sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

LULA ESTÁ COM MEDO

Com medo de Moro, Lula e aliados ameaçam Dilma

Envolvidos no escândalo da Petrobras exigem apoio da presidente para barrar investigações


"Por delicadeza, perdi minha vida." Os mais célebres versos do poeta Arthur Rimbaud são uma espécie de senha de uma articulação para forçar a presidente Dilma Rousseff a fazer algo que, há meses, vem se recusando a fazer: meter a mão na massa e preparar os ingredientes para uma pizza que salve políticos de peso no escândalo da Petrobras. A pressão cresceu muito com a convicção de que, depois da prisão do empresário Marcelo Odebrecht, o ex-presidente Lula entrou de vez na mira da Operação Lava-Jato.
Na ótica de Lula e de seu entorno, Dilma e os ministros Aloizio Mercadante e José Eduardo Cardozo no mínimo vêm fazendo corpo mole, na expectativa de que o Ministério Público quebre a crista de Renan Calheiros (PMDB-AL) e de Eduardo Cunha (PMDB-RJ), e facilite a vida do governo no Senado e na Câmara. Dilma também avalia que o escândalo da Petrobras não vai bater na sua porta, o salve-se quem puder ficaria do lado de fora. Por causa dessas apostas, a presidente e seus ministros teriam deixado de interceder junto ao procurador-geral da República, Rodrigo Janot, e a ministros do Supremo Tribunal Federal. Também nada fizeram para conter a escalada nas investigações conduzidas pelo juiz Sérgio Moro. 
Lula atribui a esse comportamento “omisso” do governo as “ousadias” de Moro. Avalia que, se tivesse sido ouvido, a situação não chegaria ao ponto que chegou. Daí a sua irritação e as críticas abertas a Dilma. “Ou ela muda agora ou morre também”, afirma um dos líderes da articulação, com bom trânsito junto a Dilma e a Lula. A avaliação dele é de que, se Lula cair, Dilma cai também. Sem o ex-presidente, ela não resistiria a uma investigação sobre o dinheiro desviado da Petrobras que teria abastecido suas duas campanhas ao Palácio do Planalto.
Mas o que Dilma pode fazer? O roteiro seria o seguinte: atender ao que Lula vem propondo há tempos e se acertar para valer com o senador Renan Calheiros e o deputado Eduardo Cunha. Esse entendimento eliminaria o combustível que, semana após semana, vem realimentando a crise política. Até aqui, a presidente resistiu aos apelos e às exigências de Lula, por avaliar que o preço a ser pago é caro demais. A turma que está costurando esse acordão diz que, agora, ela não tem outra opção.
Digamos que Dilma finalmente aceite. O que, a esta altura do campeonato, isso poderia influenciar nas investigações sobre o escândalo na Petrobras e em outras empresas estatais? Os políticos envolvidos nessa operação têm um plano de voo. Numa ação coordenada, mas cada um no seu pedaço, Dilma, Lula e os presidentes do Senado e da Câmara fariam discretas gestões junto a ministros do Supremo e ao Ministério Público, a pretexto de que o juiz Sérgio Moro teria ultrapassado os limites legais. O passo seguinte seria conseguir, em alguma instância do Judiciário, a revisão de algumas decisões tomadas na Justiça Federal de Curitiba, como a prisão preventiva de Marcelo Odebrecht.  A meta é evitar qualquer ação contra Lula em Curitiba e encontrar uma saída em Brasília para livrar Renan Calheiros e Eduardo Cunha, entre outras estrelas da política. Simples assim.
Mas se o acordão pode ser uma boia para quem está enrascado, não é garantia alguma de sucesso na Justiça. Conseguir, por exemplo, apoio no Judiciário para desmontar, mesmo que parcialmente, a apuração do maior escândalo de corrupção da nossa história não será fácil. A determinação e o destemor do juiz Sérgio Moro causam espanto em quem milita na Justiça. Uns entendem que ele queima etapas em suas decisões, outros o consideram excessivamente rigoroso. Mas ninguém – nem os advogados de defesa – questiona sua competência técnica.
Os investigadores do Ministério Público e da Polícia Federal em Curitiba também são considerados competentes e têm apoio de suas corporações. Os resultados até agora os credenciam. A ponta empresarial do esquema de corrupção na Petrobras está praticamente desvendada e começa a ser punida. Ex-diretores da Petrobras, executivos de empresas, lobistas e políticos sem mandato, como os ex-deputados federais André Vargas e Pedro Corrêa, são inquilinos de uma penitenciária estadual no Paraná. Também se hospeda lá João Vaccari Neto, ex-tesoureiro do PT. A população acompanha, apoia a investigação e está encantada com o fato de, pela primeira vez, donos e executivos de grandes empreiteiras terem sido presos. Por tudo isso, será difícil melar o trabalho de Moro. O medo de Lula é justificável.
Quem em breve deve entrar em cena é o procurador-geral Rodrigo Janot, com o encaminhamento ao Supremo Tribunal Federal de uma primeira leva de denúncias de políticos envolvidos no escândalo da Petrobras. As peças da acusação já estão em sua mesa, prontas e revisadas. Com o auxílio de uma força-tarefa, integrada por procuradores com capacidade de trabalho reconhecida pelos colegas, Janot ficou responsável pela investigação de dezenas de parlamentares, entre eles Renan Calheiros e Eduardo Cunha, e os governadores do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão (PMDB), e do Acre, Tião Viana (PT).
Na busca de provas contra os investigados, Rodrigo Janot teve uma boa ajuda internacional, especialmente da Procuradoria-Geral da Suíça, que identificou contas e empresas offshore e rastreou suas movimentações financeiras. Segundo procuradores brasileiros, tudo no melhor estilo do famoso "siga-se o dinheiro". Portanto, ele está em condições de apresentar denúncias consistentes.
Os que ainda apostam em pizza acreditam na influência do governo nas decisões de Janot. Eduardo Cunha e Renan Calheiros acham que, se o Palácio do Planalto tivesse ajudado, eles não estariam na lista dos investigados. Cunha vai além. Está convencido de que entrou na lista a pedido do governo. Nessa linha de raciocínio, o acordão poderia excluí-los de eventuais denúncias. Procuradores ligados a Janot dizem que isso é pura fantasia. Não há, por exemplo, a menor chance de ser aceita uma sugestão palaciana para aliviar a mão contra Eduardo Cunha.
Na realidade, Lula e seus interlocutores no PMDB e no PT, envolvidos no escândalo da Petrobras, ao cobrarem uma ação efetiva de Dilma, insinuam a possibilidade de uma barganha entre o governo e Rodrigo Janot. Só que essa conta não fecha. Se precisa da indicação de Dilma e da aprovação do Senado para um novo mandato como procurador-geral da República, Janot depende também do apoio e dos votos dos procuradores da República. Além de manchar sua biografia, ficaria mal com os colegas.

Restaria, portanto, uma ofensiva sobre ministros do Supremo. No julgamento do mensalão, quando o próprio Lula teria buscado apoio de ministros, como Gilmar Mendes, foi um tiro no pé. Difícil acreditar que Dilma corra o risco de vexame igual. Pressionada, ela até pode ensaiar alguns gestos em direção a Renan e Cunha. Nada mais que isso. Até porque ela está atolada em suas próprias desventuras – com popularidade no chão, com as contas de sua gestão na berlinda por causa das pedaladas fiscais, sem apoio na Câmara e no Senado, acusada de estelionato eleitoral, inclusive por Lula....

FONTE - FATO ON LINE 
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