A IGREJA CATÓLICA E O CÂNON BÍBLICO, PROTESTANTES E SUAS BÍBLIAS MUTILADAS



(OS CONCÍLIOS QUE DECIDIRAM O CÂNON BÍBLICO)

É bem comum vermos os círculos Protestantes acusarem o Concílio de Trento (ou qualquer outro Concílio) de acrescentar livros ao cânon. Gostaria de ver, primeiro, responderem a esta pergunta:

como sabemos que existem apenas 39 livros no Antigo Testamento e 27 livros no Novo Testamento?

Não há um só versículo na Bíblia inteira que dê esta orientação, seja uma tradução católica, ortodoxa-oriental, ortodoxa-etíope, protestante, que aponte quais livros pertencem à Bíblia. Esse é um sério problema para os protestantes e das pessoas que afirmam que é “apenas a Bíblia” que declaram que a sua Bíblia é a única e maior autoridade para eles, de maneira sobrenatural o número de livros da sua Bíblia depende da declaração de fé das suas [respectivas] igrejas, ou de suas pressuposições, ou dos seus concílios eclesiásticos, ou – talvez – “porque o meu pastor me disse isso”. Resumindo: eles dependem de uma autoridade extrabíblica para determinar quais livros pertencem à Bíblia; em outras palavras da tradição, e mais uma vez de forma sobrenatural os Protestantes transformam a Bíblia, com esses livros predeterminados, em sua única e maior autoridade. Mas devemos lembrar que isso deveria implicar que Protestantes afirmam que a bíblia é exclusiva de autoria do espírito santo, o que toda a Igreja Católica concorda, mas o espírito santo usou os santos homens para dizer quais livros eram os corretos. A contradição Protestante é que eles afirmam que não temos autoridade extrabíblica para determinar quais livros pertencem à Bíblia! É um argumento que dá voltas e para no mesmo lugar, um argumento em círculo, auto contraditório!

Podemos verificar que os textos lidos nas missas na Igreja Primitiva eram vários, seguem-se as leituras, em número variável, a fim de familiarizar os cristãos com as tradições e os dogmas. Subindo a um lugar elevado, a um púlpito, que São Cipriano comparará à Tribuna onde os magistrados Romanos administravam a justiça, um leitor faz ouvir diversos textos ordenados segundo os significados da festa que se celebra. Lê páginas do Antigo Testamento, da Lei e dos Profetas; trechos das cartas que os grandes chefes da cristandade tinha escrito no decurso do seu apostolado ou que um ou outro ainda escrevia: epístolas de São Paulo, de São João, e São Pedro, de Santo Inácio e de São Clemente; ou ainda passagens dos Atos dos Apóstolos. As narrativas referentes aos Mártires, tal como chegaram até nós e que são tão comoventes, são também lidas desta maneira. Temos de pensar o que os fiéis imaginavam ao escutarem o relato tão dramático na sua simplicidade, dos sofrimentos que os seus irmãos acabavam de suportar e aos quais sabiam que podiam estar destinados alguns dos que se encontrava entre eles! Entre as leituras, recitavam-se ou cantavam-se salmos, e de todas as bocas saiam um grito de esperança e de fé, o velho grito de Israel: aleluia!

De todas as leituras, a última, a essencial, é a do Evangelho, a palavra de Deus. Não é confiada a um simples leitor, mas aos diáconos, e a passagem é escolhida pelo próprio Bispo; mais tarde, há de fixar-se esta ou aquela para determinados dias. “O senhor esteja convosco!” de pé, os fiéis escutam, numa espécie de posição de sentido que já os crentes do templo observavam em Jerusalém. Concluída a leitura do Evangelho, o Bispo comenta-o pessoalmente ou faz comentar por um pregador de sua escolha. É homilia, de que se encontrarão muitos espécimes nos padres da igreja, e que é a origem do nosso sermão (Daniel Rops, Igreja dos apóstolos e dos mártires).

O INÍCIO DA DEFINIÇÃO DO NOVO TESTAMENTO
Podemos afirmar que um herege chamado Marcião foi responsável pela preocupação da igreja em formar um cânon cristão. Pra variar, esse herege criou e reduziu um novo testamento, segundo o que ele acreditava ser válido.
Resultado de imagem para MARCIAO
Quem foram Mani e Marcião?



A história do desenvolvimento da doutrina leva em conta as edições textuais de Marcião só por elas incorporavam os temas teológicos da separação que ele fazia da lei e do evangelho. O cânon de Marcião estava, de alguma maneira, na escritura. Ela foi a primeira escritura distintivamente cristã e, portanto Marcião é fundamentalmente responsável pela ideia do novo testamento.

Ele parece ter estabelecido sua dupla escritura do senhor (o evangelho de Lucas ) e o do apóstolo (as dez epístolas autênticas se Paulo).
Havia uma tendência cada vez maior de citar escritos apostólicos como autoritativos, e ali parece ter sido o começo das coletâneas desses escritos (2Pe. 3,16). Mas, independentemente de algumas dessas tendências, a percepção de Marcião da antítese entre o antigo testamento e o evangelho puro e sua acusação de apostasia de todos os apóstolos, menos Paulo.

A busca de um cânon cristão foi uma resposta da igreja ao cânon de Marcião, onde se começou a coletar as cartas e todos os escritos dos apóstolos para começarem a definir o que era o Novo Testamento.

O herege Marcião não fundou uma escola, mas uma igreja. Durante a segunda metade do século II, a igreja Marcionita era uma rival do Cristianismo católico digna de atenção, pelo menos em determinadas áreas. Justino, escrevendo durante a vida de Marcião, admitiu que havia muitas pessoas em cada nação foram persuadidas por sua heresia (Justino 1Apol.. 26.5).

O CÂNON VICENTINO
Vicente Lerinense, Commonitorium(434) Ed. Moxon, Cambridge patristic texts) II.

(1) Eis que dediquei, constantemente, meus maiores desvelos e minhas diligências a investigar, entre o maior número possível de homens eminentes em saber e santidade, a maneira de achar uma norma de princípios fixos e, se possível, gerais e orientadores, para discernir a verdadeira fé católica das degradantes corruptelas da heresia.

A resposta invariável que recebi resume-se no seguinte: querendo eu ou querendo alguém descobrir as fraudes dos hereges, evitar as armadilhas e permanecer robusto e firme na fé sadia, devemos com a ajuda do SENHOR, fortificar nossa fé de duas maneiras: primeiramente, confiando na autoridade da lei divina e, em segundo lugar, perseverando na tradição da igreja católica.


(2) Aqui, talvez alguém perguntará: estando o cânon das escrituras completo e suficiente em si, que necessidade ainda temos de lhe juntar a interpretação da igreja?

A resposta é essa:

Sendo profundas as escrituras, não lhes dão a mesma interpretação todos os homens. As proposições dum mesmo escritor são comentadas diversamente por homens diversos, a tal ponto que parece ser possível delas serem extraídas tantas opiniões quantos forem os homens.

Novaciano¹ comenta dessa maneira, Sabélio daquela, Donato de outra, e de outra Ário, Eumônio e Macedônio; Fotino, Apolinário e Prisciliano explicam de um jeito diferente de, Joviano, Pelágio e Celestio e recentemente Nestório com um modo diferente de todos os citados.
Resultado de imagem para NOVACIANO
A QUESTÃO DOS LAPSI



Sendo, pois, tão intricado e multiforme o erro, temos grande necessidade de estabelecer uma regra de interpretação da igreja católica.

(3) Ora, na própria igreja Católica toma-se o máximo cuidado por conservar AQUILO QUE FOI TIDO E CRIDO, EM TODO LUGAR, EM TODO TEMPO E POR TODO FIEL.
É genuíno e propriamente “católico”, como declara o sentido do termo, aquilo que compreende tudo universalmente [isto é, ecumenicidade], antiguidade e concordância. Universalidade, reconhecendo que a única fé verdadeira é aquela que toda igreja professa em todo o mundo. Antiguidade, não nos apartando das interpretações manifestamente aceitas por nossos antepassados. Concordância, dando crédito fiel, inclusive em se tratando da antiguidade, às definições e opiniões de todos ou de quase todos os bispos e doutores.

O próprio Lutero disse: “foi um efeito do poder de Deus que o papado preservou, em primeiro lugar, o santo batismo; em segundo, o texto dos Santos Evangelhos, que era costume ler no púlpito na língua vernácula de cada nação…" . Muitos católicos e protestantes não percebem o quanto devem à Igreja católica por terem a Bíblia como nós a temos hoje. Por exemplo, antes que Lutero fizesse sua tradução em alemão, em setembro de 1522, já havia 17 traduções alemãs já impressas (todas anteriores a 1518), 12 delas em alemão.

38-61 d.C. – REDAÇÃO DO PRIMEIRO EVANGELHO 
S. Mateus, um dos Doze Apóstolos de Cristo, bispo católico e mártir da fé, escreve o primeiro evangelho da vida de Cristo em hebraico. Este evangelho seria seguido por três outros evangelhos escritos em grego. Estes foram: o evangelho de São Marcos (64 d.C.), o evangelho de São Lucas (63 ou 64 d.C.) e o evangelho de São João (97 d.C.).

52 d.C. – REDAÇÃO DA PRIMEIRA EPÍSTOLA

São Paulo, Apóstolo de Cristo, bispo católico e mártir da fé, escreve a primeira epístola a uma parte da Igreja. Esta é conhecida hoje como “Primeira Epístola aos Tessalonicenses”. Este escrito seria seguido de 21 outras epístolas apostólicas, escritas por vários autores católicos, sendo a última escrita pelo Apóstolo São João, em 69 d.C.

64 d.C. – REDAÇÃO DOS ATOS DOS APÓSTOLOS

São Lucas, discípulo de São Paulo, bispo da Igreja católica e mártir da fé, escreve os “Atos dos Apóstolos”, uma história da Igreja Católica, cobrindo os eventos da Páscoa [do Senhor] até a morte de São Paulo. Os Atos e o Evangelho segundo São Lucas, tornaram este o autor da maior parte do Novo Testamento, ou seja, de 28%.

98-99 d.C. – REDAÇÃO DO ÚLTIMO LIVRO APOSTÓLICO DIVINAMENTE INSPIRADO

São João, apóstolo de Cristo e bispo da Igreja católica, escreve o último livro apostólico divinamente inspirado; este é conhecido hoje como “Apocalipse”

153-170 d.C. – A PRIMEIRA HARMONIZAÇÃO DOS EVANGELHOS

A mais antiga tentativa de fazer uma harmonização foi realizada por Taciano (falecido em 172) e seu título, “Diatessaron”. Dá abundante evidência da primitiva aceitação na Igreja católica dos nossos quatro Evangelhos canônicos. A próxima “Harmonização” foi feita por Amônio de Alexandria, professor de Orígenes;
SÉCULOS II-III d.C. – A PRIMEIRA ESCOLA BÍBLICA

Os antigos católicos iniciaram uma escola em Alexandria para a aprendizagem dos Evangelhos e de outros escritos católicos antigos.

250 d.C. – A PRIMEIRA BÍBLIA EM IDIOMAS PARALELOS

O católico Orígenes cria a edição da Hexapla do Antigo Testamento, que continha o texto hebraico em paralelo com [cinco] versões gregas.
Resultado de imagem para ORIGENES
A HEXAPLA DE ORÍGENES

250 d.C. – A PRIMEIRA BIBLIOTECA CATÓLICA

O católico Orígenes cria uma bem equipada biblioteca em Cesareia, com a finalidade de estudar os Evangelhos e outros escritos católicos antigos.

250-300 d.C. – A PRIMEIRA BÍBLIA NA FORMA DE LIVRO

Os judeus usavam o rolo de papiro; os primitivos católicos foram os primeiros a usar a forma de livro (=códice) para as Escrituras.

SÉCULO IV d.C. – O PRIMEIRO USO DA PALAVRA “BÍBLIA”

Provém da palavra grega “biblos”, que significa “o lado interno do papiro”, “papel-cana” de onde eram feitos os primeiros papéis no Egito. A forma latina “Biblia”, escrita com inicial maiúscula, veio a significar “O Livro dos Livros”, “O Livro” por excelência. As Santas Escrituras foram chamadas de Bíblia pela primeira vez por São João Crisóstomo, arcebispo católico de Constantinopla, no séc. IV.

SÉCULO IV d.C. – AS MAIS ANTIGAS BÍBLIAS AINDA EXISTENTES

As quatro mais antigas Bíblias hoje existentes, que contêm o Antigo e a maioria (não todos) dos livros do Novo Testamento, chamam-se

* “Códice Vaticanus” (325-350 d.C.),

* “Códice Sinaiticus” (340-350 d.C.),

* “Códice Ephraemi” (345 d.C.) e

* “Códice Alexandrinus” (450 d.C.)

Foram copiados à mão por monges católicos

367 d.C. – O PRIMEIRO USO DO PALAVRA “CÂNON”

Santo Atanásio, bispo católico de Alexandria, é o primeiro a aplicar o termo “cânon” para o conteúdo da Bíblia, introduzindo o verbo “canonizar” que significa “dar sanção oficial a um documento escrito”.

367 d.C. – O CÂNON DO NOVO TESTAMENTO

A 39ª carta festiva de Santo Atanásio, bispo católico de Alexandria, enviada para as igrejas sob sua jurisdição em 367, encerrou toda incerteza acerca dos limites do cânon do Novo Testamento. Preservada em uma coleção de mensagens, lista como canônicos os 27 livros do NT, embora os organize em uma ordem diferente. Na ordem atual, esses livros são: os 4 Evangelhos (Mateus, Marcos, Lucas, João); Atos dos Apóstolos; Romanos, 1Coríntios, 2Coríntios, Gálatas, Efésios, Filipenses, Colossenses, 1Tessalonicenses, 2Tessalonicenses, 1Timóteo, 2Timóteo, Tito, Filemon, Hebreus; Tiago, 1Pedro, 2Pedro, 1João, 2João, 3João, Judas; e Apocalipse.

388 d.C. – O PRIMEIRO GLOSSÁRIO DE NOMES DA BÍBLIA
São Jerônimo compilou o “Livro de Nomes Hebreus”, ou “Glossário de Nomes Formais do Antigo Testamento”. Esse livro foi, sem dúvida, de muita utilidade na época em que as pessoas quase não conheciam o hebraico, embora o arranjo seja estranho, com um glossário separado para cada livro da Bíblia.

388 d.C. – O LIVRO DOS NOMES DE LUGARES HEBREUS

São Jerônimo compilou o “Livro dos Nomes de Lugares Hebreus”, que foi feito primeiro por Eusébio e com adições de Jerônimo. Os nomes sob cada letra são colocados em grupos separados na ordem dos livros das Escrituras nos quais eles aparecem; por exemplo, na letra “A” temos os nomes de Gênesis, depois Êxodo, e assim por diante. Mas não há lugar para fantasia e o testemunho de homens que viveram na Palestina nos séc. IV e V ainda são de grande valor ao estudante da topografia sagrada. Quando os lugares estão fora do conhecimento do escritor, ele emprega especulação, como quando o autor nos fala que a Arca [de Noé] pode ser encontrada nas proximidades do Ararat.

390 d.C. – A PRIMEIRA COMPILAÇÃO COMPLETA DO ANTIGO E DO NOVO TESTAMENTO

No Concílio de Hipona, a Igreja Católica reuniu os vários livros que reivindicavam para si o título de Escrituras, revisou cada um e decidiu quais eram inspirados ou não. A Igreja Católica reuniu todos os livros e epístolas inspirados em um volume chamado "A Versão de Septuaginta do Velho Testamento" (que foi traduzida por setenta estudiosos em Alexandria, Egito por volta de 227 a.C. e foi a versão que Cristo e os apóstolos usaram); é a mesma Bíblia que temos hoje. A Igreja católica deu-nos então, a Bíblia.

400 d.C. – A MAIOR PARTE DAS ESCRITURAS SAGRADAS TRADUZIDAS

Nas línguas siríaca, copta, etíope, georgiana(8). Na região do Reno e Danúbio (Império Romano). Uma versão gótica foi traduzida pelo bispo gótico Ulfilas (318-388), o qual, depois de inventar um alfabeto, produziu uma versão das Escrituras da Septuaginta do Antigo Testamento e do grego.
Resultado de imagem para BÍBLOIA VERSÃO GÓTICA
 MINIATURA GOTICA. Location: ACADEMIA DE LA HISTORIA-COLECCION, MADRID, SPAIN.

406 d.C. – A TRADUÇÃO ARMÊNIA

Em 406 o alfabeto armênio foi inventado por Mesrob, que 5 anos depois completou uma tradução do Antigo e do Novo Testamento da versão siríaca em armênio.

405 d.C. – A PRIMEIRA TRADUÇÃO DA BÍBLIA COMPLETA NA LINGUAGEM COMUM

A Vulgata latina, “de latim editio vulgata”, “versão comum”, a Bíblia ainda usada pela Igreja católica romana, foi traduzida por São Jerônimo [a quem os tradutores da versão do Rei Tiago (King James Version), de 1611, em seu prefácio chamam de “o pai mais instruído, e o melhor linguista da sua época ou de qualquer época anterior a ele”]. Em 382, o papa Dâmaso pediu a Jerônimo, o maior estudioso bíblico da sua época, que produzisse uma versão latina aceitável da Bíblia, a partir das várias traduções que eram então usadas. Sua tradução latina revisada dos Evangelhos apareceu em 383. Chegou a usar a versão da Septuaginta grega do Antigo Testamento e produziu uma nova tradução latina, completada em 405.(3) É como tradutor das Escrituras que Jerônimo é mais conhecido. Sua Vulgata foi feita no momento certo e pelo homem certo. O latim ainda estava vivo, apesar de o Império Romano estar desaparecendo. E Jerônimo era mestre em latim.(17)

450-550 d.C. – O BEZAE CANTABRIGIENSIS (TAMBÉM CHAMADO “CÓDICE BEZAE”)

Este é o manuscrito bilíngue mais antigo hoje existente, com o grego na página esquerda e o latim à direita. O Bezae Cantabrigiensis era um texto ocidental copiado por volta dos anos 450-550; preservou a maior parte dos quatro Evangelhos e partes dos Atos.

SÉCULO VII d.C. – A PRIMEIRA TRADUÇÃO DA BÍBLIA PARA O FRANCÊS

As versões francesas dos Salmos e do Apocalipse, e uma do Livro de Reis com métrica, apareceu já no sétimo século.(9) Em 1223 uma tradução completa foi feita sob o rei católico Luiz, o Piedoso. Isto foi 320 anos antes da primeira versão francesa protestante.(7) Até o século XIV, foram produzidas muitas histórias da Bíblia.

SÉCULO VII d.C. – A PRIMEIRA VERSÃO ALEMÃ

A história da pesquisa bíblica mostra que as numerosas versões parciais em vernáculo na Alemanha aparecem logo nos séculos VII e VIII. Também há abundância dessas versões nos séculos XIII e XIV, e ainda uma Bíblia completa no século XV, antes da invenção da imprensa.

SÉCULO VIII d.C. – A PRIMEIRA TRADUÇÃO DA BÍBLIA EM INGLÊS

Feita por Adelmo, bispo de Sherborn, e Beda. Uma tradução do século IX da Bíblia para o inglês (no dialeto anglo-saxão) foi feita por Alfred. Uma tradução do séc. X para inglês foi feita por Aelfric.(7) Foi feita uma tradução em 1361 da maior parte das Escrituras no dialeto inglês (anglo-normando). (3) Isto foi vinte anos antes da tradução de Wycliffe, em 1381.

SÉCULOS VIII-IX d.C. – O USO DA FORMA DE ESCRITA CHAMADA “MINÚSCULA”

O bloqueio do comércio oriental de papiro forçou o mercado ocidental a usar o pergaminho; o fator econômico passou a pesar. Então, para caber mais letras em uma página, o copista passou a usar letras menores e mais apertadas. Alguns, para preservar as suas formas, colocavam algumas acima e outras abaixo da linha. O resultado foi uma forma de escrita chamada “Minúscula” – letras pequenas – com iniciais maiúsculas para dar ênfase. Este sistema ainda é usado hoje. Antes usava-se a “Uncial” ou “Maiúscula”, que consistia de letras grandes, conforme o uso de gregos, romanos e judeus.

SÉCULO IX d.C. – A PRIMEIRA TRADUÇÃO ESLAVA DA BÍBLIA

Os santos católicos Cirilo e Metódio pregaram o Evangelho para os eslavos na segunda metade do século IX e São Cirilo, tendo criado um alfabeto, fez para eles uma versão do Antigo Eclesiástico eslavo ou búlgaro, uma tradução da Bíblia do grego. No fim do século X, esta versão entrou na Rússia e depois do século XII sofreu muitas mudanças linguísticas e textuais. Uma Bíblia eslava completa foi feita a partir de um códice antigo no tempo de Wladimir (falecido em 1008) e publicada em ostrogodo em 1581.

1170 d.C. – A PRIMEIRA BÍBLIA INGLESA EM PARALELO

O “Psalterium Triplex” de Eadwine, contém a versão latina acompanhada por textos anglo-normandos e anglo-saxões; tornou-se a base das versões anglo-normandas.

SÉCULO XII d.C. – A PRIMEIRA DIVISÃO EM CAPÍTULOS
Resultado de imagem para SANTO ESTÊVÃO lANGTON

Quem dividiu a Bíblia em capítulos



Foi o arcebispo católico britânico de Canterbury, Santo Estêvão Langton (falecido em 1228), o primeiro a dividir as Escrituras em capítulos: são 1.163 capítulos no Antigo Testamento e 260 no Novo.

SÉCULO XIII d.C. – A PRIMEIRA TRADUÇÃO DA BÍBLIA EM ESPANHOL

Realizada sob o rei Alfonso V da Espanha.(7)

1230 d.C. – A PRIMEIRA CONCORDÂNCIA BÍBLICA

Uma concordância bíblica da Vulgata latina foi compilada pelo frade dominicano Hugo de São Cher.

1300 d.C. – A PRIMEIRA TRADUÇÃO DA BÍBLIA EM NORUEGUÊS

A mais antiga e célebre é a tradução do Gênesis-Reis chamada Stjórn (“Direção”; i.é., de Deus), em norueguês arcaico, em 1300. As versões suecas do Pentateuco e dos Atos são do século XIV; há também um manuscrito de Josué-Juízes, feito por Nicholaus Ragnvaldi de Vadstena por volta de 1500. A versão dinamarquesa mais antiga do Genêsis-Reis deriva de 1470.

1454 d.C. – A PRIMEIRA BÍBLIA IMPRESSA

Um católico chamado Guttenberg causou grande alvoroço quando, no outono deste ano, exibiu uma amostra [da Bíblia impressa] na Feira do Comércio de Frankfurt. Guttenberg rapidamente vendeu todas as 180 cópias da Bíblia segundo a Vulgata latina antes mesmo de terminar a impressão.

1466 d.C. – A PRIMEIRA BÍBLIA IMPRESSA EM ALEMÃO

Realizada 58 anos antes de Lutero fazer sua Bíblia alemã em 1524.(8) Nestes 58 anos, os católicos imprimiram 30 diferentes edições alemãs da Bíblia.

1470 d.C. – A PRIMEIRA BÍBLIA IMPRESSA EM ESCANDINAVO

No século XIV, foram feitas versões das Epístolas e dos Evangelhos para uso popular na Dinamarca. Grandes partes da Bíblia, se não uma versão inteira, foi publicada em 1470.

1471 d.C. – A PRIMEIRA BÍBLIA ITALIANA

Muitos anos antes de Lutero fazer sua Bíblia (começou em 1522), os católicos já tinham produzido 20 diferentes edições italianas da Bíblia.

1475 d.C. – A PRIMEIRA BÍBLIA IMPRESSA EM HOLANDÊS

A primeira Bíblia em holandês foi impressa por católicos na Holanda, em Delft, em 1475. Algumas foram impressas por Jacob van Leisveldt, na Antuérpia.

1478 d.C. – A PRIMEIRA BÍBLIA IMPRESSA EM ESPANHOL

Muitos anos antes de Lutero fazer sua Bíblia (começou em 1522) os católicos já tinham feito 2 diferentes edições espanholas da Bíblia.

1466 d.C. – A PRIMEIRA BÍBLIA IMPRESSA EM FRANCÊS

(8) Muitos anos antes de Lutero fazer sua Bíblia (começou em 1522) os católicos já tinham feito 26 diferentes edições francesas da Bíblia.

1516 d.C. – A PRIMEIRA IMPRESSÃO DO NOVO TESTAMENTO GREGO
Um católico chamado Erasmo fez a primeira impressão do seu NT grego.(8) Muitos anos antes de Lutero fazer sua Bíblia (começou em 1522) os católicos já tinham feito 22 diferentes edições gregas da Bíblia.

1534 d.C. – O PRIMEIRO USO DE ITÁLICO PARA INDICAR PALAVRAS QUE NÃO ESTAVAM NO ORIGINAL

Um católico chamado Münster foi o primeiro a usar caracteres itálicos para indicar palavras que não apareciam nos textos originais em grego e hebraico, na sua versão da Vulgata latina.

1548 d.C. – AS PRIMEIRAS VERSÕES CHINESAS

Entre as traduções mais antigas uma versão é a de São Mateus, feita por Anger, um católico japonês (Goa, 1548). O jesuíta Padre de Mailla escreveu uma explicação dos Evangelhos para domingos e festas em 1740.

1551 d.C. – A PRIMEIRA DIVISÃO DE VERSÍCULOS

A primeira divisão da Bíblia em versículos foi vista pela primeira vez em uma edição do Novo Testamento grego publicada em Paris pelo católico Robert Stephens.

1555 d.C. – A PRIMEIRA BÍBLIA COMPLETA IMPRESSA COM CAPÍTULOS E VERSÍCULOS

A primeira divisão da Bíblia em capítulos e versículos foi vista pela primeira vez em uma edição da Vulgata publicada em Paris pelo católico Robert Stephens.

1561 d.C. – A PRIMEIRA BÍBLIA COMPLETA EM POLONÊS

Foi impressa em Cracóvia em 1561, 1574 e 1577. Jacob Wujek, S.J., fez uma nova tradução da Vulgata (Cracóvia, 1593) admirada por Clemente VIII e que foi muitas vezes reimpressa.

1579 d.C. – A PRIMEIRA VERSÃO MEXICANA

A primeira Bíblia conhecida no México foi uma versão dos Evangelhos e Epístolas, de 1579, feita por Dídaco de Santa Maria, O.P.; e o Livro dos Provérbios, feito por Louis Rodríguez, O.S.F. Uma versão do Novo Testamento foi feita em 1829, mas só o Evangelho de São Lucas foi impresso.

1836 d.C. – A PRIMEIRA TRADUÇÃO DA BÍBLIA PARA O JAPONÊS

Uma versão do evangelho de São João e dos Atos foi editada em Katakana (empregando tipos quadrados), em Cingapura (1836); foi feita por Charles Gutzlaff.

- *** -

Mais algumas informações sobre as traduções bíblicas ao longo da história, informações que acabam com à acusação de que a Igreja proibiu a leitura da Bíblia e de que só com Lutero houve traduções bíblicas:

Concílio de tours ano -813- cânon 17.
Que cada um se empenhe por traduzir claramente para a língua romana rústica ou Germânica, para que todos possam mais facilmente compreender o que é dito.
BÍBLIA de Wulfila – século IV – língua alemã.
Evangelho de São Beda – século VII – língua inglesa.
Evangelhos de Lindisfarne – século VII.
Bíblia de Aldhelmo – ano 700 – língua inglesa.
Bíblia de Carlos Magno – ano 800 – língua alemã.
Bíblia de São Cirilo e Metódio – ano 863 – língua eslava.
Bíblia do abade Aelfrico – século X – língua inglesa.
Bíblia moçárabe de Toledo – século X – língua árabe.
Evangelhos Wessex – ano 990 – dialeto saxão.
Bíblia Alfonsina – século XIII – língua castelhana.
Bíblia de Montjuich – século XIII – língua catalã.
Bíblia de D. Dinis – século XIII – língua portuguesa.
Bíblia de Alcobaça – século XIII – língua portuguesa.
Bíblia de Jean de Bon – século XIII – língua francesa.
Bíblia da rainha Sofia – século XIII – língua polaca.
Bíblia Historiale – 1297 – língua francesa.
Bíblia de dom João I século XIV – língua portuguesa.
Existem mais 14 traduções no vernáculo, isso acaba com a mentira que só com a reforma protestante fizeram bíblias no vernáculo.

A ESCOLA RABÍNICA DE JÂMNIA E OS PROTESTANTES
(Encyclopedia of Religion, Vol. 2, página 174). “Em qualquer caso, os cristãos não têm nenhuma razão para aceitar o cânon judaico declarado após à ascensão do nosso Senhor ”
Errata do king James 1965 - não apenas declarou os livros Deutero Canônicos como invenção cristã, mas chegou a exigir que todos os judeus amaldiçoassem o nome de Jesus de Nazeré. Um escola rabínica, sem autoridade, não poderia pôr fim à questão dos livros canônicos dêuteros. Até hoje os judeus etíopes ainda seguem o cânone original da Septuaginta, mas é por determinação dessa escola de Javneh (Jâmnia), cujo cânon bíblia, os protestantes aceitam e usam para suas Bíblias.
Os protestantes aceitam o cânon judaico? Só faltam assumir que negam a Cristo, já que foram os cristão que mantiveram os 7 livros (deuterocanonicos = recolocados).
Errata do king James 1965 - “... esta escola não tinha autoridade real (mesmo entre os judeus) para determinar a Canonicidade da Escritura. Considerando que este conselho aconteceu 60 anos após Cristo, não há razão para os cristãos aceitem seu veredicto”.
Enciclopédia Judaica, vol. 6, p. 1146 -  ”Não há nenhuma evidência de que os rabinos na escola de Jâmnia ( 90A.D.), tinham autoridade legítima para determinar a Escritura para a religião judaica”.
Enciclopédia da religião, Vol. 2, página 173 - ”... a autoridade da escola rabínica (Jâmnia 90 A.D.) foi rejeitada pelos primeiros cristãos e pelos judeus da Etiópia e Alexandria. ”

Dicionário Enciclopédico da p.1324 Bíblia 1963 - ”... o conselho de Jâmnia (90 dC) foi feito por rabinos (ou professores) sem autoridade religiosa para aceitar ou rejeitar a Escritura. ”

- *** -
E tem muito mais, que os protestantes não sabem a respeito dos livros expurgados injustamente pelos judeus!
Para um livro fazer parte do Cânon Cristão, existem alguns critérios, que são:
– Apostolicidade (proximidade temporal / histórica com os apóstolos)
– Leitura Litúrgica Pública (Quais livros eram lidos nas comunidades)
– Leitura Litúrgica Pública Universal (Comparação das cartas lidas nas comunidades)
– Regula Fidei ou Ortodoxia (o que a patrística falava em relação a esses livros).

CONCÍLIOS ANTERIORES A TRENTO

Sabemos que os protestantes tem uma sobrevida através de acusações contra a Igreja Católica de ter adicionado livros ao cânon bíblico no Concílio de Trento em 1547, (os 7 livros deuterocanônicos: Tobias, Judite, I e II Macabeus, Baruc, Eclesiástico e Sabedoria), e que eles, assim como Lutero, conservam os 66 livros que antes eram tidos com inspirados.
Na verdade a Igreja primitiva usava abertamente e doutrinariamente os livros da Septuaginta e o concílio de Trento não adicionou nada, apenas confirmou a fé secular da Igreja, vamos verificar mais adiante que os protestantes não sabem que Lutero não tinha sequer os mesmos livros que eles têm como inspirados. Tenho certeza que muitos Protestantes não sabem disto, por este motivo será mostrado que, na realidade, quem modificou a Bíblia foi Lutero e não o concílio de Trento.

DOIS CONCÍLIOS ANTERIORES A TRENTO
Para confirmar que o concílio de Trento não adicionou nada a Bíblia, serão vistos agora 2 concílios anteriores a ele, um 1100 antes e o outro 100 anos antes, para provar qual o cânon bíblico sempre aceito pela Igreja.

CONCÍLIO CARTAGO IV (ANO 419 D.C) - “Cânone 24 (Grego XXVII) -  "Parece-nos bom que, fora das Escrituras canônicas, nada deva ser lido na Igreja sob o nome 'Divinas Escrituras'. E as Escrituras canônicas são as seguintes: Gênese, Êxodo, Levítico, Números, Deuteronômio, Josué, Juízes, Rute, quatro livros dos Reinos, dois livros dos Paralipômenos, Jó, Saltério de Davi, cinco livros de Salomão, doze livros dos Profetas, Isaías, Jeremias, Daniel, Ezequiel, Tobias, Judite, Ester, dois livros de Esdras e dois [livros] dos Macabeus.

E do Novo Testamento: quatro livros dos Evangelhos, um [livro de] Atos dos Apóstolos, treze epístolas de Paulo, uma do mesmo aos Hebreus, duas de Pedro, três de João, uma de Tiago, uma de Judas e o Apocalipse de João12. Isto se fará saber também ao nosso santo irmão e sacerdote, Bonifácio, bispo da cidade de Roma, ou a outros bispos daquela região, para que este cânon seja confirmado, pois foi isto que recebemos dos Padres como lícito para ler na Igreja" (Concílio de Cartago III (397) e Concílio de Cartago IV (419)).
E também a mesma lista de 73 livros de Trento é repetida no Concílio de Florença, 100 anos antes:
CONCÍLIO DE FLORENÇA (ANO 1442 D.C) - No concílio de Florença, concílio que tentou unir novamente os 5 patriarcados,e estavam presentes católicos e ortodoxos foi decretado:

“Decretum pro lacobitis (ex Bulla « Cantate Domino», 4 Fev. 1441)

"O Sacrossanto Concílio professa que um e o mesmo Deus é o autor do Antigo e do Novo Testamento, isto é, da Lei, dos Profetas e do Evangelho, pois os santos de ambos os Testamentos falaram sob a inspiração do mesmo Espírito Santo. Este Concílio aceita e venera os seus livros que vêm indicados pelos títulos seguintes: Cinco livros de Moisés (isto é, Gênese, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio), Josué, Juízes, Rute, quatro livros dos Reis, dois dos Paralipômenos, Esdras, Neemias, Tobias, Judite, Ester, Jó, o Saltério de Davi, as Parábolas (Provérbios), Eclesiastes, Cântico dos Cânticos, Sabedoria, Eclesiástico, Isaías, Jeremias, Baruc, Ezequiel, Daniel, os Doze Profetas menores (isto é, Oseias, Joel, Amós, Abdias, Jonas, Miqueias, Naum, Habacuc, Sofonias, Ageu, Zacarias, Malaquias) e dois livros dos Macabeus. Quatro Evangelhos (Mateus, Marcos, Lucas e João), catorze epístolas de Paulo (uma aos Romanos, duas aos Coríntios, uma aos Gálatas, uma aos Efésios, uma aos Filipenses, uma aos Colossenses, duas aos Tessalonicenses, duas a Timóteo, uma a Tito, uma a Filemon, uma aos Hebreus), duas epístolas de Pedro, três de João, uma de Tiago, uma de Judas, os Atos dos Apóstolos e o Apocalipse de João". 16 cf. Decreto sobre o Cânon (sessão IV, de 08.04.1546)."
 


HISTORIADORES PROTESTANTES CONFIRMAM O CÂNON CATÓLICO DESDE ANTES DE TRENTO - Philip Schaff - “O concílio de Hipona em 393, e o terceiro (de acordo com outro acerto de contas o sexto), concílio de Cartago, em 397, sob a influência de Agostinho, que participou de ambos, fixou o cânone católico das Escrituras Sagradas, incluindo os apócrifos do Antigo Testamento […]. O cânon do Novo Testamento é o mesmo que o nosso. Esta decisão da igreja de além mar no entanto, foi sujeita a ratificação, e recebeu a concordância da Sé Romana quando Inocêncio I e Gelásio I (414 d.C) repetiram o mesmo índice de livros bíblicos. Este cânone permaneceu intacto até o século XVI, e foi aprovada pelo concílio de Trento na sua quarta sessão.” (SCHAFF, Philip, História da Igreja Cristã, vol. III, Cap. 9);
J.N.D Kelly - “Pela grande maioria, porém, os escritos deuterocanônicos atingiram o grau de inspirados com o máximo de senso. Agostinho, por exemplo, cuja influência no ocidente foi decisiva, não fazia distinção entre eles e o resto do Antigo Testamento… a mesma atitude com ao apócrifos foi demonstrada nos Sínodos de Hipona e Cartago em 393 e 397, respectivamente, e também na famosa carta do papa Inocêncio I ao bispo de Toulouse Exuperius, em 405” (Doutrina Cristã Antiga, 55-56).
DICIONÁRIO OXFORD DA IGREJA CRISTÃ - Outra fonte protestante que refuta os próprios acusadores protestantes, é o Dicionário Oxford da Igreja Cristã que se refere a “Um concílio, provavelmente, realizado em Roma em 382 sob S. Dâmaso deu uma lista completa dos livros canônicos tanto do Antigo Testamento quanto do Novo Testamento (também conhecido como o “Decreto Gelasiano” porque foi reproduzido por Gelásio em 495), que é idêntico à lista dada em Trento.” (2 ª ed, editado por FL Cross & Livingstone EA, Oxford University Press, 1983, p.232)

O CONCÍLIO DE TRENTO E O CÂNON BÍBLICO
A finalidade do concílio era reafirmar a fé católica por causa da negação dos Protestantes e instaurar uma renovação profunda na Igreja. Na quarta sessão foram aprovados dois textos doutrinários sobre as fontes de revelação, um e outro de máxima importância, principalmente o referente à tradição, porque Lutero, por motivos pessoais, negava a tradição como norma de fé. Estava convencido de ter descoberto em Romanos 3, 28, que fala da justificação somente pela fé, a resposta à angústia por sua própria salvação; mas como a interpretação que dava era contrária à tradição da Igreja Católica, viu-se obrigado a acrescentar o princípio só pela fé [sola fides] e o princípio só pela escritura [sola scriptura].

Contra a tese Luterana, o concílio define que a tradição é o veículo de transmissão da revelação, pelo menos da tradição explicativa, mas não pretende entrar na questão de saber se na tradição há ou não verdades reveladas não contidas diretamente na escritura, tratando-se esse de um problema interno da Igreja.

Quanto à canocidade dos livros sagrados, a questão ficara totalmente resolvida no concílio de Florença, mas voltou-se ao assunto porque havia humanistas que faziam reservas sobre alguns escritos do novo testamento, entre eles, Erasmo atribuía a Epístola aos hebreus ao Papa Clemente de Roma e duvidava da autenticidade do apocalipse, achava que o final de Marcos fosse um acréscimo. Haviam dúvidas quanto aos versículos de Marcos 16.9-20 pertencerem mesmo ao evangelho segundo Marcos!

Pois, em alguns antigos e importantes manuscritos gregos do evangelho de Marcos, esses 12 versículos estão ausentes, que a segunda é terceira Epístola de João não fossem do Apóstolo; que o autor da segunda Epístola de Pedro não fosse o mesmo da primeira. O Cardeal Caietanus era de opinião de que só os escritos protocanonicos constituíam a fonte de fé, enquanto os deuterocanônicos eram livros de edificação; além disso, via uma interpolação no final de Marcos e no episódio da mulher adúltera (João 8, 3-11), e negava a canocidade da epístola aos hebreus. Lutero excluía os deuterocanônicos, Tiago, Judas e o Apocalipse.

Em apoio à inclusão dos 12 livros deuterocanônicos no cânone, o Concílio de Trento, apontou para os dois conselhos regionais, que se reuniram sob a liderança de Agostinho de Hipona (393 AD) e Cartago (397 e 419 dC). Os bispos de Trento afirmaram que estes concílios tinham formalmente definido o cânon com a inclusão desses livros.

AS BÍBLIAS NAS IGREJAS APOSTÓLICAS DO ORIENTE E ÁFRICA

Agora vamos finalizar tendo como referência as outras igrejas de origem Apostólica. Primeiro vamos falar das igrejas siríacas. Podemos notar que eles tinham um cânon bíblico reduzido, eu disse tinham, uma referência histórica. Para podermos entender o contexto histórico, São João Crisóstomo teve toda a sua formação nas Escrituras na Síria. Provavelmente por esta razão, não nos deixou comentário sobre as Epístolas Católicas, mas só sobre as Epístolas de Paulo. O que para mim é lamentável, porque a famigerada “disputa” entre Paulo e Tiago, teria sido esclarecida cabalmente pelo Santo.

Não quero dizer que São João Crisóstomo rejeitasse como não-inspirados os demais livros (não há qualquer prova neste sentido), mas não os comentou. Também não há qualquer documento que indique se São João Crisóstomo leu, ou ouviu falar dos demais livros do Cânone “Bizantino” – há apenas silêncio.
Quanto à Peshita, sem Apocalipse e Epístolas Católicas, o Patriarcado Ortodoxo de Antioquia adotou o Cânon usado por todos os Ortodoxos, que inclui 1 e 2 Pedro, Tiago, João 1, 2 e 3, Judas e Apocalipse.

Nota: atualmente todas as Igrejas na Síria (monofisita e nestoriana incluídas) omitem o Apocalipse ou as Epístolas Católicas.

Essas igrejas que usavam uma cânon bíblico reduzido, hoje usam os deuterocanônicos também. A Sabedoria de Sirach [Eclesiástico] é usada até mesmo – na liturgia dos mortos.

O uso litúrgico dum determinado livro é em geral prova duma recepção antiga no Canon. O hiato é um sinal de que o livro era aceito desde tempos antigos (pelo menos, desde a elaboração daquela Liturgia ou Rito), e não se pode dizer que se trata apenas de edições modernas da Bíblia que receberam influências exteriores.

E há o dito: “Lex orandi, lex credendi” - A igreja ortodoxa tem 78 livros no total, a Igreja da Etiópia usa 91 livros, podemos ver que não existe nenhuma Igreja Católica Apostólica com um cânon bíblico reduzido, os únicos certos são os Protestantes que vieram 1500 depois dos apóstolos, isso é irônico, mas a vaidade não deixa ver que estão errados.
CONCLUSÃO
Como podemos ver, o cânon bíblico não foi algo dado por Deus diretamente, como algo inerrante em todos os aspectos. O Cânon Bíblico foi se estabelecendo com o tempo através da Tradição e do Magistério da Santa Igreja. Apesar de existirem registros de divergências pessoais entre os Santos Padres acerca do Cânon Bíblico, o mesmo não aconteceu entre as Igrejas, conforme vemos nos cânons de Cartago, Hipona, Roma, Laodicéia, Trullos e etc. Essas informações são para ajudar os Católicos e principalmente os protestantes que acreditam que a bíblia caiu do céu com capa de couro zíper e traduzida. É incoerente afirmar que a igreja primitiva, os pais da igreja, se submeteu aos livros bíblicos como autoridade final, crendo na Escritura como infalível e, portanto, incapaz de qualquer erro, sendo que a igreja não tinha um cânon fechado. A utilização das Escrituras pelos pais da igreja não eram para afirmar a inerrância das Escrituras, mas para confirmar a Doutrina dos Apóstolos. Podemos afirmar com certeza que a Bíblia é inerrante quanto à sua mensagem, quanto à confirmação da verdade. Por isso a Sola Scriptura é uma inovação desconhecida pela Igreja em seus dois mil anos. E falo da Igreja latina (Roma) e de todas as igrejas orientais com sucessão dos apóstolos. Por que é um perigo? Pois eles tentam justificar a autoridade suprema das Escrituras sem se respaldar à origem dela, que é a Doutrina dos Apóstolos. “A Bíblia Sagrada dá testemunho da tradição apostólica. O primeiro texto de teologia bíblica que temos relato na história é de Irineu de Lyon (130-202 d.C.), e seu livro não se chamava tratado de teologia Bíblica, mas “Demonstração da pregação apostólica”. Os livros que temos na Bíblia Sagrada são compostos da maneira que conhecemos hoje porque confirmam a mensagem pregada pelos apóstolos, as testemunhas de Jesus Cristo”
Bibliografia: Daniel Rops, igreja dos apóstolos e dos mártires; H. Bettenson, documentos da igreja cristã; Justo Colantes, A fé católica documentos do magistério da Igreja; Jaroslav pelikan, tradição cristã. Contei com uma ajuda do Bispo ortodoxo Damasceno de Coimbra, Portugal.

FONTE: APOLOGISTAS DA FÉ CATÓLICA