, ver artigo meu em http://www.fortunecity.com/millenium/teletubby/46/respostas.html.
Resposta à acusação (6): Deixando de lado os absurdos inconscientemente cometidos pela Sra. Schultze, que evidentemente se devem à incompreensão da Doutrina católica e ao ódio pela Igreja (como o Purgatório levando dinheiro a algum lugar...), estas famosas "fortunas" não são de modo algum tão enormes quanto la pensa crer. Quem dera! Pelo contrário, no ano passado foi a primeira vez que a Santa Sé recebeu mais dinheiro que gastou em muitas décadas. Este superávit, mesmo assim, é muitíssimo menor que o orçamento de qualquer mega-seita protestante, como a que publica seus artigos ou a "Deus é Amor".
O Óbulo de Pedro (não "Moeda de Pedro") é uma contribuição anual enviada a Roma pelas paróquias e dioceses do mundo no dia de São Pedro. Seu valor é na verdade mais um símbolo de união que um valor financeiro real.

Esperando pela resposta à questão 3,
seu irmão em Cristo,

Carlos


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